AGUARDE
29 novembro 2016

A alma do negócio

Ilustração: Andy Massena

Vivemos em uma sociedade cheia de modismos. Até causas nobres se perdem no momento em que deixam de ser filosofias e ideais e passam a ser instrumentos de marketing. Feminismo, Empoderamento da Mulher, Defesa da Liberdade da Escolha Sexual, Diversidade Racial e Religiosa, Inclusão Social, Aceitação Pessoal, todos esses temas são relevantes e merecem discussão, mas quando são usados como apelo e deixam de lado a verdadeira essência perdem seu valor ideológico e assumem um valor financeiro. 

Somos transformados em peças do jogo do varejo onde marcas e produtos levantam algumas dessas "bandeiras" para atrair tribos e lucrar. Criamos, inconscientemente, uma percepção positiva sobre quem se mostra afinado com a nossa filosofia de vida. Precisamos ter consciência do nosso papel neste ciclo do consumo e do quanto somos usados a partir de abordagens que mexem com nossos anseios e aspirações. Defender ideais vai muito além de usar o jeans da marca que mostra diversidade racial ou modelos plus size em sua publicidade, mas só produz os melhores moldes nos menores tamanhos. Vai muito além de comprar a margarina da marca que mostra uma composição familiar não tradicional e usar o creme anti rugas da marca de cosméticos que diz que suas rugas são incríveis, mas oferece cremes para suavizá-las para que você sinta-se linda. Lembre-se sempre, você é a alma do negócio.

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