AGUARDE
13 junho 2018

A BRIGA DOS ESTREANTES DA TEMPORADA

Sem dúvidas nenhuma o título de campeão mundial é o desejo de todos os surfistas que figuram no seleto top 34 da WSL. Mas é evidente que nem todos tem condições de chegar firme nessa briga, principalmente os surfistas que estão fazendo sua estreia no tour. São raras as excessões, mas visando criar um disputa interna entre eles, ao final de cada ano, a WSL premia o melhor estreante com um simbólico troféu e alguns minutos de estrelismo no banquete de gala realizado tradicionalmente na Austrália no início de cada temporada.

Nesse ano de 2018 a disputa está boa e dos 8 que estão estreando, apenas os brasileiros Yago Dora e Jessé Mendes figuram fora do top 22, que garante permanência na elite ao final de cada ano. Yago ocupa a incômoda 27ª colocação e até agora não conseguiu exibir o talento que estamos acostumados a ver nas sessões de freesurf. Seu melhor resultado foi o quinto lugar em Saquarema e de fato ele precisa de outros bons resultados, que podem facilmente vir nos beach breaks da França e Portugal e até mesmo nos tubos pesados de Tahupoo. Em situação parecida está Jessé Mendes. O paulista que enfrentou anos no circuito da divisão de acesso até garantir sua vaga vem surfando bem, mas os resultados não estão correspondendo.

O catarinense Tomas Hermes é o dono da vigésima colocação graças ao terceiro lugar conquistado em Snapper Rocks. Tirando isso, o pequeno notável do Tour não conquistou nenhum outro resultado expressivo e talvez seu melhor momento do ano tenha sido o belo tubo nas ondas da Barrinha, em Saquarema. Se quiser se manter na elite, precisa de alguma maneira voltar a impressionar os juízes. Na digamos que confortável 14ª posição está Wade Carmichael. Versátil e dono de um surfe de borda daqueles de se admirar, Wade ainda não fez grandes alardes na elite, mas já chegou a final da etapa brasileira, o que garante seu status de top 16. Ainda é pouco, mas é um dos favoritos para o título de estreante da temporada.

Acima do australiano, no 12º posto está Griffin Colapinto. O mais aclamado dos estreantes já apresentou diversos cartões de visitas e seu surfe inovador e imprevisível já andou impressionando muita gente, e principalmente aos juízes. O terceiro na Gold e o quinto em Keramas o deixam de certa forma tranquilo para seguir despreocupado em se manter entre os top 22 e focar apenas em seguir nos surpreendendo.

Mas quem surpreendeu muita gente ao redor do mundo foi o cearense Michael Rodrigues. De desconhecido a estrela do Tour em questão de meses, Michael mostrou ao que veio logo na primeira etapa com apresentações de alto nível nas ondas de Snapper Rocks. Caiu de produção em Bells, terminando com a décima terceira colocação, mas voltou a reagir no Brasil com o quinto lugar. E assim segue de altos e baixos, mas uma coisa é certa: o brasileiro chegou para ficar.

E liderando essa corrida pelo título de estreante da temporada está o incansável Willian Cardoso. Aos 32 anos de idade e talvez o surfista mais velho a estrear na elite, o catarinense não perdeu nenhum evento de cara e na perna balinesa do Tour ele fez estragos. Depois de terminar em quinto em Keramas, Panda seguiu embalado para Uluwatu e com um surfe preciso, explosivo e de muita fluidez surpreendeu a todos com uma vitória improvável e a cômoda quinta colocação na briga pelo título mundial. Certamente isso lhe dará confiança e motivação o suficiente para seguir se superando e vivendo o sonho.

Com seis etapas a serem realizadas, a briga pelo título de estreante ainda segue indefinido, mas é certo que ainda veremos muitos capítulos dessa disputa que está apenas começando.

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