AGUARDE
24 março 2017

A delicada relação entre surfistas e tubarões

Apesar de os seres humanos não fazerem parte do cardápio como presas habituais, incidentes com tubarões são registrados, todos os anos, em diversos cantos do planeta

O medo de tubarões faz parte do imaginário e da cultura humana há séculos. O incidente no último domingo, durante a final de uma etapa do circuito mundial e ao vivo para todo o planeta, trouxe o assunto à tona novamente. O ícone do surfe Mick Fanning deu muita sorte e escapou ileso, mas com muitos outros o encontro com um tubarão terminou de maneira dolorosa e trágica. Recentemente Chris Blowes, de 26 anos, surfava em Fishery Bay, a 40 Km de Port Lincoln, no sul da Austrália, quando um enorme tubarão branco o atacou a 350m da praia. Blowes estava na água com outros 12 surfistas quando foi atacado pelo, segundo testemunhas, “monstro marítimo”. De acordo com a mídia local, ele sofreu algumas mordidas antes do animal arrancar parte de sua perna. O surfista foi parar, em estado grave, na UTI.

Chris Blowes, de 26 anos, atacado em Fishery Bay durante uma sessão de surfe.

Em abril de 2015, uma promessa do surfe francês morreu atacado por um tubarão. Com apenas 13 anos de idade, Elio Canestri estava surfando com mais sete colegas em uma área proibida para banhistas na Ilha Reunião, território francês no Oceano Índico, quando foi arrancado de sua prancha e mordido na região do estômago, tendo seus braços e pernas arrancadas antes de ser levado pro fundo do mar pelo animal. Após ser resgatado por um barco, Elio não suportou as graves lesões e morreu no local.

A promessa do surfe francês não resistiu ao ataque e morreu na hora.

No Brasil, os ataques acontecem principalmente no litoral do Recife, em Pernambuco. Desde 1992, 60 vítimas ja foram registradas. Segundo as estatísticas oficiais, 32 eram surfistas e 28 banhistas. Em junho de 2013, a turista paulista Bruna Gobbi, de 18 anos foi mordida na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela chegou a ser socorrida, teve parte da perna amputada, mas acabou morrendo no hospital.Imagens mostram o momento extao em que a estudante Bruna Gobbi foi atacada:
 

 A violência súbita de um ataque de tubarão é realmente uma experiência terrível, tornando essas criaturas verdadeiros protagonistas de um pesadelo. Mas será que os tubarões são mesmo esses vilões sedentos por carne humana? Errado. Não há nenhuma evidência que indique que os tubarões desenvolveram um gosto por carne humana. Mesmo se uma série de ataques ocorre em uma área, provavelmente diferentes tubarões são responsáveis por isso, porque eles tendem a viajar grandes distâncias em um único dia.
 

Não há nenhuma evidência que indique que os tubarões desenvolveram um gosto por carne humana.

Em 90% dos casos, o que ocorre é um erro de identificação. Sim. Os tubarões acham que simplesmente somos alguma coisa que não somos. Como predadores no topo da cadeia alimentar do oceano, eles são feitos para caçar e comer grandes quantidades de carne. Sua dieta consiste em mamíferos marinhos, como focas, baleias, tartarugas e leões-marinhos. De fato, os humanos não fornecem carne com gordura suficiente para eles, que precisam de muita energia para movimentar seus corpos musculosos. Existe uma espécie de padrão seguido por esses bichos. Na maioria dos registros, o tubarão morde a vítima, para por alguns minutos, arrastando a vitima pela agua e sob a superfície, e depois a solta. É muito raro eles realmente devorarem um humano. O que acontece é que o tubarão confunde um ser humano com alguma coisa que ele geralmente come. Depois que ele sente o gosto, percebe que aquela não é a comida com a qual está acostumado e solta a pessoa. Talvez se enxergamos as coisas sob o ponto de vista do animal, podemos compreender melhor a confusão: Muitas vítimas de ataque são surfistas. Um tubarão nadando embaixo d`água vê grosseiramente um formato oval com braços e pernas pendentes remando ao longo da superfície. Isto cria uma grande semelhança com suas presas oficiais.Os ataques também ocorreram com freqüência quando humanos pescavam com arpões em águas oceânicas. Os tubarões são atraídos por sinais enviados por peixes mortos: o cheiro do sangue na água e os impulsos elétricos emitidos à medida que o peixe luta. Os tubarões detectam estes sinais através de um conjunto de "detectores" sob a pele de seu nariz. Assim que o tubarão chega ao local, ele pode se tornar agitado e agressivo na presença de tanta comida. Um tubarão faminto e excitado pode facilmente confundir um ser humano com sua presa usual. Existem casos nos quais os tubarões parecem atacar motivados pela agressão e não pela fome. O tubarão-branco não se comporta como foi mostrado no famoso filme de terror de Steven Spilberg, sendo, salvo raras excepções, o seu ataque ao ser humano devido a um erro de identificação. Os surfistas e mergulhadores, quando vestidos com roupas de neoprene, podem ser confundidos com focas, uma das presas habituais desta espécie.

Já o tubarão-touro, além do ataque por erro de identificação, podem considerar as suas vítimas como invasoras, dado ser muito territorialista. Mesmo que o ser humano não se aperceba, o tubarão pode se sentir acuado ou que a sua área territorial está a ser invadida pela presença humana.

Os ataques do tubarão-tigre estão normalmente relacionados com a sua caça às tartarugas marinhas, que se dirigem para a costa, de modo a se alimentarem e desovarem. O ataque ao homem pode ocorrer quando o tubarão, com a visão (sentido pouco desenvolvido no animal) contra ao sol, confunde os surfistas e banhistas com as tartarugas.

Tubarão-branco

Tubarão-tigre

Tubarão-touro

• não nade ao amanhecer ou ao anoitecer: os tubarões estão se alimentando ativamente nestes períodos. A visibilidade na água é menor, o que pode levar a mordidas equivocadas;• não nade em água turva: novamente, a pouca visibilidade aumenta as chances de um tubarão confundir você com uma presa• não nade com cortes abertos: mesmo uma pequena quantidade de sangue na água pode atrair tubarões a quilômetros de distância. Alguns especialistas recomendam que mulheres menstruadas também evitem nadar no oceano• evite bancos de areia, montes marinhos e declives: a vida selvagem marinha tende a se reunir nestas áreas, incluindo muitos peixes que são presas naturais do tubarão. Geralmente os tubarões não estão muito longe;• não nade quando uma presa natural do tubarão estiver presente em grande número: se você estiver nadando perto de mamíferos marinhos ou outras espécies que são presas de tubarão• não se debata na água: faça movimentos suaves e calmos. Bater braços e pernas de maneira agitada lembra um peixe ferido para um tubarão. O nado "cachorrinho" também pode atrair tubarões;• não pense que você está seguro simplesmente porque a água é rasa: os ataques de tubarão podem ocorrer em águas com menos de 1 metro. Apesar de normalmente a atividade dos tubarões ser maior a algumas centenas de metros da costa, fique alerta se você estiver em águas rasas;• não deixe iscas de tubarão na água: grandes quantidades de peixe ou sangue de animal atrairão tubarões famintos. Se você estiver pescando enquanto permanece no oceano, mantenha sua isca fora da água até usá-la e - não pare em um local por muito tempo;• não nade se houver tubarões na água: esta é a maneira mais óbvia de evitar tubarões. Se souber que eles estão por perto, fique fora da água.

 

Estas dicas não são infalíveis. Existem inúmeras circunstâncias nas quais os tubarões atacaram desafiando todos os padrões de ataque. A melhor dica é estar alerta e sempre nadar, mergulhar ou surfar com um parceiro. Alguns ataques não podem ser evitados, mas ter alguém por perto para pedir ajuda pode salvar a sua vida.

 

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