AGUARDE
29 julho 2015

A incrível história de Carlos Kill

Nem mesmo um acidente que o deixou com algumas restrições físicas foi capaz de afasta-lo de seu amor, o surfe

O surfista Carlos Kill, que perdeu o movimento das pernas desde que sofreu um acidente de carro em 2003, superou os próprios limites, voltou ao mar alguns anos depois e já se tornou campeão brasileiro de surfe adaptado. A sua última aventura foi realizar o sonho de voar de parapentes, no Espírito Santo, usando a sua cadeira de rodas.
Atualmente com 34 anos, Carlos mora com a esposa e próximo à família. Em casa, faz exercícios funcionais para manter o fortalecimento. Nos fins de semana, seu destino é a praia de Solemar, em Jacaraípe, onde passa horas surfando.

O difícil foi saber que tinha nascido um outro Carlos Kiill.

- Carlos, como foi seu processo de adaptação depois do acidente?

Eu já surfava antes de sofrer o acidente, inclusive me acidentei indo para o surfe. Levei bastante tempo para me recuperar, passei por uma fase de depressão e tentei tirar várias vezes minha própria vida. Mas eu sempre tive muita vontade de vencer a deficiência e de voltar a surfar. No começo, eu fui apresentado a Escola de Surf “Moulin Surf School”, aqui do meu Estado, e no começo eu tive ajuda de um instrutor, que ia sempre deitado comigo no pranchão, até porque eu não tinha resistência nos braços.

A partir daí eles foram me soltando aos poucos, comecei a surfar ondas pequenas sozinho e fui me adaptando. No começo eu usava um pranchão com alças para segurar, minhas pernas eu prendia com um strep para não saírem da prancha.

Hoje eu já surfo com uma prancha um pouco menor mas sem adaptações, na verdade eu me adapto à prancha.

- Qual foi sua maior dificuldade depois do acidente?

Foi lidar com a paraplegia. Eu não me aceitava, tinha muitos problemas de saúde. Uma pessoa que usa cadeiras de roda deve ter diversos cuidados, entre eles a pele, porque é muito complicada a cicatrização. As coisas passam a ter horário fixo, isso foi muito complicado acostumar. Fora que eu tinha que saber que tinha nascido um outro Carlos Kiill.

No entanto, depois que eu me cuidei resolvi viver e não ficar escravo da depressão. As coisas foram mudando, conheci pessoas que me colocaram nos lugares certos para que eu pudesse voltar ao meu principal objetivo que era surfar.

- O que motivou você a voltar para o surfe?

A paixão que eu tenho pelo mar, pela sensação de dropar uma onda, é mágica. Hoje eu preciso surfar para viver bem, sem o surfe nada funciona, é tipo um casamento (risos).

Carlos em sua praia preferida: Solemar, Jacaraípe.

Carlos em sua praia preferida: Solemar, Jacaraípe.

- Você é campeão brasileiro de surfe adaptado. Como é a sua rotina de treinamento?

Eu geralmente costumo surfar nos finais de semana. Durante a semana eu faço um treino diário de fortalecimento dos braços para ter mais resistência. Me alimento bem também, como bastante carboidrato, faço treinamento caseiro com barra, flexão.

Carlos kiill foi campeão brasileiro de surfe adaptado nas águas da Barra da Tijuca (RJ).

Carlos kiill foi campeão brasileiro de surfe adaptado nas águas da Barra da Tijuca (RJ).


Eu curto mesmo os esportes radicais, que te fazem sentir aquela adrenalina.

- Está para sair um documentário sobre a sua vida. Você pode falar um pouco sobre ele?

Sim, o documentário se chama “Paixão e Superação” e conta um pouco sobre minha história. Dirigido por Roberto Cardoso o filme gira em torno da minha evolucão no surfe e na minha adaptação. Terão depoimentos de amigos, do meu instrutor de surfe

- Além do surfe, que outros esportes te atraem?

Eu sempre fui louco para saltar de paraquedas, e cheguei perto disso quando tive o gostinho de voar de parapente. Foi uma experiência única; só se compara ao dia em que voltei a surfar, depois do acidente.

Me amarro muito em skate também, já andei muito. Hoje em dia não dá mais, mas sempre acompanho a galera. Já pratiquei natação também, mas curto mesmo os esportes radicais, que te fazem sentir a adrenalina.

Sentimento único ao voar de parapente.

Sentimento único ao voar de parapente.

- Quem é sua inspiração?

É um cara chamado Jesse Billauer. Ele é tetraplégico e quando estava em depressão assisti a um filme de surfe com ele e me incentivei a voltar a surfar. Além dele tem o Marcos Sifu, que além de um amigo, é uma pessoa maravilhosa. Bruce Irons, Raoni Monteiro e Kelly Slater também são referências, mas o Jesse Millauer foi um cara que me emocionou e me motivou a voltar para o surfe.

- Mensagem de encorajamento para outras pessoas:

As dificuldades não importam. Se você tem um sonho não desista; insista e faça com amor porque a vida é muito curta.

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