AGUARDE
26 agosto 2016

A luta continua…

Mesmo sem patrocínio principal Nathalie Martins participa de competições internacionais e sonha com a elite

O surfe feminino brasileiro está enfrentando uma crise que parece não ter fim. Há quatro anos sem um circuito profissional regular a maioria das competidoras estão sem patrocínio e Nathalie Martins é uma delas. Durante o período sem eventos no país a paranaense se dedicou a faculdade de Gestão Ambiental, sofreu algumas lesões, ficou sem surfar por um tempo, mas amor pelo esporte e pelas competições falou mais alto e ela está de volta. Nesta sexta-feira, após encerrar a sua participação no QS 1.500 de Anglet (FRA) em 9º lugar, ela conversou com a repórter Érica Prado por e-mail.

Nathalie Martins decolando / Foto: Tony Fleury

Gestão Ambiental Fiz faculdade de Gestão Ambiental e sempre trabalhei na área, tive a oportunidade de fazer estágios. Depois de formada trabalhei numa ONG com Educação Ambiental, com uma equipe maravilhosa e foi muito bacana essa experiência. Foi muito bom trocar conhecimentos, aprender com as outras pessoas, mas chegou a um ponto que eu queria voltar para o surfe e aí resolvi sair do emprego. Comecei a trabalhar na praia e voltei a surfar com freqüência. As coisas fluíram e agora estou de volta ao mundo da competição. Tiveram muitas fases melhores na minha vida como surfista e eu não tive oportunidade de viajar pra fora, competir e agora as coisas estão acontecendo. Estou muito feliz com tudo! Crise do surfe feminino brasileiro Tá bem complicada, mas acho que o primeiro passo foi dado. A galera se juntou e deu pra ver que tem muita menina interessada em mudar essa história. Acho que faltou uma organização do coletivo e começar a agir. Rolaram vários debates de meninas de todo Brasil e acho que pela distância as coisas acabaram não acontecendo, mas acho que de repente agora nesse novo encontro na etapa do Brasileiro em Ubatuba as meninas consigam reunir e conversar mais de perto para se organizar, definir os interesses, realizar projetos e colocar em prática. Acho que agora é o momento, o surfe virou e esporte olímpico então tem muita coisa que pode ser feita para melhorar essa situação. Nathalie foi a primeira surfista a acertar um aéreo durante uma bateria do Petrobras de Surfe Feminino 2006. Relembre:

Retorno às competições sem patrocínio Foi natural, eu tinha saído do meu trabalho no verão e em março confirmaram a realização de uma etapa do QS na Bahia. Eu fui aos trancos e barracos e fiz um bom resultado lá, depois disso as coisas foram acontecendo. Algumas pessoas resolveram me ajudar e me deram oportunidade de competir umas etapas fora do país. Fui pra El Salvador, agora estou na Europa graças aos meus amigos, a pequenos empresários, meu shaper, a Momento Surfe Brasil Também fiz algumas rifas e recebi apoio de pessoas de todo Brasil. Briga por vaga no CT Eu não tenho a pretensão de me classificar para o CT esse ano. Meu objetivo pra essa temporada é fazer uns pontos, terminar bem no ranking e ano que vem ficar mais tranquila para correr todas as etapas do QS, não ficar dependendo de vaga, entrar uma fase mais na frente, que já ganha um dinheiro. Mas é um sonho entrar para o CT e é por isso que estou competindo, mas para participar de todas as provas do QS eu preciso fechar um patrocínio principal.

Nathalie foi vice-campeã do QS 1.500 na Bahia

Próximas etapas do QS Vou para Espanha na semana que vem, devo ir para Chile e Costa Rica. Por enquanto descarto as etapas da Austrália e do Japão pelo fato de ser longe e muito caro. E estou na expectativa da confirmação de outras etapas no Brasil. Brasileiro de Surfe Feminino em Ubatuba Esse evento é super especial, no passado foi demais. O Wiggolly Dantas mandou muito bem, eu sou muito grata a ele por essa oportunidade da gente poder competir uma etapa do brasileiro num lugar super bacana, onde você pode ver várias categorias rolando, com as meninas mais novas. Estou muito feliz e queria parabenizar a ele e toda família que faz esse campeonato acontecer. Ano passado eu acabei perdendo na primeira fase, espero que esse ano eu consiga soltar meu surfe, acho que eu estou mais preparada.

Capa da Fluir Girls de 2003

Foto da capa: Vinicius Araujo/ Mágica Surf

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