AGUARDE
12 julho 2016

Ademar Luquinhas e a Ademáfia

Ademar é, sem dúvidas, o maior movimentador do cenário do skate carioca na atualidade. Com uma câmera na mão, um sorriso no rosto e mil idéias na cabeça, o garoto nascido e criado na comunidade de Santo Amaro, na zona sul do Rio de Janeiro, faz e acontece usando as 4 rodinhas para ganhar o mundo. Em entrevista ao Woohoo, o garoto contou um pouquinho de como tudo começou e falou dos seus próximos projetos.

Ademar é, sem dúvidas, o maior movimentador do cenário do skate carioca na atualidade. Com uma câmera na mão, um sorriso no rosto e mil idéias na cabeça, o garoto nascido e criado na comunidade de Santo Amaro, na zona sul do Rio de Janeiro, faz e acontece usando as 4 rodinhas para ganhar o mundo. Em entrevista ao Woohoo, o garoto contou um pouquinho de como tudo começou e falou dos seus próximos projetos.


Virou herói

"Eu fui para Belo Horizonte cobrir o lançamento do show de uns amigos meus do Catete e aproveitei pra filmar a galera local. Aí eu tava lá na praça do centro filmando, daqui a pouco passa um cara gritando "Ladrão" e pedindo socorro. A câmera tava na minha mão e eu filmo tudo que acontece, ai fui chegando perto do cara, vi que ele tava desarmado e fui tentar recuperar. Consegui derrubar ele, segurar ele, recuperamos e devolvemos pra mulher. Ai soltamos o vídeo disso tudo na internet e a “parada” viralizou. Virei herói da noite pro dia. Eu tava na rua esses dias, ai tinha um cara vendendo bala que me olhou e falou “ Você que é o skatista que pegou o ladrão?” rs."

 

Gerador de conteúdo

"Quando eu passei pra categoria amador, comecei a andar com um pessoal mais maduro, mais velho assim, e já tinha esse universo das revistas e dos vídeos e daí eu comecei a conhecer e achei mais maneiro, porque era uma coisa mais sólida, mais concreta. Ai eu decidi que ia ficar mais devagar nos campeonatos, que ia andar na rua e a “parada” aconteceu naturalmente.
A gente ficava meio na dependência das mídias que já existiam. Eu já tinha patrocínio e tudo mais, e precisava de visibilidade, precisava gerar um conteúdo. Na época os fotógrafos daqui estavam todos ocupados, videomaker quase não tinha, então eu resolvi comprar uma câmera. Na época, o meu amigo Duca, o cara que me botou pra andar de skate, estava nos Estados Unidos, e eu pedi pra ele trazer uma câmera e um computador pra eu editar. Aí ele trouxe, eu paguei ele à prestação, e a partir desse momento já peguei a câmera, dois dias depois eu já tinha feito um videozinho e tinha colocado minha página no facebook. Eu já tinha uma manha porque eu assistia. Eram edições bem básicas mas eu comecei a gerar meu próprio conteúdo né, e ai depois foi evoluindo."

Eu acredito no skate como ferramenta transformção social.


O Ademar skatista

"Eu tava andando de skate direto e comecei a filmar, fiquei uns dois anos filmando só performance mesmo, atrás do skate. Às vezes você demora 2 horas pra gravar uma linha só que o cara acertou, então eu acabei me desgastando muito. Eu tava andando de skate, forçando muito e filmando. Aí eu tive uma tendinite no joelho e eu resolvi parar de andar de skate um pouco. Nisso passaram 6, 7 meses, e nada de parar de doer. Foi quando eu procurei um medico e descobri que não precisava operar, só fazer o fortalecimento. Consegui um apoio de um treino funcional e já começou a dar resultado. Mas eu quero estar 100% pra poder voltar mesmo e lançar uma videopart na internet. As vezes eu solto umas paradinhas assim , fica todo mundo felizão, comentando, compartilhando. É irado. "
 

Quando eu tive contato com o skate, eu tive contato com um mundo bem maior.

Baile do Ademar

"Eu comecei a andar de skate e já um ano depois eu já tava indo pra escola e era o moleque que se vestia diferente de todo mundo, tinhas os amigos diferentes de todo o mundo e escutava música que ninguém escutava. Eu conheci musica desde cedo por causa dos campeonatos e eu ia direto pra São Paulo e lá tinha sempre muita festa de Hip Hop e Rap, eu gostava muito, aqui eu sentia muita falta, não tinha nada disso.
Um dia eu resolvi fazer uma festa de aniversário, foi a maior galera pro meu aniversário, as músicas foram iradas. Foi uma festa de rap da galera do skate e funk que era da minha comunidade. Todo mundo gostou muito e começaram a chamar de “ Baile do Ademar". Ai eu achei irado, e tentei fazer com mais frequência. No outro ano eu já lancei na Praia do Flamengo, ai depois comecei a lançar na praça XV, e isso já tem 7 anos. Nas primeiras festas a gente tinha 50 pessoas na praça XV. Na última que a gente fez agora tinham 10.000 pessoas. A parada tá crescendo e estamos levando a festa pra BH, Curitiba e queremos levar pra todo o Brasil agora."

A Máfia do Bem

"Eu pensei em retribuir tanto pro skate, que me deu tantas oportunidades, quanto pra comunidade de onde eu vim, construindo uma pista de skate pra começar um projeto lá. A idéia é usar o skate como porta pra todas as outras ferramentas que hoje a gente tem. Aí estamos nessa luta aí, conseguimos o espaço e estamos agora tentando verba pra construir. Tem muita gente querendo trabalhar e muita gente querendo retribuir, juntos vamos conseguir mudar um pouco da realidade ali da favela. Foi o que aconteceu comigo, quando eu tive contato com o skate, eu tive contato com um mundo bem maior e eu tenho vontade de retribuir isso e acredito no skate como ferramenta transformção social."

Ademar acredita no skate como ferramenta transformção social.

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