AGUARDE
10 junho 2016

Águas do Rio de Janeiro pedem socorro

Além do esgoto e do lixo, a presença de uma superbactéria em algumas praias do Rio assusta a todos

Não é de hoje que a água das praias, das bacias e lagoas do Rio de Janeiro sofre com a poluição desenfreada. A falta de saneamento do esgoto sanitário só ajudou a piorar o quadro que já se encontrava caótico, visto que a qualidade da água deixa a desejar boa parte do tempo. Recentemente, o jornal O Globo publicou uma matéria divulgando a existência de uma superbactéria nas praias da Zona Sul da cidade. Mas o que mais assusta é que as amostras são de 2014. A pesquisa da Universide Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que só terminou no fim de maio de 2016, alerta para a presença da superbactéria Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC) não só na época da coleta, mas sim, até os dias de hoje.

A taxa média de Unidades Formadores de Colônias (UFC) na Praia de Botafogo foi de 1.091 a cada 100 mL de água. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A taxa média de Unidades Formadores de Colônias (UFC) na Praia de Botafogo foi de 1.091 a cada 100 mL de água. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

As praias que possuem a presença da superbactéria são: Flamengo, Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon. A cada duas semanas, o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) publica o boletim de balneabilidade das águas do Rio - aquele que a gente fica sabendo quais são as praias próprias e/ou impróprias para banho. E para a nossa surpresa, de acordo com o último boletim divulgado (04/06), a única reprovada foi a de Botafogo. As outras quatro estavam próprias para banho.

Mas o que é a superbactéria KPC?

A Klebsiella pneumoniae Carbapenemase é um microorganismo que foi modificado geneticamente no ambiente hospitalar e é resistente aos antibióticos. Elas produzem uma enzima chamada KPC que impede o efeito dos remédios sobre elas. Em algumas pessoas, podem provocar infecções pulmonares e urinárias e até levar à morte.

Tartaruga aparece morta na Baía de Guanabara. (Foto: Onofre Veras/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

Tartaruga aparece morta na Baía de Guanabara. (Foto: Onofre Veras/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

 

 


Uma cidade que tem em parte do seu nome Rio (Rio de Janeiro) transformou toda a sua bacia hidrográfica num grande valão de lixo e esgoto, afirma Mario Moscatelli


A POPULAÇÃO DIZ “CHEGA”!

Na manhã do dia 4 de junho, um dia antes da comemoração mundial do Meio Ambiente, diversas pessoas marcaram presença no Canal do Quebra-Mar, na Barra Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a fim de protestar contra a poluição e o descaso das autoridades públicas. A nossa repórter Carol Guimarães foi até lá, junto com o cinegrafista Gabriel Rios, e entrevistou o biólogo e ativista ambiental, Mario Moscatelli.

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