AGUARDE
13 janeiro 2016

Bino Lopes solta o verbo

Campeão brasileiro de surfe profissional de 2015 comenta trajetória vitoriosa e revela seu maior sonho

Em meio a festa da conquista do título mundial de Adriano de Souza, Bino Lopes escreveu seu nome na história do circuito nacional. O surfista de 28 anos quebrou o jejum 23 anos e se tornou o segundo baiano a levantar o caneco de campeão brasileiro, o primeiro foi Jojó de Olivença em 1988 e 1992. O título foi conquistado na etapa decisiva do circuito na praia dos Molhes em Torres, Rio Grande do Sul. Por telefone, Bino conversou com a repórter Érica Prado. Confira a entrevista abaixo.

Torres 2015 - Foto: Harleyson Almeida/ AST

Em 2015 você quebrou o jejum baiano no circuito brasileiro de surfe profissional. Qual é a importância desse título pra você?

O título brasileiro é algo muito importante para mim, pois se trata de um circuito onde integram excelentes atletas do Brasil inteiro, o ranking consta com mais de 100 atletas e ser o número 1 me dá uma motivação extra para conquistar outros objetivos. Além disso, trazer esse troféu de volta para meu estado é um orgulho pra mim, me sinto muito feliz com isso.

O circuito brasileiro de surfe profissional de 2015 contou com 5 grandes etapas, as 4 do Super Surf e o AST PRO. Qual foi a mais marcante? Por que?

A etapa mais marcante pra mim foi sem dúvida a da Joaca. Sempre quis vencer lá, por se tratar de uns do palcos mais famosos do surfe no Brasil. Vencer na Joaca foi a realização de um sonho.

Super Surf Florianópolis (SC)

Você destacaria uma bateria que você entrou com medo de perder e acabou dominando?

Bateria de surfe é muito imprevisível , você não tem muitas oportunidades em 25 - 30 min, então a confiança é um trunfo muito importante. Tive medo de perder em duas baterias na etapa de Torres, a primeira foi com o Iagê Araujo nas oitavas, e a segunda, foi com David do Carmo, nas quartas. Eu senti um pouco a pressão, principalmente contra o David, pois se eu passasse eu era o campeão e também sabia que se não passasse existiriam grandes chances do William, Marco e Charlie me passarem no ranking. Ainda bem que consegui segurar a pressão e avançar essas duas baterias decisivas.

O que você achou da redução do número de competidores no circuito de elite do surfe nacional? Em 2015 eram 160 por etapa e em 2016 serão 96 por prova.

Acho que o circuito com 96 atletas fica um circuito bacana. Principalmente pelo fato da comissão técnica ter mais tempo para escolher as melhores condições de surfe. Acho que para 2016, 96 atletas é um número justo.

Na etapa decisiva do circuito brasileiro você faturou o título da temporada e seu conterrâneo Marco Fernandez venceu a etapa, o que mostra a força do surfe baiano, mas isso não reflete no circuito da elite do surfe mundial. Dos 10 atletas que representarão o Brasil no CT 2016, 7 são do estado de São Paulo, 2 são do Rio Grande do Norte e um é de Santa Catarina. O que você acha que falta para a Bahia voltar a ter um representante no circuito dos sonhos?

A Bahia tem um litoral imenso, com excelente qualidade para o surfe, mas infelizmente o surfe aqui não tem o apoio necessário por parte dos governantes. A cultura da Bahia é voltada para outras coisas. É uma pena, pois vejo inúmeros atletas talentosos que não tem a menor estrutura e que terminam se perdendo. É o tipo de coisa que não consigo entender. Espero que eu e o Marco consigamos mudar isso, somos surfistas de alma e amamos competir, prova disso é a 1ª e 2ª colocação no ranking brasileiro. A cada ano estamos melhores no circuito mundial, acho que em breve, iremos encabeçar a elite do surfe mundial.

Explica pra gente como surgiu a expressão “Acarajé Storm”?

Acarajé Storm surgiu de uma brincadeira da galera logo depois que conseguimos 1ª e 2ª colocação no ranking nacional. Parece que a galera gostou (risos).

Qual é o seu objetivo para essa temporada?

Meu objetivo é me classificar para elite do surfe mundial.

Como é a sua rotina de treino?

Tenho uma equipe multidisciplinar que me dá toda condição para eu me manter forte paras as viagens e competições. Treino diariamente na água e a parte física 4 vezes na semana, com meus técnicos: Adson Mauricio, Ricardo Lobão e Fabão.

 

Bino Lopes - Angle (FRA) 2015

Ping Pong

Nome Completo: Bernardo Schlaepfer Lopes

Cidade Natal: Salvador, Bahia

Idade: 28

Tempo de surfe: 18 anos

Manobra favorita: Tubo

Ídolo no esporte: Adriano de Souza e Kelly Slater

Ídolos na vida: meu pai e minha mãe

Fora o surfe, o que mais curte fazer: Curtir com minha família e amigos

Se não fosse surfista seria: jogador de futebol ou lutador

Som preferido: Rock, rap, MPB

Prato predileto: Feijoada, churrasco e cozido

Uma mulher bonita: Minha mãe

Um lugar inesquecível: Cacimba do padre Noronha

Um lugar que gostaria de conhecer: Algum lugar irado pra fazer snowboard. De repente, Vale Nevado Chile

Maior sonho: atualmente entrar para elite do surfe mundial

Instagram: @binolopess

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