AGUARDE
17 julho 2019

Camilla Farias traz novas e singelas cores para o mundo

Camilla Farias lança seu primeiro disco e exibe a beleza do seu potente DNA

Não parece um disco de estreia, parece um disco de carreira, de quem tem muitos anos de estrada. Foi essa a impressão que tive ao travar contato com o primeiro trabalho de Camilla Farias. Grande parte dessa impressão acredito que seja responsabilidade da mão "pesada"do excelente e veterano produtor, maestro e arranjador Zé Américo Bastos, que desde o início dos anos 80 vem prestando bons serviços à música popular brasileira. Mas isso que poderia talvez aprisionar a intenção de Camilla, fez o inverso: emoldurou todo o conceito do disco e deu a ele uma unidade fantástica. A faixa de abertura, "Para o mundo colorir", sub-título do álbum, já deixa claro qual a régua e qual o compasso utilizado por Camilla e muito bem direcionado e executado por Zé. "O que eu quero pra você, é o mesmo que pra mim, o desejo de poder ser feliz por existir." Já "Nave mãe" tem a iluminada presença de Elba Ramalho, antiga parceira de Zé Américo, que mergulha lindamente com Camilla  num petardo composto por seu avô, Vital Farias, nome também importante na discografia de Elba. O arranjo trouxe novas nuances a canção e deixou muito claro que há entre as duas legado e reverência, afeto e disponibilidade, e tudo isso fica muito patente na faixa. Muito delicado e ao mesmo tempo intenso.

Outra participação iluminada em mais uma compoisção do genial avô é a de Marcelo Jeneci que empresta sua voz e seu acordeão aos belíssimos versos e melodia de "Poema verdade".  Das 10 músicas do disco, 5 foram escritas por Camilla e além das faixas título, "Singeleza" e "Para o mundo colorir", "Nó" também traz o acordeon como protagonista e uma letra que propõe questionamentos atemporais sobre a dor. Como se não bastasse tudo que já foi dito, a regravação de "Ave cigana" (Zé Américo Bastos e Salgado Maranhão) , lançada por Elba Ramalho em 1983, traz pra o disco uma reverência a Dominguinhos, que registrou essa canção em 2005.

Camilla Farias entregou para o mundo um disco de música brasileira, legítimo, maduro, com muitas referências mas apontando pra frente. Vale a pena, vai lá e confere em todas as plataforma digitais.

 

Fotos: Helena Cooper 

Arte: Leonora Weissman

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