AGUARDE
21 outubro 2014

CLARABOIA

O primeiro e único livro póstumo de José Saramago

Só nesta semana comecei a leitura do livro CLARABOIA de José Saramago, lançado em 2012, e confesso: Estou amando cada detalhe. As páginas são recheadas de frases lindas, as quais eu sublinho encantada! O livro foi lançado pelos familiares do autor cerca de um ano após a sua morte, a explicação do vital atraso vem na orelha do livro: No início da década de 1950, José Saramago já não era um nome totalmente desconhecido na cena literária portuguesa. Aos trinta anos, o futuro vencedor do prêmio Nobel publicara um romance - Terra do pecado (1947) -, e alguns de seus contos haviam saído em jornais e revistas de Lisboa, às vezes assinados com o pseudônimo “Honorato”. Saramago, ex-serralheiro mecânico e então um modesto funcionário da previdência social, também possuía diversos poemas e peças de teatro entre seus inéditos. Até 1953, o escritor iniciaria a redação de mais quatro romances, que ficaram inacabados. Em 5 de janeiro daquele ano “Honorato” finalizava o datiloscrito de um livro de mais de trezentas páginas. O novo romance, em seguida encaminhado para publicação a uma editora lisboeta por intermédio de um amigo jornalista, acabaria esquecido no fundo de uma gaveta. O original nunca foi devolvido ao seu autor, que também não recebera resposta alguma. Na década de 1980, o já consagrado José Saramago era contactado pela mesma editora para publicar Claraboia. A mágoa pela falta de resposta na juventude levou-o a declarar que não desejaria ver o romance editado em vida, deixando para seus herdeiros a decisão sobre o que fazer com o livro. Após seu desaparecimento, as inquestionáveis qualidades do romance, construído com perfeito domínio do espaço narrativo, justificam plenamente a opção de trazê-lo a público. Mais leve e mastigado do que Ensaio Sobre A Cegueira, mas tão profundo quanto, Claraboia também retrata o ser humano sem semblantes. Se você, assim como eu, adora histórias simples e humanas com belas narrativas, não pode deixar de ler esse romance de Saramago.

SINOPSE: Primavera de 1952. Um prédio de seis apartamentos numa rua modesta de Lisboa é o cenário principal das histórias simultâneas que compõem este romance da juventude de José Saramago. Os dramas cotidianos dos moradores — donas de casa, funcionários remediados, trabalhadores manuais — tecem uma trama multifacetada, repleta de elementos do consagrado estilo da maturidade do escritor, em especial a maestria dos diálogos e o poder de observação psicológica. As janelas, paredes e corredores do ve-lho edifício lisboeta são testemunhas pri-vilegiadas das pequenas tragédias e co-mé-dias representadas pelos personagens. As peripécias de Lídia, uma bela mulher sustentada pelo amante misterioso, e Abel, um jovem outsider à procura de um sentido para a vida, se contrapõem ao árduo cotidiano dos outros moradores. As narrativas paralelas do livro são organizadas segundo as divisões internas do prédio, do térreo ao segundo andar.

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