AGUARDE
24 março 2016

Clarice Falcão decola em vôos mais altos em seu segundo disco

“Problema Meu” tem rock, fanfarra, brega, balada e foxtrote

Rainha do youtube, musa dos descolados, atriz, escritora, compositora, instrumentista, roteirista, enfim, temos várias designações para adjetivar Clarice Falcão, mas hoje vamos nos ater ao seu novo disco: “Problema meu”. Desde seu EP, antecessor do álbum de estreia “Monomania”, a bela pernambucana amealhou uma gigantesca corrente de fãs com seus vídeos no youtube, onde suas músicas eram postadas frequentemente. As canções expunham angústias, histerias e complicações sentimentais que sempre remetiam a imagens bem definidas, como se cada uma delas tivesse uma própria força cênica, que por vezes se impunha a própria melodia da canção.

Agora com seu segundo disco, temos uma grande novidade com nome, sobrenome e CPF que reverteu drasticamente esse quadro: Kassin, o produtor do trabalho, que convocou o talentosíssimo Diogo Straus para assumir a guitarra, o baixo e o violão, além de Danilo Andrade que se encarregou dos teclados. Integrante da Banda do Mar, Fred Ferreira ficou com a bateria e o arranjo dos metais que preenchem quase todo o disco foram escritos por Alberto Continentino. Resumindo: músico bom foi o que não faltou e o resultado não poderia ficar aquém desse time. Tem rock, fanfarra, brega, balada, foxtrote, enfim, uma gigantesca gama de possibilidades que ampliou o leque musical, mas não corrompeu o estilo e a narração de Clarice.

Os conflitos ainda estão lá, as histórias, as tensões, os papéis de trouxa, mas agora preenchidos por uma massa sonora de muita qualidade. O videoclipe que puxa o trabalho e já se encontra em alta rotação na internet – Irônico – já dá uma bela prova desse up grade musical. A faixa começa com um clima dance music, vira uma fanfarra, com direito a sensação de coreto de praça, e volta pro pop. Em cima disso, Clarice relata o quanto o cara se engana ao achar que aquilo que ela diz sentir por ele é verdade (“Eu gosto de você como quem gosta de um perfil do facebook com uma foto de casal...”).

Além da faixa de abertura, “Marta” traz a absurda história de uma troca de números de telefone com os metais em brasa e uma linha de baixo bem criativa. Já a balada “Se esse bar fechar”já é conhecida dos que acompanham as postagens de Clarice no Youtube, mas a versão moldada por Kassin é classuda, fazendo um contraponto com o fracasso absoluto da protagonista da canção. Uma pérola. O disco encerra com o auto retrato “Clarice”, onde a própria autora diz - “Essa música barata//Serve nem pra serenata//Não tem nem metáfora//E fora que é meio chata”. Mentira Clarice, sua música é incrível.

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