AGUARDE
30 janeiro 2017

Comandante da WSL pede para sair

Ajuste de rota ou apenas a troca de um piloto?

Não é preciso ter uma fonte dentro do sistema para saber que o CEO da Liga Mundial de Surfe até outro dia Mr. Paul Speaker abandonou o barco e Dirk Ziff, o cara da grana, chamou para si a responsabilidade de seguir navegando, até encontrar um executivo competente e disponível para a missão. O yankee usou a página da própria WSL para anunciar a saída do cargo. Na real, Speaker continua como sócio da “empresa” assim como Ziff, mas deixa a posição de comandante para cuidar da vida. Interinamente Ziff vai ocupar o espaço e planejar os próximos passos ao lado de uma equipe numerosa, credenciada e cara, baseada em Santa Monica, Califórnia, Estados Unidos, mas com escritórios estratégicos em Nova York, Huntington e Haleiwa (EUA), Cape Town (AFS), Hossegor (FRA), Coolangatta (AUS), Florianópolis (BRA) e Kanagawa (JAP).

Num comunicado protocolar e raso, Speaker enumerou suas conquistas nos 5 anos como líder no processo de mudança de uma Associação de surfistas, para uma entidade privada e declaradamente com fins lucrativos e colocou luz nas possibilidades de um futuro brilhante ($). Em sua conta ele creditou o aumento global da audiência dos eventos, números que jamais foram expostos com clareza, a evolução técnica e artística das transmissões ao vivo via internet (golaço!!!); a chegada de novos patrocinadores de fora da indústria do surfe: Samsung, Jeep, Corona, coisa que lá atrás a ASP já teve com parceiros como: Coca- Cola, BHP, Gunston, entre outros; a criação dos cargos de comissários, Kiren Perrow / Homens e Jessi Miley-Dyer / Mulheres (figuras para as pessoas botarem a culpa se algo der errado) e a equiparação das premiações entre as divisões masculino e feminino. A pequena lista de pérolas do futuro próximo inclui a utilização para eventos da recém adquirida Kelly Slater Wave Company e da entrada do esporte nas Olimpíadas, uma conquista pessoal do presidente da ISA e em teoria concorrente da WSL, Fernando Aguerre.

Para quem vê de longe as coisas vão muito bem. Os circuitos de elite estruturados, com grandes ídolos, belas transmissões, as batalhas de ondas grandes entrando em cena para encantar e atordoar até o mais cético dos leigos, os campeonatos do QS e os Jrs. Para realimentar o topo e o longboard como ponte entre o passado e futuro. Já para os mais atentos e iconoclastas de plantão a conta não fecha. Só os circuitos CT masculino e feminino juntos gastam cerca de 50 milhões de dólares, enquanto os contratos com as gigantes Samsung e Jeep somados não chegam a 10 milhões. Imaginem então se colocarmos no passivo da empresa os custos com folha de pagamento de todos seus escritórios, os incontáveis QSs pelo planeta, planos de aposentadoria dos surfistas (ops, esse item deveria estar na conta de realizações do Speaker), entre tantos outros compromissos. Esse resultado supostamente negativo nos leva a um dilema que existe desde a primeira transmissão feita pela ASP na grande rede mundial de computadores lá na longínqua primeira década do século XXI, cobrar ou não cobrar dos internautas para eles assistirem os campeonatos? Agora talvez a pergunta mais apropriada seja quanto cobrar? A temporada 2017 do CT já vai começar (14 de março na Gold Coast, AUS) e provavelmente não teremos essas respostas antes disso. Uma coisa é certa, de uma forma ou de outra, o show tem que continuar.

 

 

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