AGUARDE
06 fevereiro 2015

Crise da água ou de gestão?

O Brasil tem de 12% a 16% da água doce disponível na Terra, mas graças a incompetência dos nossos governantes o assunto do momento é racionamento.

Infelizmente no Brasil as medidas de prevenção são pouco usadas. Quando algum problema atinge a população, o governo recorre a ações paliativas. Pois é, e desta forma estamos diante da maior crise hídrica do país nos últimos 80 anos.

Os níveis dos rios estão cada vez mais baixos. Foto: Renato Cesar Pereira

Não é de hoje, que os especialistas alertam os governantes sobre a necessidade de se repensar o consumo de água no país, mas mexer em setores nos quais os eleitores ainda não estão convivendo com o problema não resulta em votos.

Em 2001, uma matéria da revista Super Interessante recorreu a técnicos de diferentes áreas para prever o futuro. Marcos Freitas, então diretor da Agência Nacional das Águas, disse que para ele, em 2015, a água pararia de ser gratuita e, em vez de pagarmos somente pelos serviços da companhia de água, pagaríamos pelo próprio líquido. O especialista também afirmou que, se um trabalho série e estruturado de despoluição fosse iniciado naquele ano, rios mortos como o Pinheiros, em São Paulo, e o Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, poderiam estar recuperados em 2015.

Vazamentos são comuns nas principais cidades do Brasil. Foto: uol.com.br

Agora não adianta lamentar o que aconteceu, precisamos economizar água no nosso dia a dia e principalmente cobrar dos governantes atitudes que visem o futuro da nação e não o momento. Porque a falta é de água, mas esse fenômeno afeta alimentação, transporte, energia, e outros muitos outros setores da economia.

O jornalista André Trigueiro escreveu em sua coluna no site G1, uma série de dicas para economia de água, que vale a pena compartilhar:Colete a água ensaboada da máquina de lavar em baldes grandes ou recipientes compatíveis com o grande volume que sai dali. Basta redirecionar a mangueira por onde sai essa água, que jogamos fora sem nos dar conta do volume e de sua conveniência. Se usar o tanque para lavar roupas, retire o sifão e estoque essa água. É possível reutilizá-la na lavagem de pisos e janelas, calçadas e carros, ou até mesmo no vaso sanitário.Ligar a máquina para lavar menos do que a carga máxima do equipamento é desperdício de água e energia. Programe-se para utilizar com inteligência toda a água demandada no processo de lavagem.Se for fazer xixi, experimente não dar descarga tão rápido. Tente fazer isso apenas no final do dia ou quando fizer o “nº 2?. Mantenha o vaso tampado (não haverá mau cheiro) e verifique como esse procedimento simples representa uma gigantesca redução no consumo de água. É bom lembrar que a água do vaso sanitário é potável, tem a mesma origem daquela que você bebe.Lavar o carro em períodos de grave estiagem é crime de lesa-cidade. Quanto pior a situação nos reservatórios, menos importante (ou urgente) se torna a vaidade de manter o automóvel brilhando às custas de preciosos litros de água. Se houver a necessidade imperiosa de fazê-lo, priorize os serviços que utilizam óleos e cremes especiais que dispensam a utilização de água no processo.Se o dono do posto provar que reutiliza a água tratada de esgoto ou aproveita a água de chuva para esse fim, tudo bem. Do contrário, você agravará o problema da estiagem por motivo torpe. Como se sabe, a água encanada que abastece os postos de gasolina é a mesma que você utiliza em casa. Não existe “ducha grátis”. Alguém sempre paga a conta. Em períodos de grave estiagem, a conta é alta para a coletividade.Fique de olho na previsão do tempo e prepare-se com inteligência para reforçar o arsenal de coleta de água de chuva (baldes, bacias, caixa de água específica para isso, etc.) para fins não nobres. Use essa água para tudo aquilo que sugerimos acima no reaproveitamento das águas ensaboadas. Com a água de chuva tem-se a vantagem adicional de regar o jardim ou lavar a louça. Quem puder, providencie desde já uma pequena obra para a instalação de uma cisterna que possa armazenar a água da chuva para sua própria comodidade. Mesmo nos períodos de normalidade (no que se refere à disponibilidade hídrica) a água de chuva permite uma drástica redução no giro do reloginho das companhias de abastecimento. Faz bem para o meio ambiente e para o seu bolso.É perfeitamente possível reduzir o tempo no banho sem nenhum prejuízo para a higiene pessoal. Se o banho é quente, e a água demora a aquecer, abra o chuveiro com o cuidado de posicionar um balde coletando a água fria até que a temperatura seja do seu agrado. É o que se faz, por exemplo, em países desérticos como Israel (que, diga-se de passagem, hoje tem mais água disponível que São Paulo). Depois do banho, use a água do balde para qualquer outro fim ou adicione ao seu estoque doméstico de Águas de Reuso. Durante o banho, depois de molhar o corpo, feche o chuveiro e comece a se ensaboar. Depois, se for o caso, passe também xampu. Abra o chuveiro para remover a espuma e fim de papo. Parece um suplício, mas é possível tomar um banho gostoso com muito menos água. Experimente, e, se possível, meça a economia.Que tal reduzir pela metade o consumo de água nas torneiras (cozinha, banheiros etc.) instalado redutores de vazão? Qualquer loja de material de construção tem essa peça pequenininha (preço não ultrapassa os R$ 30) que assegura uma economia gigante de água. No mais, tente lavar a louça sem deixar a torneira aberta o tempo todo. Existem várias técnicas interessantes que alcançam o mesmo objetivo. Tem até quem remova com folha de jornal a parte mais grossa das impurezas antes de usar água e detergente. veja o que lhe convém, considere o uso de menos água um saudável desafio.Não use a água para substituir o que uma boa vassourada dá conta. Se o uso da água for indispensável, verifique se a mangueira tem furos, use redutor de vazão, e não perca tempo (e água) insistindo em remover detritos explorando a força do jato. A chamada “vassoura hidráulica” é o maior pesadelo dos engenheiros das companhias de abastecimento.Viralize as boas práticas nas redes sociais, estimule a adoção dessas medidas em casa, no condomínio, no trabalho, no clube etc. Instrua, em particular, os dois mais importantes “gestores ambientais” das cidades: os porteiros e as empregadas domésticas. São eles que manipulam com mais intensidade a água tratada para múltiplos usos. Cidadania é atitude. Se cada um fizer a sua parte, essa crise passa mais rápido e de forma menos dolorosa. Mas a cobrança sobre as autoridades competentes não cessa. E quando os reservatórios alcançarem novamente o nível de conforto, a luta continua. E as medidas em favor do uso consciente da água também.

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