AGUARDE
02 agosto 2015

Das ruas para a GaleRIo

Novo espaço em Botafogo celebra a arte urbana carioca

 

A equipe do Woohoo foi conferir de perto esse novo ponto de encontro artístico e conversou com dois artistas que fazem parte da primeira mostra coletiva que invadiu a galeria. Nós mostramos um pouco do Davi Rezende e do Airá Ocrespo no Woohoo News, mas agora você pode saber mais dessa conversa.

Davi Rezende

Davi rezende

Davi rezende

Relação com arte: Desde novo eu sempre estive voltado para a arte. Eu me formei em design gráfico e eu sempre tive desejo de experimentar novos meios de arte e, numa dessas oportunidades, eu fiz um curso de grafite e conheci o Airá. Eu fui aprendendo e com diálogo e a amizade, eu fui mostrando meus trabalhos e o Airá foi me incentivando. O legal do grafite é isso. Nos outros meios tem muito ego artístico, já no grafite um ajuda ao outro, incentiva o outro.

Obras: A cadeira do carrinho foi uma das minhas primeiras obras. Tinham uns carrinhos lá no ferro-velho do meu pai e eu vi ali uma possibilidade. Fui tentando, desmontando aí surgiu a oportunidade. Já o orelhão, eu sempre imaginei que desse para fazer algo com ele. Aí eu consegui um e, como eu trabalho com fibra, fiquei pensando o que poderia fazer. A ideia surgiu e eu já fiz até a segunda geração, com mais ajustes. É isso, você pega uma coisa e vai experimentando, sofisticando, melhorando até chegar a uma conclusão.

Obra com orelhão (Foto: Daniel Candian/Mario Neto)

Obra com orelhão (Foto: Daniel Candian/Mario Neto)

GaleRio: Acho que é uma oportunidade de trazer esses novos artistas e artistas já conhecidos e fazer essa interação entre eles. Criar novas possibilidades, né?! O GaleRio e o Eixo Rio têm agenciado isso... Eles têm feito que pessoas com talentos, e que são esquecidas pela sociedade ou pelos olhos do público, consigam potencializar suas habilidades para que isso possa virar uma profissão.

O legal do grafite é isso. Nos outros meios tem muito ego artístico, já no grafite um ajuda ao outro, incentiva o outro.

Airá Ocrespo

Airá Ocrespo

Airá Ocrespo

Eixo Rio: O Eixo Rio surgiu com essa proposta: dar mais visibilidade para a galera da zona norte/zona oeste, que está fora do eixo centro-zona sul. A conquista do espaço acaba realmente democratizando, dando um espaço equânime para todos. Eu acho que o GaleRio cumpre esse papel, mas voltado para o mercado, porque o mercado da arte é uma coisa muito segregadora. Para invadir esse terreno é preciso ter um suporte e a casa cumpre muito bem isso!

Obras: Eu criei o Madame Satã porque ele é uma figura muito controversa. Ao mesmo tempo que ele era um rebelde, marginalizado pela sociedade, ele se tornou um ícone da cultura de rua ele era cultura de rua antes de existir esse conceito. Eu queria passar também a questão da aceitação. Apesar dele ser gay, marginal, ele é cultuado porque é um ícone. Nós estamos precisando ultrapassar essa barreira do preconceito, dos rótulos e nós, os artistas, podemos provocar isso.

Madame Satã (Foto: Daniel Candian/Mario Neto)

Madame Satã (Foto: Daniel Candian/Mario Neto)
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