AGUARDE
27 maio 2015

Destaques do Festival de Cannes em 2015

Confira a lista com os vencedores de um dos maiores prêmios do cinema internacional

Chegou ao fim o Festival de Cannes 2015! Além dos looks imprescindíveis que atravessaram o tapete vermelho, o júri comandado pelos irmãos Coen surpreendeu e deixou de lado filmes que estavam bastante cotados nos bastidores. Os prêmios foram entregues na tarde de domingo, 24 de maio, e estes foram os vencedores da 68º edição.


Palma de Ouro

O filme mais aclamado pelo público foi Dheepan, dirigido por Jacques Audiard, que deu a Palma de Ouro pela primeira vez ao cineasta francês. A história do filme gira em torno de um homem, uma mulher e uma menina, todos nascidos no Sri Lanka, que um dia recebem uma oportunidade de ouro: fingir que são outras pessoas e, assim, deixar a guerra, que acontece na cidade, rumo a uma vida mais pacífica na Europa. A questão central é que os três mal se conheciam neste momento e, para manter as aparências, precisam ao menos demonstrar ser uma família comum. Outro problema: apenas a garota sabe francês, os demais precisam aprender a língua. Bem atuado e com uma história de fundo social bastante relevante, Dheepan é um bom filme que encontra espaço no cenário político atual.

Dheepan ganhou a Palma de Ouro.

Dheepan ganhou a Palma de Ouro.


Grande Prêmio do Júri

A Segunda Guerra Mundial já foi abordada de diversas formas no cinema. Esta é a característica mais marcante de Saul Fia, filme Húngaro dirigido pelo estreante em longas László Nemes. A história é bem simples: um judeu trabalha em pleno campo de concentração do lado dos alemães. Ele carrega os corpos dos prisioneiros após passarem pelas câmaras de gás. Um dia, ao realizar o árduo trabalho diário, ele descobre que um garoto sobreviveu, mas não por muito tempo, já que um oficial alemão o executa logo em seguida. Bastante tenso em certos momentos, Saul Fia é o retrato de uma época triste para a humanindade, apresentado em primeira pessoa sob uma forma rígida. Ainda traz elementos bastante interessantes que o destacam neste imenso hall envolvendo os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

Géza Röhrig é intérprete do personagem principal.

Géza Röhrig é intérprete do personagem principal.


Melhor Direção

O taiwanês Hou Hsiao-Hsien recebeu o prêmio de melhor diretor da noite pelo filme The Assassin, sobre uma assassina chinesa da dinastia Tang. Protagonizada pela grande estrela do cinema de Taiwan Shu Qi, o filme é construído como uma série de quadros e se mantém afastado do gênero das artes marciais, ainda que elas estejam presentes e maravilhosamente coreografadas. Ambientado no século 9, o filme é visto como uma pintura antiga e difícil de ser entendido por uma visão ocidental.

Hou Hsiao-Hsien é o melhor diretor de 2015 segundo os irmãos Coen

Hou Hsiao-Hsien é o melhor diretor de 2015 segundo os irmãos Coen


Prêmio do Júri

Diante de uma ideia inusitada sobre analisar o relacionamento humano de forma ácida, o diretor grego Yorgos Lanthimos exibiu em primeira mão no Festival, o filme The Lobster. A história é pra lá de bizarra: no futuro, as pessoas são proibidas de viverem sozinhas. Caso se tornem solteiras, são logo encaminhadas a um hotel especial. Lá podem permanecer por até 45 dias e, neste período, são incentivadas de todo tipo a encontrar um novo parceiro para toda a vida entre os próprios hóspedes. Caso não consiga, é transformada em um animal, de escolha individual e, a partir de então, vive solta na natureza. Diante de toda a sua criatividade e acidez, The Lobster tem um humor seco e direto, que em vários momentos traz paralelos com a nossa vida de todo dia.

The Lobster impressionou e venceu o prêmio do Júri.

The Lobster impressionou e venceu o prêmio do Júri.


Melhor Ator

O ator francês Vincent Lindon venceu o prêmio de interpretação masculina por seu papel de desempregado no filme La loi du Marché (A lei do mercado), do diretor francês Stéphane Brizé. No filme, que faz um retrato demolidor das consequências do capitalismo selvagem, Lindon interpreta Thierry, um homem desempregado há muito tempo, pai de um filho deficiente, que encontra um trabalho de segurança em um supermercado no qual deve espionar os empregados para que, após qualquer falha, eles possam ser demitidos.

Vincent Lindon viveu o personagem Thierry no filme La loi du Marché.

Vincent Lindon viveu o personagem Thierry no filme La loi du Marché.


Melhor Atriz

A americana Rooney Mara, que fez Carol e a francesa Emmanuelle Bercot do filme Mon Roi, foram anunciadas neste domingo como as vencedoras do prêmio de melhor atriz do Festival. A decisão do júri pegou quase todos de surpresa, já que muitos apostavam em um prêmio para a australiana Cate Blanchett, que interpreta a mulher que se apaixona pela personagem de Rooney Mara no filme Carol, do americano Todd Haynes. Além de toda a construção psicológica das personagens, Carol ainda oferece ao telespectador uma recriação elegante dos anos 1950, onde brilham aspectos técnicos como fotografia, direção de arte e figurino. O júri decidiu dividir o prêmio entre Mara e Bercot, protagonista do filme Mon Roi, da diretora francesa Maiwenn.

Rooney Mara venceu o prêmio de melhor atriz.

Rooney Mara venceu o prêmio de melhor atriz.

O  júri decidiu dividir o prêmio com Emmanuelle Bercot, protagonista do filme Mon Roi.

O júri decidiu dividir o prêmio com Emmanuelle Bercot, protagonista do filme Mon Roi.


Melhor Roteiro

Após despontar com o tenso Depois de Lúcia, vencedor de um prêmio no Festival de Cannes em 2012, o diretor mexicano Michel Franco retornou ao tapete vermelho com seu novo longa-metragem, Chronic. Por mais que traga uma história bem diferente, são várias analogias que podem ser feitas entre este e seu filme anterior. O longa acompanha o dia a dia de David, um enfermeiro que cuida de pacientes terminais em suas próprias casas. Bastante dedicado, ele logo se torna um grande companheiro para os doentes, que podem contar com seu apoio para diferentes coisas.

Michel Franco ao receber o prêmio de melhor roteiro.

Michel Franco ao receber o prêmio de melhor roteiro.


Câmera d’Or

O filme La Tierra y la Sombra, do colombiano César Acevedo, que fala sobre as relações de uma família em uma plantação de açúcar, foi o vencedor da categoria Câmera de Ouro, que premia o melhor filme de um diretor estreante. Exibido na Semana da Crítica, o filme já havia recebido o prêmio desta mostra paralela.

Tierra y Sombra voltou para casa vencedor do Câmera de Ouro.

Tierra y Sombra voltou para casa vencedor do Câmera de Ouro.


Palma de Ouro de Curta-Metragem

O prêmio foi para o filme Waves 98, do diretor libanês Ely Dagher. O curta é uma exploração artística da relação atual do diretor com o Líbano, seu país de origem, projetado através da história de um adolescente. Desde que se mudou para o exterior para estudar e trabalhar, Ely Dagher tem passado mais e mais tempo fora do Líbano, e seu apego a cidade sua cidade natal, Beirute, começou a se tornar cada vez mais complicada. A narrativa geral do filme é fortemente baseada nos esforços de Ely para compreender sua relação com a mudança de cidade, justaposto com a narrativa da emocionante descoberta de um adolescente desta cidade segregada.

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