AGUARDE
08 outubro 2015

Duelo de bandeiras

Por Triguilli Newton

Pelo volume da discussão, um confronto físico parece apenas uma questão de tempo. Logo depois da premiação da oitava etapa do CT 2015, quando o australiano Mick Fanning levantou o troféu de campeão e o brasileiro Adriano de Souza o de vice, o compatriota do tri-campeão do mundo Peter e o conterrâneo do, até aquela etapa, líder da corrida pelo titulo mundial Roberto, começam um acalorado bate-boca.

Autoridade em Lower Trestles

- “ Porque você não reclama nessa sua língua que ninguém entende? Ta falando m em inglês só para chamar atenção!” - Provocou Peter -“ To falando em inglês de propósito, para deixar claro que esse resultado foi uma palhaçada. Nem to falando da final, que eu achei justa, mas das semis. Isso aqui é Trestles ou Jeffrey’s?” Fuzila Roberto. “ Porque você ta falando isso? - Perguntou um agora confuso Peter. “ Porque em J.Bay acho certo valorizarem o surfe de linha, a força, mas isso aqui é uma pista de skate meu irmão, um parque de diversões, então os caras tem que dar notas altas para os aéreos, o surfe progressivo, c Você já imaginou em Teahupoo e Pipe não valorizarem os tubos?” - Ataca Roberto “ Isso ta parecendo choro de derrotado. Segura a tua onda cara!” - Contrataca o aussie.

MR derrubando a porta

“ É porque vocês já comandam esse show desde o final dos anos 70, com aqueles caras do Bustin’ Down the Door. Nós há quase 40 anos temos que suar sangue para conquistar alguma coisa nessa p ” Continua o inflamado brasileiro. “ Não temos culpa se o circuito fala inglês, já tivemos 9 campeões mundiais, com 16 canecos na estante, três etapas nessa última temporada e lista vai longe ” - Se gaba o australiano. “ Aí é covardia, né?. Eu não sei se você sabe, mas o Duke levou o surfe para a Australia em 1915 e lá no Brasil a coisa só engrenou de verdade depois dos anos 1950.” Rebate em tom professoral o torcedor tupiniquim. “ E se depender do futuro, em poucos mais de 20 anos vamos virar esse jogo. Mesmo diante de uma crise política e econômica sem precedente, o nosso celeiro de talentos não para de revelar campeões. Depois do Adriano veio o Gabriel, que furou esse bloqueio histórico e agora tem o Filipe, que esta redefinindo o surfe progressivo. No ano que vem vamos ter 10 soldados no CT e a seleção de vocês ainda esta dependendo da força do veterano Mick, pois os talentosos Owen e Julian não tem a garra e a consistência necessárias para terminar no topo.” - Fuzila um já cansado Roberto.

Julian tem sorte no amor e no jogo?


“ Ah! Chega de blá, blá, blá. O que importa é que o Mick ganhou e agora eu quero ir lá pedir um autografo para ele. - Peter tenta finalizar a conversa. Mas o brasileiro ainda tem fôlego para uma última estocada. - “ Cara eu vou te propor um exercício simples. Quanto você acha que os juízes teriam dado para o Mick se ele surfasse uma onda igual ao 8,87 do Gabriel? Aquela que ele deu dois aéreos na base, sem, hesitação. Dez seria pouco né irmão?!” - Depois de ficar com cara de bobo durante alguns segundos, o aussie manda. "Pensando assim, realmente você tem razão, mas deixa eu ir lá falar com o Mick.” Se esquivou o australiano, agora pela última vez.

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