AGUARDE
03 dezembro 2014

Em busca de um sonho

O freesurfer carioca, Gabriel Sodré, está prestes a embarcar numa longa viagem

Filho do ex-técnico da seleção brasileira amadora de surfe, o saudoso Caio Monteiro, o freesurfer carioca Gabriel Sodré está prestes a embarcar numa longa viagem. E dessa vez nada de tubos na Indonésia ou México, países os quais Gabriel tem uma grande afinidade e já provou através de fotos e vídeos o seu talento para entubar tanto nas direitas perfeitas de Nias, nos caroços de Puerto Escondido ou nas direitas secretas do litoral sul mexicano, que, diga-se de passagem, ele foi um dos pioneiros em busca dessas ondas de sonho. Muita gente não sabe, mas o local da Urca, um dos lugares mais reservados do Rio de Janeiro, é faixa preta de Jiu-Jitsu e além de surfar sempre nos dias de mares clássicos na Zona Sul carioca, Sodré também treina exaustivamente na academia Willcox Jiu-Jitsu, na esquina de sua casa. E foi através desta arte marcial que o surfista de 31 anos foi convocado para ministrar aulas para o exército dos Emirados Árabes Unidos. É isso mesmo.

Crédito: Pessoal

O surfista vai trocar a bela e também caótica cidade do Rio de Janeiro, pelo deserto Árabe. Cansado de batalhar no dia a dia em busca de um patrocinador principal para bancar suas viagens em busca dos tubos mais perfeitos, e a sua própria rotina de treinamentos, ele viu nisso a oportunidade de manter o seu sonho vivo, juntar uma boa grana e conquistar a independência financeira na saga da busca interminável da onda perfeita. Trocamos uma ideia com ele, que abriu o jogo sobre essa dura escolha entre a sua vida de sempre cercada de coisas conhecidas e de certezas ou descobrir como é viver num mundo completamente diferente do seu. 1 - Em primeiro lugar queria que você falasse pra gente de onde surgiu essa oportunidade de dar aulas de Jiu-Jitsu para o Exército dos EAU? É uma história longa. Começou no dia do aniversário do meu professor, o mestre Gabriel Willcox. durante o seu churrasco de comemoração. Um companheiro da nossa academia, que já está dando aulas por lá enviou um e-mail dizendo que a empresa que o contratou estava precisando de novos professores e nos convidou para uma entrevista, que seria realizada num hotel em Copacabana. Lá estariam os representantes da empresa e também do exercito Árabe. Na hora eu e meu amigo Bernardo Leão falamos que iríamos sim, mas na real eu nem levei muito a sério, pois o Jiu-Jitsu sempre foi meu segundo esporte e nunca pensei que teria uma oportunidade como essa. Fui à entrevista, me sai muito bem, e a partir dali que a ficha realmente caiu. Vi que isso era uma oportunidade real. Já estou há alguns anos batalhando por um patrocinador principal para seguir minha carreira de surfista profissional, mas no país que vivemos infelizmente não temos o apoio necessário para sermos atletas e vivermos exclusivamente disso. Senti que esta é a chance de eu continuar vivendo do esporte. O Jiu-Jitsu é minha segunda paixão, esporte que pratico há 16 anos e nesses anos todos nunca almejei ter lucros financeiros com ele. Até que de repente se abre essa porta na minha vida com a chance de ser bem pago pra dar aula de um esporte que amo, então eu não pensei duas vezes e assinei meu contrato, apesar de saber de todas as dificuldades que vou encontrar por lá.

Crédito: Pessoal

2 - E sabe que vai encontrar um clima e uma cultura completamente diferente do que você vive aqui. Como está se preparando para isso? Já andou pesquisando sobre a sua nova cidade? É verdade. Tudo lá é completamente diferente, vou viver no meio do deserto, aonde a temperatura chega aos 50 graus. Lá não se anda nas ruas, você vive em ambientes climatizados o tempo todo, as pessoas se vestem completamente diferente de nós e as mulheres andam com uma vestimenta onde só ficam os olhos expostos. Além da comida que nada se parece com a nossa. EAU é um país muito rico, que tem sua riqueza vinda do petróleo e por todo lado se vê luxo. Desde os relógios de parede dos aeroportos, que são da marca Rolex, as ilhas artificiais criadas por algum sheik. Esses são idolatrados por lá como deuses. Particularmente, a parte que mais gostei foi saber que vou morar perto da melhor piscina de ondas do mundo, que países ali por perto têm ondas ainda quase inexploradas e que estou bem perto de picos como as Maldivas. Mesmo sabendo que vai ser um ano de ralação ecom muito trabalho, não pude deixar de preparar um quiver com três pranchinhas. Vai que sobra um tempinho (risos). 3 - Para você quais serão os seus maiores desafios? Eu tenho como meu maior desafio concluir esta missão e completar este primeiro ano por lá. Sei que terei muitas dificuldades, entre elas, as mais difíceis serão ficar longe dos tubos, da minha mãe, meus cachorros e amigos. Fora estas, também vou ter que me adaptar a viver em um clima desértico, comendo uma comida que não estou acostumado entre muitas outras que ainda não sei, mas estarei preparado para o que vier! 4 - E quanto tempo vai durar essa viagem? A principio este meu contrato é de um ano, no qual eu pretendo juntar o máximo de dinheiro possível para que em 2016 eu possa voltar a dedicar minha vida ao surf e viajar para lugares que sonho conhecer, mas ainda não tive condições financeiras para isto. Mas lá estarei aberto as oportunidades que surgirem e seja o que Deus quiser!

Crédito: Pedro Monteiro

5 - E quais seriam esses lugares. O HavaÍ, que eu nunca fui e tenho muita vontade de conhecer. E acho essa minha experiência nos Emirados podem abrir portas pra mim lá no arquipélago, já que a galera lá curte muito o Jiu-Jitsu. Outro pico alucinante e que não conheço é o Taiti. Não vejo a hora de um dia conhecer aquele lugar e claro, de pegar aqueles tubos azuis gigantes! 6 - E como está sendo a sua despedida temporária do Brasil e dos tubos. Aqui no Brasil estou aproveitando pra comer bem, passar os dias com minha família e amigos e curtir os meus cachorros. Já a despedida temporária dos tubos rolou no México. Mais uma vez fui para regiãp de Puerto Escondido, onde fique por 50 dias entre os meses de setembro e outubro. Como sempre a praia de Zicatela mostrou sua força e pude pegar altas ondas. Foi uma despedia de luxo! 7 - E pra finalizar diga o que está sentindo e qual a maior lição que você tirou disso tudo. Estou sentindo uma ansiedade enorme, pois estou indo para o desconhecido, mas ao mesmo tempo estou muito feliz por esta oportunidade que a vida me deu e por a mulher que escolhi pra ser minha companheira está embarcando nessa nova fase comigo. Acho que a maior lição que estou tirando é a de que você tem que fazer o que ama, com amor e um dia você será recompensado por isso. E outra e que você deve estar atento as oportunidades que aparecem na sua vida, já às vezes uma coisa que você nunca imaginou vai te dar a chance da sua vida.  

Crédito: Pessoal

Crédito: Pessoal

Crédito: Pessoal

Crédito: Beto Paes Leme

Crédito: Beto Paes Leme
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