AGUARDE
19 janeiro 2017

Entrevista com Nilo Peçanha

Carioca fala sobre expectativa para Oi Bowl Jam e polêmica sobre a CBSK

Nascido em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro e frequentador assíduo das extintas pistas da Urca e da Lauro Muller, Nilo Peçanha conversou com a gente e falou sobre a expectativa para a etapa que abre a temporada de 2017 do circuito mundial de skate bowl, e a polêmica em torno da Confederação Brasileira de Skate. Confira!

1 - Esse ano o Bowl Jam parte pra sua quarta edição. Qual a expectativa para o evento que já virou tradição na Cidade Maravilhosa?

A expectativa para o evento desse ano são as melhores, porque eu tenho andado pra caramba e dei uma evoluída boa em relação ao ano passado. Acho que dá pra conseguir uma posição melhor. Mas todo ano eu fico amarradão de receber esse evento aqui no Rio de Janeiro, em casa, e estar com todos os meu amigos aqui andando de skate e aproveitando esse início de ano já com o pé direito.

2 - A pista é uma das maiores da América Latina, com grandes transições e partes bem técnicas. Como você avalia o Bowl de Madureira?

O bowl de Madureira é bem técnico porque você tem que ter a manha de andar em vários tipos de transições. Tem partes mais lentas e outras mais rápidas, então não adianta você ser apenas um skatista de vertical ou andar só em bowl. Até o street influencia ali, porque tem partes lentas que você tem que ter mais base de street pra conseguir manobrar. Isso eleva bastante o nível da competição, porque todo tipo de skatista vai ter uma facilidade de andar em certa parte da pista.

Então os caras que andam de street conseguem fazer algumas coisas, quem anda de bowl e vertical também. É uma pista bem democrática e bem difícil ao mesmo tempo por ter várias maneiras de andar e várias situações diferentes. Então é bem legal essa diversidade da pista.

3 - O que é mais difícil nesse evento? Vencer do Pedro Barros, Alex Sorgente e cia, ou o calor impiedoso do Rio de Janeiro?

Cara, com certeza vencer o Pedro Barros e o Alex Sorgente é uma coisa bem difícil. O calor, por mais que seja muito sinistro, a gente já está meio que acostumado, porque os eventos são sempre em lugares quentes e normalmente seguindo o verão no hemisfério sul e norte.

Aqui no Rio de Janeiro é um calor absurdo, especialmente em Madureira. É um fator que pode atrapalhar, mas acredito que pra gente que é aqui do Brasil ou do Rio é uma coisa que pode até ficar ao nosso lado. O Pedro e o Alex estão numa corrida muito frenética e é bem difícil de ganhar com certeza.

Pedro Barros em ação no Oi Bowl Jam - Foto: Divulgação

 

4 - Se você pudesse escolher outra pista da capital carioca para que fosse o palco do campeonato qual seria e por que?

Se pudesse escolher outra pista sem dúvidas seria o Bowl do Rio Sul. É uma pista clássica e na minha opinião é o melhor bowl do Brasil. Já foi considerado algumas vezes um dos melhores do mundo. Sem sombra de dúvidas seria lá. Podemos dizer que lá é o “Maracanã do skate”.

Nilo Peçanha decolando no famoso Bowl do Rio Sul

Nilo Peçanha aproveitando as transições do Bowl do Rio Sul para decolar - Foto: Divulgação

 

5 - Você poderia explicar pra quem não sabe o que está acontecendo com a CBSK?

O que está acontecendo é que a CBSK é filiada a Federação Mundial de Skate (WSF) e por algum motivo essa federação não tinha os requisitos que o COI (Comitê Olímpico Internacional) exigia para ela cuidar do skate nas Olimpíadas. Então uma vez que a WSF não conseguiu ser responsável pelo skate nas Olimpíadas, entrou uma federação de hóquei e patinação artística, que já tem todos os requisitos e eles se filiaram ao COI.

Depois de muita luta essa federação internacional de skate conseguiu um recurso e eles vão ficar responsáveis pelos atletas e pelas competições e essa federação de patins vai ficar só com o antidoping. Então, mundialmente o skate vai ficar na mão da federação de skate em conjunto com a de patins. E quando a CBSK tentou dar entrada no COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para eles serem responsáveis pelo skate olímpico aqui no Brasil, eles não conseguiram por não serem filiados a essa federação de patins mundial, que é quem está de frente mundialmente.

Tendo essa brecha, a federação de patins e de hóquei no Brasil, deu entrada e conseguiu pegar esse direito e com isso todo o investimento que aconteceu para o skate se tornar olímpico, vai pra essa federação de patins e hóquei. É uma federação que não conhece ninguém do skate, está por fora de tudo e não representa a classe skatista. É uma federação de hóquei e patinação artística. Não é nem de in-line, radical nem nada, até porque o in-line não tem nenhuma federação representativa.

É uma federação de hóquei e patinação artística que não conhece ninguém do skate, está por fora de tudo e não representa a classe skatista.

E aí é isso, estamos brigando, fizemos um abaixo assinado e queremos que a CBSK seja o órgão responsável pelo skate olímpico no Brasil, porque já estão 17 anos lutando com a gente por tudo que queremos e acreditamos. Essa é a nossa batalha agora. Fazer com que a CBSK seja a responsável pelo skate olímpico brasileiro.

 

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