AGUARDE
29 junho 2015

Entrevista exclusiva com a banda Sepultura

O Woohoo enquadrou a lendária banda de heavy metal durante sua última passagem pelo Brasil

A banda brasileira, Sepultura surgiu em 1984 e já contabiliza 20 milhões de vendas de CD. Criada pelos irmãos Max e Igor Cavalera, é considerada pioneira do movimento heavy metal no Brasil com maior repercussão mundial. Este ano, eles comemoram 30 anos de carreira e já somam 14 discos e diversas colaborações, entre elas Zé Ramalho, Tambours du Bronx, Titãs e Índios Xavantes.

Qual o simbolismo de estar de volta ao Circo Voador, comemorando 30 anos de carreira?

(Andreas Kisser - Guitarrista) É espetacular. O meu primeiro show com o Sepultura foi aqui, por volta de 1987, 1988 na turnê do esquizofrenia. A estrutura do Circo era outra e voltar para cá comemorando 30 anos, um momento excelente da banda, tocando no mundo inteiro, é muito bom. Nós abrimos um leque fantástico que nunca passou pela nossa cabeça. A gente tem tocado no Rio, basicamente em Festivais e tem muito tempo que a gente não faz um show mais intimista para o público carioca, então a gente está muito feliz de voltar aqui.

Derrick, você com 18 anos de banda, já aprendeu a falar português ou a galera te dá essa moleza de falar inglês com você?

(Derrick Green - vocalista) Eu sempre quero falar português no Brasil, mas é difícil porque todo mundo me conhece, sabe que sou americano e falo inglês, mas estou aprendendo. O português é uma língua muito difícil, mas consigo conversar um pouco em português.

Derrick Green tem uma voz única.

Derrick Green tem uma voz única.

Derrick, você já está na banda há 18 anos, isso já é mais da metade dos 30, então consideramos que você seja veterano. Claro que na época dos embrolhos com o Max Cavalera, rolou um dilema de encontrar um vocalista tão poderoso quanto. Mas é impressionante sua potência.

(Andreas) O Derek tem uma técnica animal. É impressionante, ele não perde a voz nunca e a gente toca muito. Quando estamos em turnê americana ou europeia, é praticamente todo dia. Ele é muito disciplinado e profissional; ele não brinca de ser vocalista. É um estilo que demanda muito, mas ele tem uma técnica, se cuida, faz os aquecimentos para dar uma longevidade para a carreira dele. Há 18 anos e ele ainda canta tranquilamente. (Derrick) É verdade, eu não bebo nada alcóolico e nem fumo nada antes de shows.

Voltar para cá comemorando 30 anos, num momento excelente da banda, tocando no mundo inteiro, é muito bom.

Andreas Kisser

E como foi o sobressalto para encontrar um novo baterista, depois da saída do Igor Cavalera? Falem um pouco também sobre o Eloy Casagrande (novo baterista):

(Andreas) Nós temos muita sorte de achar uns monstros na nossa frente e consegui capturá-lo (risos). É realmente importante o Sepultura ter um baterista brasileiro, nós conhecemos muitos músicos pelo mundo, muita gente com capacidade técnica e de convivência para fazer parte desta banda, mas é importante ser brasileiro e ter esse ritmo. Apesar de não sermos sambistas, nem bossa nova, nós temos isso correndo nas nossas veias e isso é algo natural. Falando sobre o Eloy, nós tivemos a sorte dele aparecer na hora certa. Nós estávamos trocando de baterista. O Jean Dolabella, que entrou no lugar do Igor ficou com a gente de 2006 a 2011, gravamos dois discos, também é um músico fenomenal, mas acho que o Eloy engloba mais o animalesco metal. Ele vem do berço metal e está sempre querendo aprender e desenvolver esse lado.

E como é para você Eloy? Seis anos depois do início da banda você estava nascendo.

(Eloy Casagrande- baterista) É o que eu sempre falo, é uma grande honra tocar com esses caras. Eu sempre fui fã da banda. Com 10, 11 anos eu ia ás lojas comprar CD, já tocava metal. E eu gosto ainda mais agora do estilo do Sepultura, que engloba diversos outros estilos, tem a Trash, a Groove, que é mais brasileira. É bom porque você consegue criar muitas coisas. Fiz o primeiro disco agora, o Mediator e eu fiquei muito á vontade de fazer.

Paulo Jr., a tour dos 30 anos de banda já passou e vai passar por onde?

(Paulo Jr. - baixista) O CD Mediator embolou nos 30 anos, então agora nós estamos tocando de tudo, desde o primeiro disco até o último agora. A turnê já passou por vários lugares do mundo, vamos mais duas vezes para a Europa esse ano, temos um show em São Paulo, algumas coisas na América do Sul ainda, que vão ser anunciados em breve. Até o final do ano a agenda está cheia.

Também tem um projeto/música chamado Sepultura under my skin, que surgiu como uma homenagem aos fãs. Fale um pouco sobre ele:

(Andreas) Nós fizemos essa música em homenagem aos 30 anos da banda, especialmente ao fã que tenha alguma tatuagem do Sepultura. A gente sempre foi cuidadoso com a arte e, especialmente nos últimos 10, 15 anos em que a tatuagem ficou na moda. Ver isso não tem preço e por isso fizemos essa homenagem, por que sem eles nada disso seria possível. Essa música é um lançamento isolado, não faz parte de nenhum CD; saiu em vinil compacto. A arte foi feita com todas as tatuagens que as pessoas mandaram pro nosso site. Enfim, é uma música que nós já colocamos no repertório, a galera já está tendo acesso e é muito bom ter essa conexão com eles. Além disso, nós colocamos o nome do Sepultura não só na letra, mas no título.

Vocês já tocaram com Zé Ramalho e isso é muito legal por que vocês não focam só no Rock. Quando não estão tocando o que escutam?

(Paulo Jr.) Eu sempre escuto Rush, que é minha banda favorita, Iron Maiden, The Police, Seal, e por aí vai.

(Derrick) Depois dos shows eu gosto de ouvir “Soundtracks” (trilhas sonoras) de filmes porque não tem vocais normalmente. É bem eclético.

(Andreas) Eu gosto bastante de Blues, escuto bastante coisas acústicas, Egberto Gismonti, Stevie Ray Vaughan. Reggae também gosto muito, Bob Marley, banda metal brasileira.

(Eloy) Eu escuto Seal de verdade (risos), escuto Gênesis, Phil Collins, Peter Gabriel, tudo que vem disso ai. David Bowie.

Como é o processo de composição, neste momento atual de consolidação dos 30 anos, mas ao mesmo tempo de olhar para o futuro cheio de energia para produzir:

(Andreas) Eu escrevo direto. Hoje em dia é muito fácil você gravar qualquer ideia, então eu guardo todas as minhas ideias. O Eloy também tem esse processo de fazer uns Loops, umas levadas e ai nós tocamos umas três, quatro demos e a partir daí começamos a desenvolver a música.

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