AGUARDE
20 abril 2015

Entrevista Exclusiva com Zezé Motta

Cantriz prepara CD de samba e pensa em retomar projeto em homenagem a Caetano Veloso

Aos 70 anos de vida, e 50 anos de carreira, Zezé Motta contabiliza mais de 30 trabalhos na TV, entre novelas e séries, 40 filmes e 10 discos no currículo. Agora ela se prepara para entrar no estúdio para gravar seu novo CD, O Samba Mandou Me Chamar, projeto que estava engavetado há 7 anos. Num bate-papo descontraído com a repórter Érica Prado ela relembrou histórias de sua trajetória e falou de seus projetos. Confira a entrevista abaixo:Você ficou conhecida mundialmente após protagonizar o filme Xica da Silva, de Cacá Diegues. Como foi o processo inicial com a música em meio ao sucesso como atriz?

Eu já tinha gravado o meu o primeiro LP - Gerson Conrad e Zezé - na Som Livre quando fiz a Xica da Silva e quando eu terminei a divulgação de filme, que foi uma coisa que durou anos, a imprensa começou a me perguntar: e agora, qual é seu próximo projeto? E eu respondi: meu próximo projeto é cantar. Só que eu não tinha empresário, gravadora ou infraestrutura para lançar um LP independente, eu só tinha vontade.

E como surgiu a parceria com o empresário Guilherme Araújo?

O filme Xica da Silva estava no auge e a notícia de que eu queria me dedicar a música se espalhou nos principais veículos. Eu tive a sorte do Guilherme Araújo ter lido uma das matérias e ter se interessado. Tinham várias gravadoras interessadas e nós acabamos fechando com a Warner. Gravamos um LP intitulado Zezé Motta, mas eu chamo ele de Muito Prazer Zezé, que é o nome de uma música da Rita Lee e do Roberto de Carvalho que abre o LP. Foi uma coisa fantástica na minha vida, mas não correspondeu às expectativas da gravadora em termo de vendas.Em 1978 a Warner propôs que você gravasse de um LP só de sambas. Como você recebeu essa notícia? O que te fez declinar?

Eu fiquei zonza, porque me pegou de surpresa. Não fazia parte da minha proposta ser rotulada como sambista. Nada contra, mas não era isso que eu queria naquele momento. Então eu só topei fazer 50% do repertório com samba. Eu sei que foi uma rebeldia, mas não me arrependo não. O André Midani, que é um queridão e era o presidente da Warner, achou que eu dei mole, que eu poderia faturar muito sendo rotulada como sambista. Mas não é essa a minha proposta de vida. É claro que eu gosto de ser bem remunerada, mas fazer uma coisa pensando só em dinheiro não me interessa, não faz parte da minha natureza.

E agora, por ironia do destino, você vai gravar “O Samba Mandou me Chamar”, um CD só de sambas

Pois é (risos). Algumas pessoas vão estranhar, mas eu vejo com naturalidade. Eu não queria naquele momento, eu não queria o rótulo. Agora é um direito meu querer fazer um CD só de samba e esse trabalho não tem como proposta me rotular como uma sambista. Até porque eu não pretendo competir com essas deusas que estão aí, não vou entrar numa de competir com Beth Carvalho, Alcione, Teresa Cristina Não estou nessa. Quero apenas diversificar o meu trabalho.Além do “Samba Mandou me Chamar” você tem algum outro projeto musical em mente?

Vou dizer pra vocês em primeira mão. Essa noite eu perdi o sono e resolvi trabalhar de madrugada. Eu peguei uma pasta só com partituras de toda a minha carreira e aconteceu uma coisa muito curiosa. Me deu uma saudade do show que eu fiz em homenagem a Caetano Veloso. Uma saudade do tamanho do mundo. Há muito tempo eu tenho um habito de tocar vários projetos ao mesmo tempo e eu estou pensando muito em retomar o projeto “ Coração Vagabundo - Zezé canta Caetano” em 2016. Até porque eu tenho a seguinte frustração, o Caetano quis ir na estreia na época e eu pedi pra ele não ir porque eu estava muito insegura. E no que ele não foi na estreia, ele não conseguiu ir depois.

Há muito tempo eu tenho um hábito de tocar vários projetos ao mesmo tempo e eu estou pensando muito em retomar o projeto “ Coração Vagabundo - Zezé canta Caetano”

Falando em novela, o casal formado por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em Babilônia, folhetim da TV Globo, está causando polêmica. Qual é a sua opinião em relação isso?

Eu acho desnecessária a polêmica em torno das personagens dessas duas senhoras lindas, maravilhosas, que vivem um caso de amor belíssimo. É uma hipocrisia da sociedade não aceitar essa realidade. As pessoas esquecem que a homossexualidade faz parte da rotina do planeta desde que o mundo é mundo. E a outra coisa que está chocando as pessoas é a idade delas, mas eles esquecem que é muito bonito duas pessoas que se amam envelhecerem juntas. Não cabe mais no século XXI ficar fingindo que isso não acontece e que isso não faz parte do nosso dia a dia.

Qual foi a personagem mais marcante que você interpretou ao longo dos 50 anos de carreira na televisão?

Foi a Sonia da novela Corpo a Corpo, de Gilberto Braga. Foi uma personagem que me realizou em dois departamentos; Um enquanto atriz vivendo um personagem co-protagonista no horário nobre, na TV Globo. E outro foi a militante tendo orgasmos quase múltiplos (risos), de ver sendo discutido na TV Globo uma questão que era um tabu. O brasileiro tem vergonha de assumir que é racista, porque lá no fundo acho que eles sabem que é ridículo ser racista num país tão miscigenado. Foi uma novela realmente especial.

E no cinema? Tirando Xica da Silva, papel que foi um divisor de águas na sua vida, claro.

Foi muito importante ter feito “Vai Trabalhar Vagabundo”, pois foi a primeira vez que eu tive um destaque na telona. Mas a Dandara de Quilombo eu adorei ter feito também.

Antonio Pitanga e Zezé Motta no filme Quilombo

O que você gostaria de fazer na televisão?

Eu tenho um sonho, uma expectativa há muitos anos que as vezes eu acho uma bobagem, mas é a real (risos). Eu queria muito ter uma música tema de novela interpretada por mim. Eu já fiz algumas tentativas sem sucesso. Mas enquanto há vida há esperança.

 

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