AGUARDE
09 junho 2018

Esforço recompensado

William Cardoso vence o CT de Uluwatu

A essa altura do campeonato você já deve saber que o William Cardoso venceu o CT de Uluwatu, em Bali, batalha que valeu como a quinta das onze que compõem a temporada 2018. O triunfo do surfista de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, vem na sequência de uma trajetória histórica dos brasileiros no Tour de elite da WSL. 


O brasileiro que demorou uma década para se classificar para o CT está praticamente garantido em 2019. Foto: © WSL / Sloane

Das cinco etapas realizadas até agora, as quatro ultimas foram vencidas por brasileiros. Italo emocionou em Bell’s, Filipinho eletrificou em Saquarema, Italo repetiu na dose em Keramas e agora foi a vez do poderoso Panda. Segundo os amigos o apelido surgiu da forma física avantajada, mas principalmente da serenidade que esconde um monstro. Um monstro de força e perseverança. 

 

Enquanto Filipinho estreou entre os cachorros grandes ainda adolescente, com o seu ataque futurísticos já venceu 6 etapas, é reconhecido como fenômeno e Italo precisou de apenas uma temporada no top 100 do QS para conquistar sua ascensão, protagoniza performances que desafiam as leis da física e a nossa compreensão, já é encarado, assim como FT, como forte candidato ao título mundial, William travou uma guerra na divisão de acesso. 

Filipe Toledo segue como segundo colocado no ranking. Foto: WSL / Sloane

Foram nada menos do que 12 anos rodando o mundo em eventos realizados em condições sem nenhuma garantia de qualidade, baterias de quatro competidores na maior parte do tempo, palanques sem estrutura… Isso sem falar na falta de apoio de grandes empresas, as lesões, as obrigações familiares. O cara passou por muita coisa. Pensou em desistir, mas não desistiu. Acreditou, treinou forte dentro e fora d’água, reuniu forças, buscou parcerias na sua cidade, se apoiou na ação transformadora que é o nascimento de um filho ( o super fofo Luca ) e finalmente chegou lá. 

 

Em 2018 ele não tomou de cara em nenhuma das etapas até Uluwatu, mas também não chegou longe. Então veio o dia 9 de Junho. Esse vai ficar marcado na vida do William e de todos que foram impactados por sua surpreendente vitória. As patadas de backside que jogavam toneladas de água a cada contato com as paredes verdes de Ulu foram desferidas sem pena, uma atrás da outra. Virada nos instantes finais, “claims” que reforçavam a explosão da emoção genuína da primeira vez, imprevisibilidade, e claro, surfe de altíssima categoria foram os ingredientes principais da festa. 

 

100 mil dólares na conta, 10 mil pontos no ranking, carregado em glória da gruta até o pódio. Dificil saber o que deve ter sido mais importante pro Panda. Pela figura que é, arrisco dizer que a emoção do feito, deve ganhar das matemáticas esportiva e financeira. 

 

Ah, tava até esquecendo, o Julian Wilson foi vice-campeão em Uluwatu, Kolohe Andino e Mickey Wright ficaram em terceiro, enquanto Toledo e Medina. Tudo bem que JW reassumiu a a lycra amarela do líder do ranking, mas ele não deve estar nada confortável com o quarteto brasileiro que vem faminto logo atrás. Filipinho aprece em segundo, Italo em terceiro, Gabriel em quarto e o Panda na quinta posição.

Julian Wilson reassumiu a liderança. Foto: WSL / Cestari

No confronto feminino o Brasil bateu na trave com Tatiana Weston Webb, que na grande final acabou superada pela "local" da Ilha Reunião, pico da clássica canhota de St. Leu e hoje infestado de tubarões, Johanne Defay. A cearense Silvana Lima já tinha sido eliminada da etapa ainda em Margaret River, na Australia onde rolaram as três primeiras fases do campeonato. O topo do ranking continua ocupado pela vencedora em Keramas, Lakey Peterson, com a hexacampeã mundial Stephanie Gilmore em segundo e Tatiana aparecendo em terceiro lugar. 

Foto: WSL / Cestari

 

Que venha JBay!

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