AGUARDE
13 abril 2016

Exclusiva com Gabriel - O Pensador

O artista soltou o verbo e falou sobre suas letras engajadas e sobre o atual cenário do surfe brasileiro

Com o celular na mão e o jeito um pouco apressado, natural do cotidiano nas grandes cidades contemporâneas, Gabriel comenta que a maioria das pessoas acaba caindo nessa armadilha do "trabalho", mas que os surfistas aprenderam, com o ritmo do surfe, a valorizar o outro lado da vida.

O surfe atualmente tem esse papel na minha vida: de me conectar com a natureza, de me fazer refletir e respirar.

Ainda sobre o esporte que pratica desde novo, o rapper parabeniza a nova geração, mas lembra da importância da antiga com nomes como Carlos Burle, Fabio Gouveia e Ricardo Bocão, que abriram os caminhos no mundo do surfe para os brasileiros. Burle conseguiu a terceira colocação no Todos os Santos Challenge desse ano, onde teve uma performance impressionante nas ondas grandes. "É o ‘coroa style’, a gente brinca entre a gente falando no Whatsapp", completa Gabriel sobre os amigos.

O músico convida o público a participar do novo clipe. (Reprodução: Facebook)

O músico convida o público a participar do novo clipe. (Reprodução: Facebook)


Woohoo: Falando em Surfe e Meio Ambiente, depois da tragédia de Mariana, você fez uma parceria com o Falamansa. Como surgiu a ideia?

O clipe que a gente fez é de uma música chamada “Cacimba de Mágoa”, que a gente gravou junto e compôs junto para o disco deles. Ela saiu antes do disco, em uma campanha que convidava as pessoas a curtir o clipe no Youtube. Isso está sendo monetizado e transformado em recursos que vão para as ONGs que cuidam das vítimas da Foz do Rio Doce, que é a região de Regência, um pico de surfe conhecido. O Tato, do Falamansa, é casado com uma capixaba e conhece muita gente de lá. A ideia nasceu também por isso, a gente conhece essas pessoas que fazem esse trabalho sério lá com as ONGs e sabe de muita gente que perdeu o trabalho, seja na pescaria seja no turismo, muita gente com a vida destroçada, além das vítimas fatais. A gente está falando dessas pessoas que a gente não quer que fiquem no esquecimento. A letra fala um pouco disso. A gente convocou também alguns artistas e atletas para participarem do clipe e isso chamou um pouco mais de atenção com personalidades apoiando a causa. Ficou bonito o clipe, bem emocionante e bem triste. Até na letra da música eu falo isso:

Quando a gente olha na TV, quando você vê na TV por alguns segundos, às vezes vê todo mundo, mas não enxerga ninguém.

A gente quer que as pessoas tenham a oportunidade de entrar naquele assunto. O clipe - a música e as imagens - está passando bem a importância do assunto, o tamanho da tragédia que foi e agora já está encoberta por outro tipo de lama... sempre tem outras coisas que encobrem as notícias e elas vão ficando para trás. Mas essa não pode ficar para trás.

Woohoo: Na sua carreira, como você usou a música para tratar das questões sociais?

Eu até comento sobre o show que estamos fazendo, o show atual, a gente mistura esse lado, que é um lado marcante desde o início da carreira, que é meu lado da crítica social e comportamento. A letra do “Retrato de um Playboy”, por exemplo, que fala de comportamento do jovem e de assuntos sérios, como racismo e outros. Mas o que eu comento sobre os shows é que tem isso mesclado com o lado mais alegre, mais divertido, por exemplo, do "2345678" ou do "Rap do Feio", que é uma brincadeira que a gente chama as pessoas da plateia. Tem também as músicas mais recentes, que tem uma vibe bem positiva. O solitário surfista é uma delas. Eu acho que a música é livre, a gente pode falar de amor - eu aprendi isso com o Bob Marley - pode falar, de guerra, de amor, de pobreza, de luta, de resistência, e dos passarinhos com a mensagem de "Don't Worry" ( "não se preocupe" em português). Eu me sinto bem livre no rap.

Eu tenho esse lado de usar a música como uma ferramenta para fazer as pessoas pensarem. Eu, como ouvinte de música, senti, desde adolescente, que ela tem esse poder de influenciar, de abrir nossa cabeça.


As pessoas estão compartilhando muito a "Chega", desde quando ela foi feita há meses atrás. Agora estamos convidando os internautas a mandarem imagens cantando ou dublando a letra para a gente usar no videoclipe. A gente está recebendo as últimas imagens. É só entrar no Face GabrieloPensadoroficial e seguir as instruções. É uma música que é apartidária, fala de respeito, que a gente quer receber mais respeito por tudo que a gente faz. O nome é "Chega" e fala também da violência, lamentavelmente citando o caso do Ricardinho dos Santos. A galera que tá ligada no Woohoo com certeza já conhece a história, mas muitos brasileiros não deram tanta importância. Um surfista que um policial matou sem motivo. Isso também entrou na letra. Ela fala sobre os absurdos do Brasil, né?

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