AGUARDE
06 junho 2014

Gabriel, Gabby ou Gabe

Não interessa. Medina é fenômeno global

SURFING MAGAZINE A maior mudança em seu surfe esse ano está na forma como ele está competindo. Tão inteligente, tão selectivo. Na sua bateria contra o Kolohe, parece que Gabriel quase saiu de uma página do livro de Mick Fanning e surfou com cerimónia. E mesmo na final contra o Nat, Gabriel só fez o que era necessário para ganhar - o que não foi nada de muito extravagante. Até, claro, ele deixar o Nat em combinação. E agora ele está de volta à liderança do ranking. Olhando para os seus resultados – 1º, 5º, 9º, 13º, 1 º -, ele só tem um descarte. O próximo evento é em J-Bay, uma onda que pode ser bastante difícil para goofys, que não seja o Mark Occhilupo. Porque depois de Jeffreys, o tour oferece todas as ondas onde Medina pode brilhar. Gabe, o título mundial de 2014 está olhando pra você. SURFING LIFE Nat Young e Gabriel Medina. Por razões egoístas, nós estávamos torcendo por Gabby, mas esse não era um caminho fácil. (...) Ele ganhou o seu segundo evento do World Tour 2014, encontrando-se agora no primeiro degrau da escada. Com os outros candidatos ao título, ou seja, Kelly Slater, tendo apresentado um bom desempenho, mas não excelente, os resultados em Cloudbreak deixam a corrida pelo título mundial em aberto. Queremos um grande confronto em Pipeline. Ao longo de webcast durante a manhã, Pottz e Turpell repetiram a expressão troca de guarda, e isso é algo que gostaríamos de discutir. Repetidamente, os garotos do tour têm que se de provar, aos outros competidores e ao mundo que ali é o lugar deles. E isso é suficiente. Mas não estará na hora de dar um basta nessa conversa? O que é esses caras precisam fazer mais, para mostrar a nós, pessimistas desqualificados, que eles são tão bons como os veteranos? Que os Parkos, os Kellys, os Micks e os TAJS... Eles não são mais os únicos reis da cocada preta. E se uma vitória num lugar como Cloudbreak é o que é preciso para provar isso, então que assim o seja. Mas esse papo da troca da guarda já está pairando no ar há algum tempo - apenas talvez agora as pessoas estejam dispostas a prestar atenção. Se liguem, esses moleques estão aí pra ficar. PS. Gabby também limpou Mick Lowe do livro de recordes dos goofys – o australiano não é mais o último goofy a ganhar Snapper e Cloudbreak. SURFPORTUGAL À espetacularidade do passado, Medina conseguiu aliar valores que o tornam num competidor melhor. O comportamento deu uma mudança radical. Este é um Gabriel muito mais pensador! Digamos que antes de 2014, o seu talento se equivalia à seleção brasileira de 1982. Aquele misto de craques, composto por Zico, Falcão e Sócrates, que todos anunciavam como vencedor da Copa, mesmo antes de ela ter começado, e que acabou por perder cedo demais para aquilo que oferecia aos torcedores de futebol. Em 2014, Medina continua a apresentar essa espetacularidade, mas junta-lhe eficácia competitiva da canarinha de Parreira que venceu o Mundial em 1994, nos Estados Unidos. Medina tem agora a frieza de Aldair, a leitura tática de Dunga, a explosão de Jorginho, a classe de Bebeto, a segurança de Taffarel e, acima de tudo, o instinto matador de Romário. Curiosamente, foi há 20 anos que esse escrete chegou ao título. Essa é, precisamente, a idade do prodígio brasileiro. Pode ser só coincidência, mas nunca o Brasil esteve tão perto de chegar ao tão desejado olimpo do surf. THE INERTIA Slater surfou muito no ano passado, dizimando Seabass e John John no seu caminho para a vitória. Mas foi Medina que esse ano atropelou os seus adversários de trás para a frente ao longo da bancada de corais, sabendo jogar e bem com a prioridade. Foi um estratégia de mestre para os seus 20 anos de idade. Ele não só venceu o evento, como o venceu de forma convincente, e isso é algo que não se vê com muita frequência a este nível. COASTALWATCH Quando acordou esta manh㠖 isso partindo do pressuposto de que o cara foi pra cama... porque ele pode bem ter virado a noite – tenho a certeza que Stuart Gibson nunca esperava estar nu, num barco, acenando com uma bandeira do Brasil em frente a uma audiência global indeterminada, mas no entanto ele estava lá. Gibbo é um fotógrafo residente/barman da ilha de Namotu, um tasmaniano, louco, e possivelmente o homem mais australiano do mundo. E, no entanto, ali estava ele, agitando a bandeira do Brasil em apoio ao Gabe Medina, que estava remando para o outside para surfar a final do Pro Fiji. Um australiano demonstrando esse apoio entusiasta a um surfista brasileiro é raro. Um australiano mostrando qualquer apoio a surfista brasileiro é raro. Mas Gabe Medina é um surfista raro. Nessa manhã, Gabe venceu fácil a final em Fiji. A sua luta com o foamball resultou num 9,87, colocando-o fora do alcance de Nat Young, que parecia o único cara capaz de se aproximar dele. Após o choque de ver Stu Gibson balançando entre a brisa, Gabe tinha remado muuuuito para fora na bancada, passando The Ledge e quase até a Vanuatu. Nat o seguiu. Eles estavam milhas fora de posição, mas Gabe - como Parko - nunca quer abrir mão da primeira onda da bateria e se isso significa remar até à Nova Caledônia, então que assim seja. Mas Medina está tão confortável nessa bancada que é difícil acreditar que ele surfou aqui pela primeira vez há apenas quatro anos. Nat tinha até então sido o ímã das ondas durante todo o evento, mas esta manhã Gabe estava centro do campo magnético. Quando lhe perguntei depois de onde vem a sua afinidade com a bancada, Gabe respondeu: Quando eu me estou sentindo assim, sintonizado, eu não penso nisso. Confira aqui o resumo em vídeo do último dia de competição.    

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