AGUARDE
18 julho 2018

Gerente geral da WSL faz balanço desse um ano no cargo

Sophie Goldschmidt admite que as transmissões no Facebook precisam de ajustes e anuncia investimento nas ondas grandes

O site Surfline conversou com a gerente geral da World Surf League e a tradução dessa conversa que foi publicada dia 17 de maio, vocês conferem a seguir.

Para ver a matéria em inglês clique aqui.

 

Uma desculpa, uma dúzia de promessas e mil agradecimentos do CEO da WSL
Depois de um ano no trabalho, Sophie Goldschmidt aprendeu muito, mas ela provavelmente nos ensinou mais.

Na última vez conversamos com a gerente geral da World Surf League, Sophie Goldschmidt, em novembro de 2017, depois dela ter assumido o cargo há três meses, admitimos que aceitamos tudo o que ela disse com empolgação. Afinal de contas, Goldschmidt veio para o nosso esporte com todas as credenciais e elogios que você esperaria de um titã do mundo dos esportes tradicionais, porém para os fãs mais puristas do surfe, ela ainda era uma pessoa de fora. O que a Sophie e sua equipe poderiam oferecer que já não tínhamos visto com nossos próprios olhos ou ouvido dos dois ou três últimos gerentes que assumiram o cargo antes dela?

 

Primeiro, a WSL inseriu o Surf Ranch como uma etapa do Championship Tour, incluindo uma demonstração de alguns surfistas por lá). Depois eles colocaram Keramas de volta no menu do CT e adicionaram Mavericks ao Big Wave Tour. Eles também exigiram um nível mais lato de seus atletas, segurando as notas; transferiu a etapa menos popular do CT para um lugar muito melhor (Saquarema); reforçou seus protocolos de segurança, cancelando um evento tomado por tubarão e terminado o mesmo em um local ainda mais exótico e caro; e por fim, acrescentou uma graça ao Surf Ranch anunciando um evento inédito de aéreos. E até agora, o CT tem sido marcado por um show de surfe em todas as paradas, quase.

Mas eles também erraram. A organização teve problemas burocráticos no Havaí e perdeu o Pipe Masters. E agora, eles se depararam com uma transmissão ruim pelo Facebook. Tudo isso faz parte de um plano? Ou a organização está simplesmente testando as possibilidades?

A Surfline enquadrou Goldschmidt para descobrir, o que ela aprendeu sobre o trabalho, o esporte e os fãs nesse um ano de mandato.

 

Surfline: Houve muitas críticas sobre a transmissão do Facebook em J-Bay. O que a experiência lhe ensinou e como você vê as coisas melhorando?

Sophie Goldschmidt: Essa foi a primeira vez do Facebook com a WSL, e estamos aprendendo o tempo todo. Nós testamos extensivamente antes da migração e, infelizmente, houve alguns problemas que o Facebook está confiante de que resolverá. Estamos sempre ampliando os limites da tecnologia e às vezes há problemas iniciais. Entendemos que muitas pessoas adoravam a experiência nos canais da WSL, mas à medida que procuramos aumentar o interesse e a visibilidade dos surfistas, ter a chance de fazer parceria com a maior comunidade on-line do mundo é uma ótima oportunidade para nós. Agradecemos aos fãs pela paciência e suporte enquanto continuamos trabalhando na transição e nos desafios com alguns dispositivos. Queremos lembrar que voltamos a transmissão nos nossos canais da WSL até novo aviso. Agora você pode assistir à transmissão ao vivo no site da WSL, no aplicativo da WSL e, é claro, no Facebook. Mais uma vez, pedimos desculpas por qualquer inconveniente que os fãs possam ter experimentado.

 

 

Surfline: Ouvimos rumores de modelos de pay-per-view e assinatura para melhor rentabilizar os eventos e a liga. Há algum plano em andamento para 2019 em relação a isso?

Sophie Goldschmidt: Não há planos concretos no momento. É muito incomum que todos os aspectos de um esporte sejam oferecidos gratuitamente para o mundo, e daqui para frente, queremos ter certeza de que as decisões corretas sejam tomadas para os torcedores e para o esporte - para que ele possa crescer e prosperar, e então nós pode continuar a investir estrategicamente no seu desenvolvimento.

 

Surfline: Paridade de pagamento: com que seriedade a WSL está lidando com essa questão?

Sophie Goldschmidt: A WSL leva isso muito a sério. Acreditamos na justiça e continuaremos a progredir nessa área. Desde que cheguei, analisamos todas as competições e já tomamos medidas para garantir que haja paridade. A igualdade de gênero é uma questão extremamente importante para nós, assim como a paridade salarial e o investimento que estamos fazendo no surfe feminino.

 

Surfline: Onde a Big Wave Tour está indo - subindo, descendo ou estagnado? Com tantos eventos sendo cancelados, e sendo um empreendimento tão caro e logisticamente desafiador, ainda é sustentável manter?

Sophie Goldschmidt: Muito mesmo. Adquirimos o Mavericks no ano passado e não podemos esperar para ver acontecer nossos três eventos. Na verdade, aumentaremos nosso foco no BWT nesta temporada. Acreditamos que o BWT tem grande potencial, e os eventos que temos agora no calendário estão nos locais mais emblemáticos do mundo, o que foi um passo importante para nós. Também estamos satisfeitos por termos adicionado um segundo evento feminino. Quem não se surpreende com ondas, como a do Rodrigo Koxa de 20 metros? É surpreendente! A atenção que esses feitos geram para surfe era fantástica.

 

Surfline: A decisão de terminar o Margaret River Pro em Uluwatu foi sem precedentes, e gerou elogios. Poderíamos esperar para ver mais situações como essa no futuro, quando os eventos dão errado através de ameaças de tubarão, imprevistos e assim por diante?

Sophie Goldschmidt: Margaret teve um conjunto de circunstâncias excepcionalmente incomum e dificilmente isso vai se repetir. Temos protocolos muito bons para garantir a segurança dos surfistas. Fizemos algumas pausas em J-Bay quando os tubarões nadaram, e terminamos o evento sem incidentes. A infraestrutura e os protocolos são muito sólidos, mas sempre tomaremos decisões baseadas na segurança primeiro.

 

Surfline: Qual a importância das Olimpíadas para o surfe e o que a WSL está fazendo especificamente para se preparar para isso?

Sophie Goldschmidt: É a maior janela para o mundo - e o crédito é para Fernando Aguerre e para a ISA. Se os melhores surfistas do mundo surfarem em ondas de alta qualidade, o surf poderá ficar nos Jogos.

 

Surfline: Há eventos sendo planejados para o último ano de Kelly no tour?

Sophie Goldschmidt: Kelly postou que ele está ameaçando se aposentar há 10 anos, então não precisa de tanto. Com as Olimpíadas aí, e ele sendo uma das pessoas mais competitivas do planeta, ainda não há planos!

 

Surfline: Tudo bem. Mas se ele se aposentar no final do próximo ano, o que você vê ele sendo capaz de oferecer a organização em 2020?

Sophie Goldschmidt: Ele é uma grande força no surf, se preocupa profundamente com o meio ambiente, é um visionário por trás de um sistema de ondas revolucionário e muito mais. Temos muita sorte por ele estar próximo da WSL de várias maneiras.

Surfline: Finalmente, como surgiu a nova parceria com a Surfline?

Sophie Goldschmidt: Foi um encontro natural e bem sucedido, beneficiando a todos, principalmente os fãs. Nossa parceria com a Surfline é uma ferramenta essencial que ajuda a informar nossa equipe da WSL a se planejar. Além da previsão detalhada e do suporte que a equipe da Surfline oferece aos nossos funcionários do evento, os fãs se beneficiam da riqueza de dados de onda que dá vida a cada onda do Tour, além de informações gráficas e educativas, que são compartilhadas através das nossas transmissão.

 

Foto de capa: Sandy Coffey (Surfline)

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