AGUARDE
09 março 2015

Grafite brasileiro modelo exportação

Respeitados em qualquer país, os grafiteiros brasileiros estão ajudando a divulgar esta vertente da arte nacional para o mundo

O grafite, que se popularizou no meio underground das grandes cidades, teve como tela inicial os espaços públicos. Os jovens que deixavam suas marcas nas paredes das cidades evoluíram seus traçados até atingirem a técnica e os desenhos que transformaram o grafite em arte.

Introduzido no Brasil no final da década de 1970, o grafite por aqui ganhou toques nacionais e identidade própria. Os ingredientes que os brasileiros acrescentaram a esta arte ajudaram a popularizar no mundo todo o grafite verde e amarelo, que passou a ser reconhecido como um dos mais conceituados do planeta.

Conheça um pouco sobre os grafiteiros brasileiros que são respeitados e admirados no cenário mundial da arte.
Os grafiteiros brasileiros mais reconhecidos no mundo atendem pelo nome de OsGemeos. Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo nasceram em 1974 e possuem formação acadêmica em Desenho de Comunicação pela escola Técnica Estadual Carlos de Campos.
A arte d’OsGemeos é centrada na construção de um imaginário próprio e peculiar, com mistura de elementos do folclore nacional com outros ligados ao desenvolvimento da arte nascida nas ruas. As telas seguem a tradição do retrato, com personagens centrais em padrões multicoloridos. As instalações oníricas incorporam carros, barcos e bonecos sinéticos gigantes à pintura de parede em grande escala.
Em 1993, OsGemeos começaram a participar de mostras coletivas. Seis anos depois, suas criações entraram para o cenário internacional da arte urbana contemporânea, e também do circuito comercial, no Reino Unido, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Holanda, Cuba, Japão, China, Austrália e nos Estados Unidos, onde são representados pela Deitch Projects, a mesma galeria de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat.

Panmela Castro ou Anarkia Boladona, como é mais conhecida, é uma das grafiteiras que levanta a bandeira do feminismo em sua arte. A carioca, nascida e criada na Penha, subúrbio do Rio de Janeiro, espalha seus trabalhos desde 2006.

Dona de grafites com cores fortes, a intenção principal de Panmela em todos os seus trabalhos é buscar conscientizar que as mulheres não são propriedade do homem. Cheia de personalidade, em 2012, Panmela foi incluída na lista das '150 mulheres que movem o mundo', criada pela revista americana Newsweek, onde também aparece a presidente Dilma.

Estudei Belas Artes, mas me parecia fictício, com regras demais. Foi na rua, com os grafites, que encontrei minha liberdade. Gosto do lado efêmero da obra. Escolho o muro, faço meu desenho com meus personagens e o deixo aos demais. A rua decide, interage.

Se você conhece e aprecia a Street Art no Brasil e na América Latina, você deve muito a Binho Ribeiro. O artista foi um dos precursores da arte na região, já que ele começou no grafite em 1984.

Binho Ribeiro desenvolve um apelo singular de expressão, dando vida a todos os elementos de sua criação. Não é a toa que seu estilo arrojado ilustrou muitos produtos como também invadiu exposições em Los Angeles, Santiago, Paris, Buenos Aires, Beijing e Amsterdam, entre outros.

Nina nasceu em São Paulo em 1977 e começou a grafitar as ruas da cidade em 1992, sendo uma das pioneiras da street art no Brasil.

A artista faz parte do grupo que levou o grafite às galerias de arte e museus. Ela trabalha com pinturas em murais e telas, instalações e objetos feitos com materiais diversos, como látex, resina, plástico e tecido.

Os principais temas de seu trabalho são a infância.

Nina Pandolfo e suas meninas

Com apenas 11 anos de idade, Kobra iniciou sua carreira artística na periferia de São Paulo. Com a criação do estúdio Cobra em 1990, o artista ganhou destaque pelas suas qualidades como designer pelo realismo de suas pinturas. Sua ligação com o passado fez com que surgisse o projeto “Muro de Memórias” que busca transformar a paisagem urbana com referências de outras épocas. O projeto está presente em cidades como Atenas, Lyon, Londres, Nova York, Miami e Los Angeles.

Kobra, um expoente da neovanguarda paulista

As ruas e ateliês são os palcos das ilustrações detalhistas e inconfundíveis de Alex Senna. O artista busca transportar suas emoções para arte de uma forma rebuscada e tocante. Sua paixão de infância pelos quadrinhos influencia suas obras a ponto de torná-las originais por meio de riscos simples e preto e branco.

Seus trabalhos estão espalhados por São Paulo, Londres, Paris e Barcelona.

Francisco Rodrigues da Silva é “Nunca” no universo do grafite. Ao justificar seu codinome, ele explica que o lema de qualquer artista é dizer nunca as limitações culturais e mentais. É com esse pensamento que o artista já é um sucesso em toda a Europa e no Brasil. Com uma característica de desenho improvisado, sem muitos cálculos e proporções, Nunca tem obras expostas em varias galerias e ruas europeias.

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