AGUARDE
01 abril 2016

Keala Kennely, tem que respeitar

Havaiana se torna a primeira mulher a entrar na briga da categoria melhor tubo da temporada no XXL

Tricampeã do Billabong Women’s Best Overall Performance, Keala Kennelly entrou na história da principal premiação do surfe de ondas grandes ao ser finalista da categoria tubo da temporada 2015/2016.
Nesta disputa, na qual não há diferença de gênero, Keala desbancou dezenas de indicados para brigar contra Tom Butler, Greg Long, Mark Mathews e Ian Walsh pelo prêmio de US$ 10000,00 reservado ao grande campeão.
Keala Kennelly reencontrou Teahupoo em 2015. FotoTim McKenna
Mas quem acompanha a carreira desta surfista do Kauai de 37 anos, sabe que romper limites é seu forte. Afilhada do waterman, Laird Hamilton, Keala Kennelly se tornou surfista profissional aos 17 anos de idade. Na elite do surfe mundial, Keala passou 11 anos e chegou a ser vice-campeã da temporada de 2003.
Foi também em 2003, que Keala fez sua estreia na sétima arte. A havaiana que cresceu ao lado dos irmãos Irons, Bruce e Andy, interpretou ela mesma no filme A onda dos Sonhos, que também contou com participações dos surfistas Fredrick Pattachia e Kala Alexander.

Após o circuito de 2006, Keala resolveu abrir mão do circuito mundial de surfe para se dedicar a série da HBO John From Cincinnati, que ficou no ar apenas uma temporada. Longe das competições por esse período, Keala não quis voltar para o CT e fechou um acordo com seus patrocinadores para se dedicar a duas paixões: ondas grandes e música.
Keala Kennelly é tricampeã de eventos em Teahupoo. Foto: ASP
 
Keala Kennelly toca house e suas variações. Foto: Reprodução instagram
Keala Kennelly toca house e suas variações. Foto: Reprodução Instagram
Música sempre foi uma das paixões de Keala Kennelly que até hoje faz apresentações pelo mundo. Para quem se pergunta, qual é o gênero musical de uma das maiores surfistas de ondas grandes do mundo, a resposta está abaixo.

Apesar desta atuação paralela, Keala é o centro das atenções de verdade, quando o assunto são ondas grandes. A aptidão por mares mais pesados Keala carrega de família, o pai, que foi o maior incentivador de Keala nesta carreira também prefere as ondas grandes.

Lembranças do passado

"Eu me lembro que quando eu tinha uns 7 ou 8 anos, meu pai foi surfar num pico mais afastado e apesar de eu querer ir, ele me disse que as ondas estavam muito grandes para mim e que era para eu ficar com a minha mãe. Ela cochilou e eu aproveitei a oportunidade, peguei uma prancha do meu pai, fui para a praia e remei até o pico. Quando meu pai me viu, os olhos dele arregalaram . Apesar de querer me mandar de volta para casa naquele exato momento, depois daquela remada, ele entendeu que eu não poderia ir embora sem pegar uma onda. O mar deveria ter ondas entre 3 e 4 metros e eu realmente estava com medo, ao mesmo tempo que estava muito feliz de estar lá.

Meu pai me ajudou numas ondas menores, eu tomei algumas vacas, mas sai com um sorriso no rosto e vibrando ao lado do meu pai.


MOMENTOS MARCANTES NA CARREIRA

  • Primeira mulher a surfar Teahupoo de tow in

Em 2005, dois dias antes da abertura da janela de espera do Billabong Pro Teahupoo, alguns dos principais nomes do surfe de ondas grandes do mundo se divertiram na famosa bancada do Tahiti com ondas sólidas de até 4 metros.
Mas entre tantos surfistas, o nome mais comentado foi o de Keala que durante uma sessão pela manhã, se tornou a primeira mulher a fazer tow in em Teahupoo. A havaiana, que já colecionava três vitórias em Teahupoo na época do circuito mundial, foi aplaudida por todos e enaltecida pelo saudoso Andy Irons.

A Keala domina lá fora. Não acho que nenhuma outra atleta pode vencê-la em Teahupoo, ela é radical, encara os riscos e bota para baixo.

 

  • Vaca em Teahupoo

Diante de uma das maiores ondulações que já atingiu Teahupoo, Keala Kennelly se uniu aos principais nomes do surfe de ondas grandes do mundo e foi para o outside de Teahupoo em homeagem a Andy Irons. O clima naquele 27 de agosto de 2011 era tenso lá fora. As ondas assustavam, mas aos poucos cada um ia quebrando o gelo.
Depois de alguns tubos, Keala sofreu a pior vaca da vida.

Parecia uma onda normal. Viajei por um tempo no tubo e tive que negociar com a foamball, que me jogou para fora e me fez desenhar outra linha. Pensei que fosse sair do barrel, mas o lip bateu na minha cabeça e me jogou direto para o reef, antes mesmo de eu perceber o que havia acontecido.

Com a lateral direita do rosto desfigurada por conta dos cortes profundos nos corais, Keala foi levada ao principal hospital do Tahiti e após confirmarem que não havia nenhuma fratura nos ossos da cabeça e do pescoço, ela foi mandada para uma cirurgia reconstrutora. Mas antes disso, a foto divulgada por ela impressionou.
Essa imagem impressionou muita gente. Foto: internet
Essa imagem impressionou muita gente. Foto: internet
 

  • Tubo em Teahupoo 2015

Recuperada do susto, no final do mês de julho de 2015 Keala voltou para o Tahiti atraída por mais um swell promissor. Com muita atitude, Keala, que tinha desembarcado no Tahiti naquele dia, às 5 horas da manhã, nem pensou em descansar e logo foi para o mar.
Após uma longa espera, Keala foi bem seletiva e apostou numa bomba com cerca de 4,5 metros. A havaiana soltou a corda do jet-ski e colocou para dentro de um tubo inacreditável. Tudo parecia ir bem, mas Keala acabou sendo engolida.

Foi engraçado, porque estava meio chateada por ter esperado o dia todo para ter pego apenas uma onda e não ter saído do tubo. Quando voltei para o barco, meu amigo Brent estava enlouquecido e comemorando, dizendo que havia sido onda maior e mais pesada já surfada por uma garota. Pensei que ele estava apenas brincando comigo, até que ele me mostrou a foto e não me senti mais tão mal por não ter saído do tubo.

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