AGUARDE
21 março 2016

Kelvin Hoefler movido pelas 4 rodinhas

Conquista da Street League em 2015, grave fratura no início dessa temporada, recuperação e projetos que incentivam o skate amador nacional. Conheça melhor o jovem de 22 anos que vive pro skate dentro e fora das pistas.

Em 2011, o garoto nascido no Guarujá, litoral paulista, entrava para o time de profissionais dos carrinhos como promessa do skate nacional. 5 anos depois, ele é conhecido como um dos melhores skatistas da atualidade. Tetracampeão mundial de street, foi no ano passado que o brasileiro atingiu uma das maiores conquistas de sua carreira: venceu o Supercrown da Street League, em Chicago. Mas no início da temporada de 2016, nas vésperas do Tampa Pro, o guarujense caiu de skate, sofreu fraturas, passou por uma cirurgia e agora enfrenta uma dolorosa recuperação. Mesmo assim, ele segue confiante, focado em seus projetos voltados pro skate amador e ansioso pra voltar à ativa o mais breve possível, de preferência para competir ainda esse ano na SLS.

Luan Oliveira (BRA), Kelvin Hoefler (BRA) e Nyjah Huston (EUA), no pódio da SLS 2015.

- Em seu primeiro ano correndo a Street League (2015), você desbancou os maiores nomes do street no mundo e garantiu a vitória. Você esperava vencer como calouro? Qual foi o sentimento de levar esse título tão importante pra casa?

Olha eu não esperava ganhar no primeiro ano pois tudo leva tempo e confiança mas eu estava muito feliz com a pista do Supercrown pois gosto de obstáculo altos e grandes. Fiquei muito feliz de ter conseguido o título do Supercrown para o Brasil pois somos poucos representantes brasileiros na Liga.

- Como foi vencer caras como Nyjah Huston e Luan Oliveira?

O Nyjah pra mim é o cara mais completo do Skate ele é muito bom e sabe competir. O Luan Oliveira eu cresci competindo com ele no Brasil e já estou mais acostumado com ele pois já competimos juntos desde criança na época de Drop Dead.

- O Luan pareceu te apoiar bastante e comemorou muito sua vitória, como é a relação de vocês?

Gosto muito do Luan ele é o skatista mais carismático que eu conheço. Gosto muito de ver as video parte deles e ele é um ótimo representante do skate brasileiro lá fora. Muito humilde e sangue bom. Eu não convivi muito com ele pois ele mora no sul e eu morava no Guarujá mas sempre o encontrava nos eventos e nosso relacionamento sempre foi amigável.

Oliveira e Hoefler se divertem com dobradinha no pódio da SLS.

- Infelizmente, um pouco antes de começar o Tampa Pro, você se acidentou durante uma volta em um bowl de Los Angeles. Como foi o acidente? E como está sendo o processo de recuperação? Acha que poderá voltar às atividades em quanto tempo?

 
Sim foi um acontecimento muito triste na minha carreira mas isso não me desanima eu pretendo voltar o mais rápido possível. Passo todos os dias assistindo vídeos de skate e vendo as notícias diárias. Estou me recuperando bem e a dor está melhorando. Em breve estarei de volta, estou querendo retornar ao Street League ainda este ano.

Em sua conta no Instagram, Kelvin confirmou o acidente e pediu a oração dos fãs.

- Você foi um dos intermediadores do Damn Am que vai rolar em Santos, São Paulo, (28 e 30 de abril de 2016) o primeiro a ser realizado na América Latina. Como foi esse processo? Encontrou muitas dificuldades?

 

Sempre existem as dificuldades, ainda mais o nosso país, nessa crise e problemas políticos que se encontram no momento, mas consegui que a Qix International patrocinasse o evento. Sempre quis ajudar os amadores brasileiros a participar do Tampa ( o maior evento Am e Profissional do skate). Eu na época de amador tentei participar do evento e fui negado, mas eu não desisti e continuei tentando até eles me aceitarem. Esse evento vai ser muito bom para os amadores que queiram levar a carreira para o nível profissional. Dando chances para brasileiros a chegar na Liga um dia.

Estou bem ansioso para o Damn Am e espero abrir bastante oportunidades para os amadores brasileiros que não tem a chance de viajar até os EUA para competir.

- Por se dedicar a trazer eventos como este pro nosso país, você é visto como um grande apoiador do skate nacional. Fale um pouco sobre isso. Qual a importância do incentivo ao esporte? Quando você começou a andar de skate sentiu carência de incentivo e por isso hoje está trabalhando em prol desses iniciantes?

Existe muita falta de incentivo com os iniciantes, mirim, amadores, feminino. Acredito que essa seja a época mais carente na nossa carreira pois quando a gente se profissionaliza as coisas melhoram um pouco mas isso não significa que ficam fáceis. Como eu cresci em uma área bem carente de skate eu tento trazer um pouco de incentivo para a molecada pra eles não desistirem tão fácil pois a caminhada é longa e cheia de obstáculos.

- Pretende se envolver em outros projetos de apoio e incentivo como esse? Acha que algum outro grande campeonato é capaz de ancorar aqui no país?

Claro que o que der para eu fazer para o skate eu vou fazer cada vez mais. Tenho uma pista privada em Vicente de Carvalho no Guarujá. Tenho um projeto social com mais de 80 crianças da região onde ensinamos as crianças a andar de skate e como ser pessoas melhores. A pista foi criada por mim e pelo meu amigo o Alyson Dorgo no final de 2013. Agora campeonato estou focado apenas no Damn Am mas se existir outras oportunidades de eventos que vão trazer benefício para os skatistas brasileiros, porque nao?

Kelvin na inauguração de sua pista no Guarujá. Imagem: Divulgação

- Qual será o formato do Damn Am? Qual a sua expectativa pro campeonato e que mudanças você acha que vai trazer na vida dos amadores brasileiros que participarem?

 
O formato será o mesmo formato dos eventos do Damn Am americano. Serão 3 skatistas na pista por 3 minutos andando junto. 30 skatistas passam para a semi-final e 12 para a Final. Estou bem ansioso para o Damn Am e espero abrir bastante oportunidades para os amadores brasileiros que não tem a chance de viajar até os USA para competir.. agora eles vão ter uma chance de mostrar o talento.. o Damn Am está vindo até eles.

Como eu cresci em uma área bem carente de skate eu tento trazer um pouco de incentivo para a molecada pra eles não desistirem tão fácil pois a caminhada é longa e cheia de obstáculos.


- O que você está achando do time de skatistas Brasileiros que está crescendo e aparecendo cada vez mais por todo o mundo? (Você, Carlos Ribeiro, Felipe Gustavo, Luan Oliveira, Bufoni, etc )

 
Me sinto muito honrado de fazer parte desse time de brasileiros representando o skate em nível mundial. O skate brasileiro sempre foi bem representado pelo Bob Burnquist, Rodrigo Tx, Fabrizio Santos, André Genovesi, Lucio Mosquito, Adelmo Jr . Somos apenas as sementes que esses skatistas plantaram no passado. Tenho muito agradecimento por eles que vieram na nossa frente e deixaram uma ótima impressão de skatistas brasileiros.

Kelvin em ação na grande final da Street League.

- Pra encerrar, monta pra a gente uma mini-playlist ideal pra um rolé de skate.

Racionais - Oitavo Anjo
Iron Maiden - Run to the Hills
Frank Sinatra - New York New York
Easy-E - Boys in Da Hood
N. W. A - straight out of Compton

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