AGUARDE
02 outubro 2014

Lado B: Jessé Mendes

Conheça as pranchas mais curiosas da coleção do top do WQS. Da vencedora de 40 mil dólares às miniaturas que hoje não sustentariam nem seu dedão do pé.

Jessé já usou muitas pranchas brasileiras, mas há cerca de dois anos confia no californiano Matt Biolos para construir seus foguetes. Esta prancha foi feita basicamente com as dimensões mais usadas por ele no dia-a-dia. A única diferença é a expessura, um pouco mais fina que o habitual. Jessé só havia surfado com ela quatro vezes antes de competir no Açores Pro, etapa Prime do WQS na qual foi campeão. Estreei essa prancha em casa, na praia do Tombo, e depois surfei com ela só mais três vezes: duas em Balito (África do Sul) e uma vez antes do campeonato começar nos Açores. Na verdade, nunca havia competido com ela! Fiz 40 mil dólares com essa prancha. Na verdade, nunca havia competido com ela! Fiz 40 mil dólares com essa prancha. Apesar da rentabilidade da tal F1 Stub, não foi amor à primeira vista. No começo ela parecia boa. Ela é muito rápida mas solta demais, tinha medo do meu surfe parecer picado pra quem vê de fora (juízes). Como ela é mais fina que minhas outras pranchas, percebi que não podia colocar o pé nela com força em todos os momentos. Então passei a me preocupar em coloca-la nos lugares certos da onda pro meu surfe aparecer mais. Quando aprendi a surfar com ela ficou animal! Tudo isso em um intervalo de cinco caídas em três países diferentes. O resto foi na hora do vamos ver, na frente dos juízes, durante o tempo de bateria. Nada mal.  

Eu mandei fazer essa mono porque estava meio saturado de ficar surfando com minhas pranchas high-performance, sentindo o mesmo feeling em baixo do pé. Sempre lembrava de você falando que a mono do Kareca (shaper da Shine Surfboards) era muito animal! Aí eu fiz uma e todas as vezes que fico meio sem motivação pra surfar e de saco cheio, caio com ela e me divirto de verdade! Fico amarradão no surfe de novo. É bom ter sensações diferentes com essas pranchas, parece que renova o surfe. Uso essa mono em casa normalmente, em qualquer mar, inclusive ela anda muito em mar ruim! Levo ela em viagem de freesurf, mas só tive oportunidade de leva-la pro Peru até agora. Aliás, ela andou muito em Lobitos! É bom ter sensações diferentes com essas pranchas, parece que renova o surfe.    

Com apenas cinco anos de idade Jessé já surfava melhor do que muito marmanjo. Não é exagero não. Lembro que o pai dele usava pés-de-pato enormes pra impulsioná-lo antes do drop. Ele simplesmente não tinha força suficiente pra remar e entrar na onda. Seu pai nadava atrás dele como se fosse um motor de popa. Mas depois do tow-in orgânico ele ia embora, que nem um boneco de controle remoto. Batidas, rasgadas, cutbakcks, era impressionante. Diferente da galera que começou a surfar com a prancha do irmão mais velho ou com o que sobrava na beira da praia, Jessé já tinha pranchas feitas sob medida antes mesmo de sair das fraldas. O shaper catarinense Mario Ferminio o patrocinou durante a infância e fazia as miniaturas de Epoxy do então pequeno moleque loirinho da praia do Tombo. Duas sobreviventes daquele tempo estão guardadas no seu rack, empoeiradas e quase esquecidas entre mais de 20 outras pranchas muito mais novas que elas. Minhas pranchas pequenas eu tenho há 15 anos mais ou menos. E na época que comecei a surfar elas eram pranchas normais! É engraçado, eu pego elas hoje e parece um brinquedo, enfeite de parede, daqueles que você compra quando vai pra Mentawai.

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