AGUARDE
03 setembro 2014

London Calling

Um disco que nunca parou de tocar

Mais um disco da série, Discoteca básica do surfista

The Clash - London Calling (CBS/Inglaterra/1979)

 

'When they kick at your front door

How you gonna come?

With your hands on your head

Or on the trigger of your gun'

 

A melodia do baixo de Paul Simonon é talvez a mais influente dos tempos modernos, todos querem o tum-tum-tum de Guns of Brixton, aquilo é viciante - nocivo.

Em 1979 o punk já não assustava mais do que nos loucos anos de 76/77, alguma coisa tinha amenizado a violência, interesses comerciais começavam a ditar direções para toda aquela contestação desvairada.

Em lugares distintos os tres acordes e a atitude de tocar por tocar simplesmente não eram mais suficientes.

Foi um grande ano, 1979...

Sarcasmo do Entertainment dos Gang of Four, escuridão do Unknown Pleasures dos Joy Division, pancadaria do Singles Going steady dos Buzzcocks, estranheza genial do Fear of music dos Talking Heads, fúria criativa dos Damned no Machine gun etiquette crítica bem humorada na estréia dos Specials...

Fervia o mundo da música (até os coroas do Pink Floyd fizeram um discaço, The Wall), fervia o mundo do surfe com a solidificação do surfe profissional.

Mark Richards começava sua incrível corrida para vencer inimagináveis quatro títulos mundias seguidos, um havaiano de pele escura, Dane Kealoha, ganhava um evento dominado por brancos há mais de 20 anos e quase não consegue pegar seu prêmio, perseguido pelo apartheid. Cheyne iniciava sua viagem sem volta pelo mundo da psicodelia, Rabbit incorporava Bowie, Byrne e...Clash!

 

[caption id="attachment_6810" align="alignright" width="980"]Quatro bons homens maus Quatro bons homens maus[/caption]

'I'm all lost in the supermarket

I can no longer shop happily

I came in her for that special offer

A guaranteed personality'

 

Duma hora pra outra o Clash deixava de ser uma surpresa e tornava-se a maior banda do planeta.

Aquilo não era música de mensagem, era pau puro, diversão e energia bruta arrancada pelas mãos dum produtor ensandecido, Guy Stevens.

Joe Strummer e Mick Jones subiam - chutando!-  do degrau de meros punks ao patamar de rock'n roll ao lado de duplas como Jagger/Richards e Lennon/McCartney, na base da força bruta e da absurda capacidade que a banda tinha de absorver ritmos de todos lados, principalmente das colônias inglesas no Caribe.

London Calling é o Physical Graffiti da geração que desabrochava, um disco poderoso, pesado e divertido, embora com uma consciência política inadmissível para aquele bando de vagabundos.

Clash se detia para falar da guerra civil espanhola (Spanish Bombs), atacar o governo (Clampdown), esculhambar a Coca-cola (Koka Kola), brincavam com o rockabilly (Brand new Cadillac), estava tudo lá, Ska, Roots, Dub, Reggae, Disco, Pop.

Uma nova onda de australianos, havaianos e brasileiros vislumbrava o circuito mundial como uma saída para vidinha aborrecida e sem metas da beira de praia e preparava um ataque que detonaria um boom do surfe nos anos 80 sem precedentes.

Novos cortes de cabelo significavam tambem novas formas de destruir ondas.

Carroll, Dane, Engel, Cauli, Critta Byrne, Banksy, Hans Hedeman, Valdir, Fred, Curren, Pottz, Kong traziam, cada um do seu jeito, uma forma de rebeldia.

Mangas arrancadas, roupas que diziam alguma coisa, a mudança estava por todo lado.

Death or glory era a palavra de ordem, esteja onde estiver, gritava o insano Joe Strummer para quisesse escutar.

E ninguem escapou desse album.

 

'The voices in your head are calling

Stop wasting your time, there's nothing coming

Only a fool would think someone could save you

The men at the factory are old and cunning

You don't owe nothing, so boy get runnin'

It's the best years of your life they want to steal'

 

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