AGUARDE
14 julho 2016

Luto no cinema

Diretor Hector Babenco morre aos 70 anos em São Paulo

Eu queria morrer dirigindo uma cena

a frase dita por Hector Babenco para um site durante o lançamento de seu último filme (Meu amigo Hindu) expressa o amor ao cinema deste diretor brasileiro nascido na Argentina que faleceu na noite de quarta-feira, 13 de julho, após uma parada cardíaca.
Apesar de ter feito questão de afirmar que “Meu amigo hindu” não era um filme autobiográfico durante o lançamento do longa em março de 2016, Babenco levou para o cinema um roteiro com detalhes e histórias que aproximam muito o personagem Diego, que foi interpretado por Willem Dafoe, do diretor.

A paixão de Babenco pelo cinema aconteceu quase que por acaso. Nascido em Mar Del Plata, na Argentina, Hector Babenco foi para a Guerra na Europa e depois foi parar em São Paulo, sem ter o segundo grau completo. Com trabalhos variados como: vendedor e carregador de malas, Babenco estava num ônibus, quando se deparou com uma construção que chamou a atenção dele, era o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Encantado com a arquitetura do lugar, Babenco conseguiu autorização para fazer um filme sobre MASP. A partir dessa experiência, o interesse por cinema tinha se transformado em paixão. Depois de ter realizado filmes como O fabuloso Fittipaldi, O rei da noite e Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, Babenco conheceu mais de perto o contraste brasileiro com Pixote: A lei do mais fraco.
Diversos críticos elegeram "Pixote: a lei do mais fraco"como um dos dez melhores filmes do ano. FOTO: Reprodução internet

Diversos críticos elegeram "Pixote: a lei do mais fraco" como um dos dez melhores filmes do ano. FOTO: Reprodução internet

Já nos Estados Unidos, em 1985 Babenco rodou em inglês, O beijo da mulher Aranha. Na trama Willian Hurt interpretou a travesti Molina, que condenada à prisão por sedução de menor divide a cela com um preso político. O filme que trata de amor, mas também é uma crítica social e política caiu nas graças do público e da crítica e Hector Babenco se tornou o primeiro diretor latino-americano a receber uma indicação ao Oscar. Babenco não levou a estatueta, mas Willian Hurt representou muito bem o filme com o prêmio de melhor ator.

Nos anos 1990, Babenco foi diagnosticado com câncer no sistema linfático e iniciou uma longa luta contra a doença. O resultado cinematográfico desta época difícil para o diretor foi Coração Iluminado, de 1998. O roteiro conta a história de um homem que, depois de 20 anos, volta a Buenos Aires para visitar o pai doente.
Nesse período de tratamento contra o câncer, Babenco foi tratado pelo oncologista Dráuzio Varella, que, na época, trabalhava no presídio Carandiru. Essa experiência com os detentos fez Dráuzio escrever o livro Estação Carandiru, que depois inspirou o filme Carandiru, de Hector Babenco.

Meu olhar sempre foi de indignação perante a injustiça brasileira, tentei me rebelar, modestamente, dentro dos meus critérios, por meio dos meus filmes.

Apesar dos erros do Brasil que Babenco sempre quis ajudar a consertar através da sétima arte, sair do país nunca passou pela cabeça deste diretor que corrigia quem insistia em chamá-lo de argentino naturalizado brasileiro: “sou um brasileiro nascido na Argentina”.

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