AGUARDE
16 março 2015

Ninguém sabe ninguém viu

Dupla de convidados da etapa de Snapper Rocks, formada por Dane Reynolds e Jack Freestone passou despercebida pela maioria dos expectadores.

Tradicionalmente, em cada parada do Tour, a organização do evento em questão tem direito a dois convites para completar os 36 surfistas que brigam pelo título de cada etapa. Ou o cara é simplesmente convidado pelo patrocinador, que foi o caso de norte-americano Dane Reynolds ou então passa por uma triagem local e apenas o primeiro colocado garante seu nome, o que aconteceu com Jack Freestone.

Dane Reynolds é aquele surfista imprevisível, que pode fazer estragos ao longo de um campeonato ou então decepcionar e não passar uma bateria. Desde 2009, com excessão de 2011, o norte-americano participa do evento de Snapper e sua melhor aparição aconteceu em 2010, quando terminou nas semifinais. De lá pra cá, o freesurfer declarado desde que abandonou o circuito em 2011 não conseguiu passar da terceira rodada. Mas neste ano de 2015 a sua participação foi ainda mais constrangedora e perdeu na segunda fase para Mick Fanning com um surfe lento e pesado, longe daquele que já o colocou entre os melhores do mundo. Vale lembrar que na rodada de abertura ele foi um mero expectador na bateria que envolveu ainda os brasileiros Gabriel Medina e Wiggolly Dantas.

Dane Reynolds exibiu um surfe longo do esperado - Foto: WSL

Questionado pelo big-rider e repórter da WSL, Peter Mel, se iria competir outros eventos, ele despistou e voltou a falar que participou desse por conta do convite concedido pela Quiksilver e ainda disse mais. Que após a apresentação muito abaixo da média, será difícil ser convidado novamente. Mas vamos aliviar, até porque o mar estava super difícil, com ondas pequenas e demoradas e isso não combina com Dane. Se tivessem altas ondas a história poderia ser outra. Quem não se lembra do WCT da França em 2012 quando ele travou uma final épica com tubos clássicos contra o mito Kelly Slater. Pois é. Com ondas de verdade Dane será sempre uma ameaça.

Em 2012 Dane travou uma final épica contra Slater na etapa francesa do Tour - Foto: Joli

O outro convidado do evento e que fez uma apresentação um pouco mais convincente foi o australiano Jack Freestone. Depois de superar seus compatriotas Nathan Hedge e Garrett Parkes, além do brasileiro Jessé Mendes na final das Triagens para o campeonato, Jack teria a difícil missão de cair contra o tricampeão mundial, Mick Fanning e o embalado estreante no WCT, Matt Banting. Com as credenciais de ser bicampeão mundial Pro Jr. da ASP e de quase ter se classificado para elite nesta temporada, Jack surfou bem e mostrou que pode facilmente ocupar a vaga de um desses veteranos que já não acompanham mais o ritmo da nova geração.

Jack Freestone venceu as triagens com manobras do calibre desta aí acima - Foto: WSL

Foi para segunda rodada, e num mar pequeno, tinha tudo pra ganhar do 11 vezes melhor do mundo Kelly Slater. Mas com seus mais de 20 anos de experiência, sabendo das difíceis condições, Slater tratou de fazer o clássico feijão com arroz, pegou as maiores ondas da bateria e passou sem muitas dificuldades. Diríamos que Jack perdeu uma ótima oportunidade de vencer o maior surfista de todos os tempos, mas de uma maneira geral, deu pra perceber que é uma questão de tempo para o australiano figurar entre as estrelas do Tour.

Na segunda fase Freestone esbarrou na experiência do 11 vezes melhor do mundo - Foto: WSL

Essa foi apenas a primeira das 11 etapas do circuito nesta temporada de 2015 e até o final do ano, vários convidados poderão fazer estragos e escrever um capítulo a parte. Vale lembrar que a WSL mudou as regras de pontuação e agora esses mesmo convidados poderão somar seus pontos no ranking da divisão de acesso, sendo assim uma ótima oportunidade de garantir uma pontuação extra na briga pela cobiçada vaga no WCT.

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