AGUARDE
30 junho 2015

Novos membros da esquina que ganhou o mundo

Por Marcelo Aragão

 

Com o objetivo de lançar uma nova luz sobre a já consagrada obra dos mineiros integrantes do Clube da Esquina, (a saber: Milton Nascimento, Lô Borges, Flávio Venturini, Beto Guedes, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Nelson Angelo e o letrista gênio Fernando Brant), a produtora Toca Vídeo idealizou o projeto Mar Azul, onde 11 artistas impõem suas personalidades e trazem para seus universos o cancioneiro mineiro, que marcou uma época e colocou Minas no mapa da música brasileira. Todas as gravações foram registradas e transformadas em pequenos filmes disponíveis no site da produtora no Youtube.

A lista de convidados conta com novos nomes da cena nacional e também figuras já conhecidas do público que curte música brasileira. O repertório foi escolhido com a aprovação do elenco, que muitas vezes subverteu a primeira sugestão e seguiu outro caminho. Foi o caso do grupo vocal Ordinarius, que resolveu ficar com “Nada Será Como Antes”. Os seis integrantes executam um arranjo incrível, sem harmonia, com uma competência absurda e surpreendente.

Já o capixaba SILVA, mago do eletrônico, desnudou sua forma de execução e mesmo assim trouxe “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo” para seu universo, cantando lindamente, sem deixar pra trás seu DNA, o dele e o dos mineiros.

Mais um instrumentista completo, mais um capixaba e mais um petardo: Lucas Arruda resolveu mexer num vespeiro e fez “Fazenda”só com seu violão. A bela canção que abre o álbum “Geraes (1976)” de Milton Nascimento, tinha tudo pra não permitir uma segunda visita aos seus versos e harmonia tão bem estruturadas no perfeito arranjo e execução da versão original. Mas talvez o grande mérito desse projeto tenha sido a falta de pudor do cast em não levar esse tipo de critério em consideração. É difícil regravar? É difícil regravar. Mas ficou bom? Ficou incrível.

Dá pra ouvir/ver todo o projeto no site da produtora Toca Video no Youtube. Ainda tem Paulinho Moska, Pedro Luís, Maíra Freitas, Dani Black, Júlia Vargas, Michele Leal, César Lacerda e João Bittencourt. Tire suas próprias conclusões, discorde ou concorde comigo, comente aí em baixo, e eu não poderia deixar de citar o falecimento do genial Fernando Brant, letrista de alguns dos maiores clássicos da geração Minas 72, poucos dias antes do lançamento do projeto, o que eleva o patamar do tributo e reforça a importância e atemporalidade dessa obra.

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