AGUARDE
26 novembro 2014

O festival dos marginais

Turbu Unicórnio Classic 2014 - fotos e histórias de uma festa de surfe

Cara, isso aqui tá demais! Só tem os marginais do surfe! disse John Maggrath sentado embaixo de um guarda-sol enquanto colocava mais uma colher de açaí na boca. Já passava da uma tarde em uma ensolarada quarta-feira e nenhum dos quase trinta que compareceram estavam preocupados com o horário comercial. Calma, ninguém era foragido da justiça ou cometeu algum crime (não que eu saiba pelo menos). Éramos marginais no sentido literal: à margem, fora do centro, longe dos holofotes. Freesurfers, shapers, artistas, surfistas profissionais e profissionais do surfe - um encontro de amigos, uma festa, um festival. A ideia de Caio Casasco e Kaká Orlandi, fundadores da Turbu, surgiu durante uma rodada de cervejas no ano passado. Vamos juntar a galera e ir pra praia com várias pranchas e ficar lá o dia inteiro, surfando, comendo, bebendo e dando risada? Assim aconteceu a primeira edição do Turbu Unicórnio Classic, em 2013. Na última quarta-feira (18) a galera se reuniu novamente com o mesmo intuito. Os mais chegados apareceram: Andrew Serrano, Cassio Sanches e John Maggrath, que por sua vez convidaram mais amigos que trouxeram amigas, namoradas e mais cerveja. Lembro que também vi por lá o Leco Salazar, Neco Carbone e seu filho, Rodrigo Matsuda, Fábio Burns, Diniz "Pardal" Iozi... Enfim, tudo ficou um pouco confuso depois das 14h. Regra número um: não existem regras. Cada um trouxe suas pranchas mais esquisitas. Ao todo eram quase cinquenta mas nenhuma era igual a outra. Triquilhas eram raridade e o comprimento das danadas que tomaram conta da areia variava entre 5'2" e 9'8". Outlines experimentais, protótipos, tocos e pranchas mágicas. O que antes estava esquecido na garagem ou pendurado em um museu matou a saudade do mar. O que antes estava esquecido na garagem ou pendurado em um museu matou a saudade do mar. Havia comida, bebida, uma caixa cheia de parafinas Fu-Wax e outras cositas más. Tudo free. Pra todo mundo usar, pegar emprestado, experimentar. As ondas poderiam estar melhores? Poderiam. Mas não foi suficiente para arranhar a diversão. Conforme o dia avançava o efeito das substâncias ingeridas faziam efeito e lá do outro canto da praia vazia podiam ouvir nossas gargalhadas. Cinco equipes foram formadas. Os integrantes de cada uma delas ninguém lembra quem eram. Muita gente virou a casaca, jogou a camiseta fora ou a usou pra proteger a patroa do sol. A palavra competição apareceu uma ou duas vezes mas ninguém deu bola. Categorias foram criadas, como a Unicórnio Extravaganza, Troféu Medina, Prêmio João Cana Brava, Best Tubo, Macho Alfa... Quem descansava entre uma caída e outra registrava os melhores momentos escrevendo no banner. A cada vaca, escorregão, aéreo na junção ou hang ten um novo rabisco aparecia. No final do dia, quando o gelo do isopor virou água e se misturou com a areia, cada um voltou pra sua casa. Promessas de pegar onda na manhã seguinte foram feitas mas duvido que alguém as tenha cumprido. Outros combinaram uma comemoração na mesma noite, com mais cerveja, entrega de prêmios, queima de fogos... mas ninguém consegue se lembrar se realmente aconteceu. Esse foi 2º Turbu Unicórnio Classic. No ano que vem tem mais.     Fotos: Alexandre Ruas / Turbu

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