AGUARDE
26 abril 2017

Os 10 maiores surfistas brasileiros de ondas grandes

Seleção tão delicada que contou com a ajuda de especialistas.

# 10 - Marcio Freire 
O baiano, que faz parte dos Mad Dogs representa a essência do amor pelo surfe de ondas grandes. Longe do glamour que povoa o imaginário das pessoas quando se fala desta modalidade, Marcio saiu de casa em busca de seus sonhos e para se aprimorar no surfe de ondas grandes, montou sua base no Havaí. 
Foi lá, numa época em que o surfe de tow in estava ganhando força, que Márcio resolveu investir na remada para se aprimorar. Em busca deste refinamento, ele e seus amigos não mediaram esforços e foram ampliando os limites, até que encararam Jaws na remada.
Uma das ondas mais temidas do planeta, que até então só era encarada de tow-in passou a ser desafiada na remada e isso criou um novo patamar para o surfe de ondas grandes, explorando ainda mais o limite dos homens.

Tem que ser muito casca grossa para aguentar um caudo desse!

# 9 - Pedro Calado
Com apenas 20 anos de idade, já ganhou espaço entre os maiores big riders brasileiros de todos os tempos. O jeito tímido desse garoto disfarça a coragem com que ele desafia verdadeiras ladeiras de água salgada pelo mundo. O auge do Pedro aconteceu no início de 2016, quando ele encarou uma das maiores ondas já surfadas em Jaws. Imaginem o que é para um brasileiro desbravar na remada uma bomba de uns 15 metros e ainda por cima ganhar elogios até do mestre havaiano Shane Dorian. O feito do Pedro rendeu a ele uma indicação - "A maior onda da temporada no XXL", maior premiação do big surfe no mundo. Mesmo sem levar o prêmio, que terminou com o inglês Aaron Gold, que encarou Jaws no mesmo dia clássico que Pedro, o brasileiro entrou no centro dos holofotes do surfe de ondas grandes e por isso foi convidado a participar da etapa de Puerto Escondido do circuito mundial de ondas grandes do tour 2016/2017. A atuação de Pedro, que terminou em terceiro, só confirmou que ele tem talento e promete fazer mais história.

O carioca foi o vice campeão do mundial de ondas grandes de 2016. Lembrando que foi a primeira vez que ele participou de todas as etapas.

# 8 - Eraldo Gueiros 
 A coragem de Eraldo ganhou força na época do tow in e foi ao lado do conterrâneo e amigo, Carlos Burle, que Eraldo se tornou um dos principais nomes do surfe rebocado em todo o planeta e já no primeiro campeonato mundial deste estilo, Eraldo e Burle garantiram a terceira colocação. A aptidão para esse tipo de onda o levou para Jaws, a meca das ondas grandes, onde ele encarava as ladeiras de água salgada com ajuda do jet ski e nos dias menores cai na remada, para manter o surfe em dia. Eraldo estampou a capa do "The Maui News" com uma direita impressionante. Hoje em dia, para ele, o surfe virou lazer.
Entre seus feitos, não vamos deixar o prêmio no Big Trip 2002 passar em branco. A premiação bancada pela revista Trip, que premiava a maior onda surfada na remada por um brasileiro na temporada, elegeu a bomba que o pernambucano encarou em Mavericks como a melhor do período.

# 7 - Renan Pitanguy
O carioca de confiança altíssima não costumava amarelar para os desafios. Renan fez parte do Brazilian Nuts, movimento que desbravou o Havaí, numa época, na qual o preconceito ditava o ritmo. Faixa preta de jiu-jitsu, encarava Pipeline e Waimea em dias clássicos na cara a na coragem, assim como não amarelava para grandes eventos de vale tudo. 
A coragem de Renan rendeu a ele alguns registros marcantes, que com certeza serviu de estimulo para uma geração que começou a pensar no Havaí como um sonho possível também para os brasileiros. O jeito atirado, dropando lá no pico de Banzai Pipeline e, principalmente, o estilo e a "base" que ele tinha em cima da prancha, renderam à ele o apelido que ele carrega até hoje -  "The Crab", ou seja "O Caranguejo"! 

Fotos: Fedoca Lima

# 6 - Everaldo Pato 
O interesse por ondas grandes de Everaldo Teixeira, conhecido como Everaldo Pato, nasceu no mesmo momento em que ele descobriu o surfe. Ainda um novato no esporte, Pato já enfrentou ondas de até 2 metros em Penha, Santa Catarina. E foi assim, encarando ondas grandes como normais, que Pato começou a viajar em busca de desafios cada vez maiores. Em 1995, o surfista se destacou no mundo todo com uma bomba em Scar Reef
Pato já encarou bombas impressionantes ao redor do mundo e é com essa coragem e dedicação que o Pato garantiu a nossa sexta colocação.

# 5 - Yuri Soledade 

O brasileiro que também é um Mad Dog, venceu o badalado XXL Awards 2016, na categoria de maior onda com uma bomba surfada em Jaws. Yuri é referencia quando estamos falando de brasileiros no universo do surfe de ondas grandes. Nascido em Ilhéus, na Bahia, não vem de berço esplêndido, por isso ele faz questão de afirmar que quando uma pessoa se dedica aos seus objetivos com uma boa energia, as coisas acontecem. E para ele realmente aconteceram. Assim como muitos surfistas, o sonho do Yuri era conhecer o Havaí e esse sonho foi realizado depois que ele ganhou um campeonato de surfe, que dava como prêmio uma passagem para a meca do surfe mundial.

No Havaí, disposto a passar dois meses, Yuri não tinha dinheiro, não falava inglês, mas apaixonado pelas ondas e se dedicando a trabalhos como jardinagem, auxiliar de cozinha,  faxina..., que ele foi ficando. Com família formada, legalizado e sócio do restaurante onde ele começou como auxiliar de serviços gerais, Yuri seguiu se dedicando a ondas grandes e gigantes, principalmente no temido pico chamado Jaws. É na temida onda que o baiano se sente em casa onde impressiona pela coragem, técnica e estilo.

# 4 - Danilo Couto 
 Ao lado dos amigos Yuri Soledade e Marcio Freire, Danilo Couto ajudou a ampliar os limites do surfe de ondas grandes na remada. Numa época em que o tow in ganhava força, o trio de Baianos mostrou que a máquina estava entrando em cena, antes do ser humano realmente chegar no limite da que a remada. Ter conquistado no braço a monstruosa onda de Jaws, uma das ondas mais técnicas e perigosas do mundo, Danilo foi para o centro de um holofote que há tempo não era de um brasileiro, conquistou o prêmio mais cobiçado do XXL Awards, a categoria onda do ano com uma verdadeira bomba que ele dropou pra direita em Jaws e ainda levou um prêmio em dinheiro de US$ 50 mil!

Depois de ter sido finalista em outras 5 edições, em 2011 Danilo não deixou margem para dúvidas e o mundo se reverenciou diante do brasileiro, que apesar de morar no Havaí, roda o mundo em busca de desafios cada vez maiores. Para a gente ter noção da relevância mundial do Danilo, ele costuma dar de vez em quando um treinamento no North Shore, que é muito concorrido por surfistas do mundo inteiro.

# 3 - Ricardo Bocão
Integrante dos originais Brazilian Nuts, ao lado de Renan Pitangui, Pepê Lopes, Otávio Pacheco e outros, Ricardo Bocão chamava a atenção pela coragem diante das ondas grandes desde os anos 1970. Depois de encarar, ainda novo, ondas pesadas em Copacabana, Saquarema e Peru, Bocão partiu para o Havaí e se encantou pelo verdadeiro big surf. O talento e a coragem do carioca chamou a atenção também dos havaianos, que o convidaram três anos seguidos para o evento em homenagem a Eddie Aikau. Considerado até o hoje o maior campeonato de ondas grandes do mundo, a disputa que só rola quando as ondas passam de 7 metros na Baía de Waimea, não aconteceu nos três anos em que ele foi convidado, entre 1992 e 94. Mesmo assim Ricardo Bocão entrou para a história como o primeiro brasileiro a ser convidado para o evento. A paixão pelo surfe de ondas grandes segue lado a lado no coração do Bocão com a paixão pelo surfe em ondas de qualquer tamanho e pelo Kitesurf. Com um fôlego de quem tem uns 20 anos de idade, Bocão e sua coragem voltaram a ser notícia no mundo inteiro, quando em 2014, aos 60 anos de idade, ele seguiu com surfistas bem mais novos para encarar Jaws, no Havaí, pela primeira vez. Para quem está começando, a disposição de Ricardo Bocão até hoje impressiona e comprova que o surfe é uma das mais importantes fontes da juventude.

# 2 - Rodrigo Resende 
 “The Monster: Rodrigo Resende”.

O médico, que descobriu no surfe de ondas grandes a inspiração para sua vida, coleciona alguns títulos relevantes como o troféu do primeiro mundial de tow-in, que aconteceu em 2002.
Na disputa, Rodrigo Resende, que fez dupla com Garrett McNamara, dropou uma bomba assustadora em Jaws, no Havaí, e com isso garantiu para ele e para o companheiro além do troféu um cheque de 70 mil dólares. 
Mas os feitos do Monster não param por aí. A revista Trip fez do final dos anos 1990 até o início dos anos 2000 um concurso que premiava o surfista brasileiro que pegasse a maior onda da temporada. Desta disputa, Rodrigo saiu com o título 3 vezes: 1999, 2000 e 2001.
Em 2012, Rodrigo Resende passou por uma cirurgia na coluna e o tempo longe do mar o reaproximou da medicina. Agora com uma pós graduação em cardiologia, Rodrigo Resende divide a paixão pelo surfe com o amor pela medicina. 
O talento e a coragem deste surfista o tornaram uma pessoa admirada por quem vive o surfe de ondas grandes de verdade.  

# 1 - Carlos Burle 
Pernambucano, radicado no Rio de Janeiro, Carlos Burle apesar de ter começado a carreira nas competições tradicionais, a aptidão de Burle por ondas maiores logo o levaram para um caminho diferente. No universo do Big Surf, ele inspirou e inspira uma geração, na verdade, Carlos Burle vai além, ele incentiva novos praticantes. É a dedicação dele que fez surgirem nomes brasileiros  nesse universo como o da Maya Gabeira, o do Felipe Cesarano, o do Pedro Scooby e por aí vai. Por isso, antes de destacar a habilidade dele em dominar paredões de água, a gente precisa ressaltar esse dom de passar adiante o que ele, muitas vezes aprendeu na marra e sozinho. Isso é ter uma visão do esporte pelo esporte e não pelo próprio umbigo. Enquanto existem pessoas que acham que o sucesso alheio é uma ameaça, o Burle descobriu que no surfe de ondas grades a disseminação da modalidade é o crescimento para todos.

Chegando nos títulos, Burle é campeão do Campeonato Mundial de ondas grandes na remada de 1998, terceiro colocado no mundial de town in que rolou em Jaws em 2002, campeão de maior onda na remada do XXL de 2002, campeão do Red Bull Big Wave Africa 2005 e campeão mundial do Big Wave tour 2009/2010. Esses são alguns títulos deste surfista de ondas grandes que é uma referencia mundial.

 

Nesta seleção tão delicada, a gente contou com a opinião de um colégio eleitoral para lá de especial. Só para citar alguns nomes que participaram desta eleição, além dos nossos especialistas, vamos destacar Carlos Burle, Yuri Soledade e Rodrigo Resende.

Tags:
COMPARTILHAR