AGUARDE
15 março 2018

Pantera Negra, surfe e representatividade

Por Érica Prado

No dia 15 de fevereiro o filme Pantera Negra estreou nos cinemas no mundo inteiro e dias depois só se falava em Wakanda. O primeiro filme da Marvel com elenco de maioria negra causou um verdadeiro estrondo no universo da sétima arte. O longa dirigido por Ryan Coogler é ambientado numa comunidade livre de preconceito racial e altamente tecnológica, um verdadeiro sonho. Enquanto algumas pessoas perderam tempo falando que idolatrar a produção é mimimi e que esse papo de  representatividade é bobagem, o filme protagonizado por Chadwick Boseman bateu recorde atrás de recorde. Para se ter uma ideia, o fenômeno Pantera Negra está entre as 20 maiores bilheterias mundiais da história e já arrecadou 1 bilhão de dólares em apenas 1 mês de exibição. 

Assista o trailer de Pantera Negra:

 

Agora falando de surfe, quem é o seu herói? Não estamos em Wakanda e o fato é que aqui no Brasil as coisas funcionam de forma bem diferente. Talvez isso justifique o fato dos amantes do esporte não idolatrarem alguns caras que fizeram história. Eu estava nascendo quando o baiano Jojó de Olivença conquistou seu primeiro título brasileiro de surfe profissional em 1988. Quatro anos depois ele obteve o bicampeonato no mesmo circuito e entre 1994 e 1998 integrou a elite do surfe mundial. O fato é que nessa época eu ainda não tinha dropado a minha primeira onda, mas quando eu comecei a competir, em 2003, Jojó foi uma referência para mim. Assim como a paulista Suelen Naraisa (Bicampeã brasileira de surfe profissional) e o cearense Claudemir Lima (Vice-campeão brasileiro de 2001). Eu sempre gostei da ideia de vê-los no topo do pódio, rolava uma identificação. Essa representatividade sempre foi importante para mim.

Suelen Naraisa / Foto: Mariana Piccoli

 

Em meio a ascensão do Pantera Negra, Michael February, um sul-africano negro, garantiu a entrada no cultuado Championship Tour. Em 2017 ele terminou em 15º lugar no ranking de acesso ao CT e esse ano ele era o primeiro substituto na lista da World Surf League. Quando Mick Fanning anunciou que se aposentaria, após a prova de Bells, a WSL recrutou February para o circuito a partir da prova de Margaret River. Mas o desfalque de Kelly Slater na primeira etapa do ano antecipou a estreia de Michael entre os melhores do mundo. Ele chega em boa hora, tendo em vista que Wiggolly Dantas, único surfista negro no tour entre os anos de 2015 e 2017, ficou fora da elite nessa temporada. É uma troca de guarda interessante. Com certeza esse novato é uma grande inspiração para milhares de jovens. Que seja bem-vindo!

 

Reprodução instagram @mikeyfebruary/

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