AGUARDE
19 junho 2016

Peru além das ondas

Berço da cultura Inca, o Peru é um destino excelente para quem gosta de história

Para quem surfa, quando se fala numa viagem para o Peru logo se pensa em Chicama, Punta Hermosa, Lobitos e por aí vai. Mas além do surfe, o país também é um passeio e tanto para quem gosta de história.
 
Salineras

O Peru e suas cores. Foto: Caio Salles

 
De acordo com o professor peruano da Unesp de Araraquara, Enrique Amayo Zevallos, o surfe nasceu no Peru. Zevallos, que estuda o tema há anos, viajou para sua terra natal, Havaí e Califórnia em busca de informações sobre o assunto e após longa pesquisa, ele lançou, neste ano, o livro "Mar y Olas - Rito y Deporte: Del Tup o Caballito de Totora a la moderna Tabla o Surf: su origen en la Costa Norte del Antiguo Perú”.
Nesta publicação, o professor conclui que o caballito de totora foi criado no Peru há cerca de 5 mil anos.
 
Caballito de totora

O Caballito de totora era usado para pesca pelos Incas. Foto: Reprodução Internet

 

QUEM SÃO OS INCAS:

Antes da chegada dos espanhóis, a região da Cordilheira dos Andes (Peru, Bolívia, Chile e Equador) era habitada pelos Incas. Esse povo era organizado como sociedade e no século XIII eles fundaram a capital do império Inca: Cusco.
Considerada sagrada, Cusco sediava o maior templo de culto ao deus Sol, recebia estudantes escolhidos a dedo de outras regiões, guardava as peças mais importantes e era a casa do imperador.
Apesar da forma como os espanhóis chegaram naquela região, destruindo obras, ignorando o conhecimento deles e dizimando o império Inca, o legado que sobreviveu surpreende.
Na arquitetura, eles construíram fortalezas com enormes pedras. O tempo e os terremotos não conseguiram abalar essas construções.
Na agricultura, o cultivo das plantações em desníveis possibilitou o desenvolvimento de centenas de tipos de milho, batata e quinua.
A gastronomia peruana é conhecida no mundo inteiro. Foto: Reprodução Internet

A gastronomia peruana é conhecida no mundo inteiro. Foto: Reprodução Internet

 
As construções da época Inca, que resistiram aos espanhóis, continuam intactas. Foto: Caio Salles

As construções da época Inca, que resistiram aos espanhóis, continuam intactas. Foto: Caio Salles

 
Apesar desse avanço todo, essa sociedade não dominava a escrita e essa história só pode ser contada anos depois através dos descendentes de Incas que, adaptados na cultura espanhola, foram para a Europa estudar.
Em 1909, o arqueólogo havaiano e professor da Universidade americana de Yale, Hiram Bingham, seguiu em missão para encontrar a cidade perdida dos Incas. Com o apoio de moradores da região, ele encontrou Machu Picchu.
Coberta pela vegetação, a cidade que abrigava apenas duas famílias, que tinham optado por se isolar da civilização, logo despertou a curiosidade de outros historiadores e arqueólogos.
Poucos anos depois, Bingham voltou para Machu Picchu, desta vez com uma equipe, e além de tirar a vegetação que cobria as construções, eles retiraram objetos dos Incas e levaram para a faculdade americana com autorização do governo peruano da época.
Fotos desta segunda expedição foram publicadas na revista National Geographic e Machu Picchu foi apresentado ao mundo.
O havaiano Hiram Bingham foi o descobridor de Machu Picchu

O havaiano Hiram Bingham foi o descobridor de Machu Picchu

 
Apesar da capacidade diária de visitantes para Machu Picchu ser de 2500 visitantes por dia, alertas indicam que esse número não está sendo respeitado. Foto: Caio Salles

Apesar da capacidade diária de visitantes para Machu Picchu ser de 2500 visitantes por dia, alertas indicam que esse número não está sendo respeitado. Foto: Caio Salles

 

MACHU PICCHU - o campeão de 2016 do Travelers’ Choice do TripAdvisor

Patrimônio mundial declarado pela Unesco, Machu Picchu foi eleita o melhor destino de 2016, segundo os usuários do site de viagem Trip Advisor. A região de Cuscu, Vale Sagrado, Águas Calientes e Machu Picchu gira em torno do turismo e tem pacotes de viagens voltados para os mais diferentes desejos.

CURIOSIDADES:

 

        • De acordo com alertas emitidos por geólogos japoneses, a cidade de Machu Picchu está afundando ano a ano devido ao alto número de visitantes. Por isso, existe um plano de construção de um teleférico sobre a cidade de Machu Picchu. Caso esse projeto saia do papel, os turistas não mais poderão pisar lá;
        • Além do bilhete de entrada para o parque, existem tickets de acesso para duas trilhas: Montanha Huayna Picchu e Montanha Machu Picchu;
        • Procurada por turistas do mundo inteiro, a visita a Machu Picchu exige antecedência, porque alguns ingressos, como o da trilha de Huayna Picchu costuma esgotar com 2 meses de antecedência;
        • Para os que estão com os exercícios físicos em dia e para quem gosta de longas travessias, a trilha Inca é uma boa opção;
        • Hospedagem em Machu Picchu só para quem está com dinheiro sobrando, já que o único hotel na porta do parque é o Belmond Sanctuary Lodge que tem diárias em torno de US$ 1100,00/dia;
        • O Belmond Sancturay Lodge é comandado por uma empresa inglesa, que teve sua concessão com o governo peruano renovada em 2014 por mais 20 anos;
        • As peças levadas em 1911 pela expedição comandada por Hiram Bingham só foram devolvidas pela faculdade de Yale 100 anos depois.
        • De acordo com Hiram Bingham nenhuma peça de ouro foi encontrada na expedição de 1911, mas muitos peruanos desconfiam desta afirmação, já que anos depois uma peça de ouro foi encontrada enterrada em Machu Picchu;

Os desníveis foram criados pelos Incas para desenvolvimento de novos alimentos. Foto: Caio Salles

Os desníveis foram criados pelos Incas para desenvolvimento de novos alimentos. Foto: Caio Salles

 
Antes de virar patrimônio mundial, o governo peruano fez alguns consertos em Machu Picchu, mas todas as contruções recentes estão ameaçando cair, enquanto a dos Incas segue, ao lado, firme e forte. Foto: Caio Salles

Foto: Caio Salles

 
Existem 3 tipos mais comuns de quinua. Foto: Caio Salles

Existem 3 tipos mais comuns de quinua. Foto: Caio Salles

 
 

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