AGUARDE
30 abril 2014

Physical Graffiti

Para os surfistas em 1974/75 não havia dúvida: Led Zeppelin era a melhor banda de rock do mundo

[caption id="attachment_1510" align="alignnone" width="1800"]Led Zep ao vivo em Londres 1975 Led Zep ao vivo em Londres 1975[/caption]

Physical Graffiti (24 de fevereiro de 1975) Swan song records - 1º na Billboard

Sexto album do Led Zeppelin, todos anteriores tinham sido discos de platina, o que significava que tinham vendido pelo menos um milhão de cópias.

Não era só isso, Zeppelin  lotava concertos como nehuma outra banda no planeta, quebrava recordes de público e de vendas a cada disco lançado, todos se perguntavam se eles não eram os maiores do mundo.

Para outros, a questão era: serão os Led Zeppelin a melhor banda de rock do mundo ?

Para os surfistas em 1974/75 não havia dúvida.

Going to California ( do disco IV) tinha se tornado um hino e os cabeludos que vagabundavam pelas praias de Malibu ao Arpoador sempre tinham um K7 com pelo menos um disco do Zeppelin para ouvir nas longas viagens de Kombi e Fusca.

Quando Physical Graffiti chega às lojas, em 1975, Fred Hemmings começava a pensar num circuito  mundial de surfe profissional, com a ajuda dos parceiros Jack Shipley e Randy Rarick, que viajava ao redor do globo surfando tudo que se movesse em água salgada.

A idéia era juntar eventos isolados na África, Havaí e Austrália e declarar um campeão mundial de surfe.

Em 1974, antes de tudo começar, seria Terry Fitzgerald, o sultão da velocidade e no ano seguinte, para começar a organizar os competidores, quem tinha mais pontos era o jovem Shaun Thomsom e o décimo quinto era Eddie Aikau.

As revistas engrossavam e a indústria começava a dar seus primeiros passos.

O diretor americano Scott Dittrich lançou seu primeiro filme Fluid Drive com Hendrix e Led Zeppenlin na trilha.

Surfistas usavam calças bocas de sino, a droga começava a mudar de LSD para maconha e o rock'n roll era a única música ouvida.

Aos acordes da guitarra do Jimmy Page tudo virava de cabeça pra baixo. Page foi o responsável pela magnífica produção do Physical Graffiti, criando sons novos para os instrumentos, arriscando, inventando camadas para engordar o pesado som do Led Zeppelin.

Graffiti foi um capítulo na história da banda, seu primeiro disco duplo (para compensar a demora de quase dois anos sem disco) e tem faixas que se recusam a sair do imaginário surfístico (existe isso ?), como Kashmir, faixa 3 do lado 2 do primeiro LP (ou a sexta do CD), não por acaso na trilha do filme Fast Times at Ridgemont High (1982), que tem Sean Penn no papel de um surfista paspalhão, Jeff Spicolli, que até hoje serve como referência para os imbecis que surfam (ou comentam em blogues).

Physical Graffiti é um monumento ao Rock, transita pelo Blues, In my time of Dying, pelo Folk, Bron-Y-Aur, quase esbarra no Country Rock, Down by the seaside, e culmina na tradicional canção Zeppeliana, The Wanton song, The Rover, Custard pie.

Todo album é uma sublime exibição de músicos no auge da sua virtuosidade, principalmente Page e o baterista 'Bonzo' Bonhan, um verdadeiro animal selvagem nas baquetas, uma espécie de Michael Peterson, violento, poderoso e ritmado.

Robert Plant grita com o vigor de sempre, as vezes lembrando Rod Stwart, outras lembrando Joplin, mas rasgando o volume do som da banda cada vez que entrava com sua voz estridente e afinada.

Se te perguntarem alguma vez qual disco levava para uma ilha deserta, pode escolher Physical Graffiti, uma cápsula do tempo que guarda a trilha sonora dos anos 70, das cavadas do Barry Kanaiapuni em Sunset aos ataques do Ian Cairns em Haleiwa.

Nessa onda retrô, junto da sua twin keel e da egg ou pig model de uma quilha, tenha sempre a mão Physical Graffiti para embalar seus sonhos com o passado.

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