AGUARDE
31 janeiro 2015

Por onde andam as nossas campeãs?

Confira a situação atual do surfe feminino no Brasil

Criado em 1997, o circuito brasileiro de surfe feminino profissional da ABRASP (Associação Brasileira de Surfe Profissional) já teve bons momentos, premiações grandiosas e batalhas de tirar o fôlego. Ao longo de 16 temporadas disputadas, sete surfistas foram coroadas campeãs brasileiras: três fluminenses, duas cearenses, uma paulista e uma paraibana. E a pergunta que não quer calar: o que fazem atualmente as nossas campeãs? Por onde andam?

Deborah Farah (RJ) - Campeã Brasileira 1997 (1973 - 2001 †)

Carioca de sorriso fácil e atitude em ondas grandes que poucas tinham na década de 1990 assim era a Deborah Farah, surfista que em 1997 se tornou a primeira campeã brasileira profissional. Por ironia do destino, em 2001, Deborah perdeu a vida surfando ondas de um metro nas águas geladas de Maresias, São Sebastião - SP. Em 2002 a menina alto-astral, de bem com a vida e batalhadora ganhou uma grande homenagem, o Circuito Petrobras de Surfe Feminino/ Troféu Deborah Farah. O evento uniu surfe, cultura e sustentabilidade durante 10 temporadas. Brigitte Mayer (RJ) - Campeã Brasileira 1998

A campeã brasileira de 1998 sempre foi muito mais do que uma simples competidora, Brigitte Mayer vestia a camisa e comprava qualquer briga para defender os direitos do surfe feminino. Em 2008, ao lado de Cláudia Gonçalves, Roberta Borges e outros profissionais, lançou a “Ehlas”, primeira revista virtual brasileira sobre surf feminino e esportes radicais. Formada em Analista de sistema/suporte, Brigitte conciliou a carreira na área tecnológica com surfe profissional até 2010, ano que se aposentou das competições. Atualmente ela exerce sua profissão de formação e aproveita as horas vagas para surfar e praticar kitesurfe, sua nova paixão.

Saiba mais: https://www.facebook.com/brigitte.mayer.73?fref=ts
Andrea Lopes (RJ) - Campeã Brasileira 1999, 2001, 2002 e 2006

Andrea Lopes foi a primeira surfista a conquistar o tetracampeonato brasileiro de surfe profissional, mas a lista de feitos inéditos da carioca no mundo do surfe não para por aí, ela foi a primeira brasileira a faturar uma etapa dos circuito mundial da ASP (em 1999) e também foi a primeira integrante da elite do surfe nacional que estampou a capa de uma revista masculina (Playboy jan/2007). Atualmente Andrea é dona de uma escola de Stand Up Paddle, ministra clínicas de surfe em diversos países, realiza um trabalho de coaching para mulheres, se arrisca em algumas competições de SUP Race e representa o Brasil em alguns eventos de surfe, como o ISA Games que aconteceu no Equador em 2013.

Saiba mais: http://andrealopes.esp.br/site/ Tita Tavares (CE) - Campeã Brasileira 2000, 2003, 2007 e 2008

Ao lado da Andrea Lopes, Tita Tavares, é a surfista com mais títulos brasileiros, quatro no total. A cearense dedicou sua vida ao surfe, representou o Brasil em diversas competições internacionais, entre elas o WCT, circuito da elite do surfe mundial. Em 2012 iniciou um tratamento intensivo para combater uma grave inflamação na glândula tireóide. Atualmente, recuperada, Tita trabalha como professora de surfe e agente social do esporte na praia do Titanzinho e em comunidades carentes de Fortaleza.

Saiba mais: https://www.facebook.com/tita.tavares.10?fref=ts
Silvana Lima (CE) - Campeã Brasileira 2004, 2005 e 2014

A tricampeã brasileira de surfe profissional Silvana Lima é a que mais está ativa nas competições. Após conquistar seu segundo título nacional a cearense deu trabalho para as melhores surfistas do mundo e foi vice-campeã do WCT em duas temporadas, 2008 e 2009. A surfista, que já passou por quatro cirurgias no joelho, não teve um ano de bons resultados no WCT em 2013 e não conseguiu se manter na elite. No entanto em 2014 se reergueu, faturou duas provas do WQS e terminou o ano na ponta do ranking. Silvana Lima é o Brasil no WCT 2015!

Saiba mais: https://www.facebook.com/SilvanaLimaSurf?fref=ts
Suelen Naraisa (SP) - Campeã Brasileira 2009 e 2010

A paulista Suelen Naraisa é detentora de 2 títulos nacionais. A irmã do recém classificado para o WCT, Wiggolly Dantas, é formada em Educação Física e nos últimos anos têm se dedicado a sua escola de surfe e stand up paddle localizada na Praia de Itamambuca, em Ubatuba. Além disso ela continua participando de eventos profissionais como provas do circuito Ubatubense Pro e do circuito de acesso a elite do surfe mundial, o QS.

Saiba mais: https://www.facebook.com/suelennaraisa.almeida?fref=ts
Diana Cristina (PB) - Campeã Brasileira 2011

A paraibana Diana Cristina surgiu como um furação no cenário do surfe nacional e foi apontada por muitos como a nova Silvana Lima. Em 2011 conquistou o título de campeã brasileira profissional, mas antes disso já tinha faturado nada menos do que cinco títulos da divisão de acesso a elite do surfe nacional. Contrariando a expectativa dos amantes do surfe em vê-la brilhando no WCT, a paraibana conhecida como Tininha se dedica ao comércio de sua família e às sessões de freesurfe em sua cidade natal, Baia da Traição, na Paraíba.

Saiba mais: https://www.facebook.com/dianacristina.tininha?fref=ts

Há quem diga que o surfe feminino no Brasil morreu, que as nossas atletas não têm talento ou que são as culpadas pela atual situação do esporte no país. Deve-se tomar muito cuidado antes de fazer tal afirmação. O surfe feminino está vivo, o que morreu foi o interesse dos empresários em apoiar os eventos no Brasil. A falta de investidores resultou na extinção do circuito da elite nacional, Brasil Surf Pro, no final da temporada de 2011. Nos dois anos seguintes os homens definiram os títulos brasileiros através de circuitos regionais e as mulheres ficaram desempregadas. Em maio de 2014 a realização de uma etapa nacional exclusiva para as mulheres deu oxigênio a quem já estava pensando em desistir, mas infelizmente o “Saquarema para mulheres” foi a única prova do ano. A temporada de 2015 ainda é incerta, só nos resta torcer.

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