AGUARDE
27 abril 2015

Prova de contato | Bia Herbstrith

Veja o trabalho da fotógrafa carioca que invadiu a galeria do Centro Cultural da Justiça Federal.

1. Quando você decidiu se tornar fotógrafa?

Faz pouquíssimo tempo, foi no ano passado, em 2014. Eu sempre gostei de fotografar, mas nunca cogitei ser profissional. Parece que em toda a minha vida eu sempre escolhia trabalhar em coisas que, de certa forma, iam na contramão de exercer a minha criatividade. Até que, depois de uma certa crise existencial, eu resolvi me entregar de corpo e alma à fotografia. E pra isso eu estudei, aliás, continuo estudando muito, pois quero entender o que é fotografia a fundo. Busquei cursos como o Ateliê da Imagem pra aprender a técnica e busquei conhecimento teórico na pós-graduação em Fotografia e Imagem na IUPERJ/ UCAM. E essa imersão foi fundamental pra aperfeiçoar meu olhar.

2. Você chegou a cursar algum outro curso de graduação ou a trabalhar em outra área?

Eu sou formada em Publicidade e Propaganda e fiz até MBA na FGV em Empreendedorismo. Por muitos anos trabalhei como profissional de marketing para a Avec, uma multimarcas de acessórios luxo. Foi uma experiência realmente enriquecedora que me abriu muitas portas e me ensinou a beleza das artes e do mundo da moda. E foi nesse período que, de certa forma, eu comecei a ter um contato mais aproximado com a fotografia.

Parece que em toda a minha vida eu sempre escolhia trabalhar em coisas que, de certa forma, iam na contramão de exercer a minha criatividade. Até que, depois de uma certa crise existencial, eu resolvi me entregar de corpo e alma à fotografia.

3. Você está com sua primeira grande exposição agora no Rio de Janeiro. Como foi poder mostrar seu trabalho num lugar como o Centro Cultural da Justiça Federal?

Acho que nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar que em tão pouco tempo eu poderia estar expondo meu trabalho num espaço tão importante quando o Centro Cultural Justiça Federal! Foi muito bacana receber tantos amigos queridos, alguns que não via há tempos, e poder mostrar essa nova fase da minha vida. O CCJF é uma vitrine, um espaço não apenas aos artistas consagrados, mas também aos novos talentos. E como vitrine ela acaba criando uma responsabilidade enorme já que a partir de agora as expectativas quanto aos próximos trabalhos só aumentarão. Mas tudo isso só foi possível por causa do coletivo de fotografia que eu participo, o Onze17 Nossa, eu devo muito a eles porque foram muitas reuniões criativas nas quais todos os amigos se ajudaram pro desenvolvimento do projeto... Sem dúvidas eu tive uma sorte imensa de ter tanta gente talentosa e generosa ao meu lado.

4. Qual o tema da exposição?

A exposição "Na caverna de Platão" foi inspirada no texto do livro "Sobre a Fotografia" da filósofa americana Susan Sontag. Basicamente buscamos refletir acerca da cultura visual da sociedade contemporânea. Já que atualmente ela pensa, se expressa e vive imagens. Ou seja, todos nós consumimos e produzimos diariamente milhares de fotografias. O que é curioso é que este livro foi escrito em 1977 e é extremamente atual. Afinal, em meio a tantos selfies, "paus de selfies", excesso de manipulações digitais, milhares de fotografias que fazemos no celular e carregamos em nossos bolsos... o que isso significa, pra onde estamos caminhando? E já que hoje tudo existe pra terminar numa fotografia então, nós devemos estar numa babel de imagens!

5. O que é e de onde surgiu o Coletivo Onze17?

Acredita que foi em sala de aula?! O Onze17 surgiu de um exercício dado lá na pós. Tivemos que ler o livro da Susan Sontag e apresentar uma reflexão imagética da parte do texto que mais havia nos instigado. Foram tantas propostas interessantes que o coordenador do curso Mickele Petrucceli, que também é o curador da exposição, nos incentivou a formar um coletivo e nos candidatar ao edital que estava aberto no CCJF. Foi uma correria imensa pra montar a proposta, já que tínhamos pouquíssimo tempo. Eu sabia que tínhamos potencial, mas confesso que estava um pouco insegura quanto ao prazo, nossa inexperiência... e ainda havia muitos candidatos. Mas, graças a Deus, deu tudo certo e aqui estamos! Hoje o Onze17 é uma realidade e estamos sempre juntos pra mais do que fotografar, pensar a fotografia e convidar as pessoas a pensarem com a gente.

Hoje o coletivo Onze17 é uma realidade e estamos sempre juntos pra mais do que fotografar, pensar a fotografia e convidar as pessoas a pensarem com a gente.

6. Algum outro projeto que você possa nos adiantar?

O meu políptico exposto no CCJF faz parte de uma série de fotografias que transformarei em um fotolivro. Esse meu trabalho fala sobre “Fragmentos da Realidade” e vai além de apenas fotografia bonitas. Esse trabalho faz parte de uma real reflexão que comecei a ter quando li o livro da Susan Sontag e que me levou além... me levou a pensar que, sob o viés da identidade, no fim nós somos fragmentos da nossa realidade. O nosso comportamento muda de acordo com o meio que estamos inseridos naquele momento, adotando máscaras sociais para nos adaptarmos e até nos protegermos. O que eu quero dizer é, nós nos portamos de maneira diferente quando estamos com nossos pais, amigos, no trabalho... mas no fim somos os mesmos. Porque somos que nem um líquido que se adapta ao refratário, sabe? Ah, mas longe de mim qualificar caráter, índole ou qualquer coisa. São só pensamentos... Mas eu ainda sou muito nova nessa profissão. Eu tenho muitos sonhos a buscar com a fotografia, especialmente com cinema, e um longo caminho a percorrer... muitos fotógrafos com quem eu gostaria de trabalhar pra aprimorar meu olhar e crescer profissionalmente.

7. Dentro da fotografia, o que mais te encanta?

O que eu acho muito bacana é que a fotografia é um universo tão envolvente, é viciante e é, de certa forma, tão acessível. Quem não gosta de fazer os seus registros, de mostrar pro mundo o seu olhar? Eu admiro muitas searas, mas o que eu gosto mesmo é de fotografar pessoas e contar histórias. Adoro fotografar espetáculos teatrais e de dança, adoro trabalhar em estúdio com fotografia de moda, nu artístico... e um dia, quem sabe, espero fazer fotografia pra cinema.

8. Se você pudesse escolher ter tirado uma foto, qual seria?

É muito difícil escolher apenas uma fotografia, há tantas que eu vejo e digo “caramba, eu gostaria de ter feito essa!”. Adoro o humor de Elliott Erwitt, a luz elegante de Richard Avedon, a plasticidade de Helmut Newton... E adoro as idéias maravilhosas de Annie Leibovitz! Gente, colocar a Woopy Goldberg numa banheira de leite?! Aquilo foi incrível! Ah, e a sensibilidade de Bettina Rheims com a série "Gender Studies"... como eu queria ter feito aquelas fotos! Fora tantos outros que nem citei... Na boa? Se algum dia puder chegar a um centésimo da capacidade desses e tantos outros fotógrafos que me influenciam, ficarei imensamente feliz!

O que eu acho muito bacana é que a fotografia é um universo tão envolvente, é viciante e é, de certa forma, tão acessível. Quem não gosta de fazer os seus registros, de mostrar pro mundo o seu olhar?

Site em construção: www.biaherbstrith.com

Coletivo Onze17: https://www.facebook.com/coletivo.onze17

Site da exposição: http://www.nacavernadeplatao.com/

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