AGUARDE
16 setembro 2015

San Clemente Airlines

Por Pedro Maurity

A etapa de Trestles é notoriamente conhecida, no tour, como o campeonato dos aéreos insanos, das manobras progressivas, a competição onde o surf profissional apresenta o que tem de mais moderno.

Left or right?

É claro que aquele point break que abre para os dois lados, dependendo da direção do swell, e vai quebrando lentamente com perfeição, proporciona uma pista de decolagem que é considerada a preferida de muitos profissionais, seja para aprimorar e modernizar seus aéreos ou, porque não, arriscar/inventar novas manobras. Mas a relação de San Clemente com surf progressivo, na verdade, é bem antiga.

Christian Fletcher e Matt Archbold são os dois principais pioneiros do surfe progressivo.

Christian Fletcher

Ainda no final dos anos 80, um jovem grupo de surfistas liderados por Martin Potter (sul-africano que se mudou para San Clemente, nos anos 80), Christian Fletcher e Matt Archbold, deu início a uma revolução aérea que viria a mudar radicalmente o rumo do surf profissional. Em tempos de batidas e cutbacks, foi ali em San Clemente que Christian Fletcher, que se tornou o pai do aéreo, Archy e Potter, começaram – invertendo o que os z-boys fizeram na década de 70 – a trazer as manobras aéreas do skate pra dentro d’água.

Martin Potter

Inicialmente, o surf progressivo apresentado por estes visionários foi pouco valorizado nas competições e não os rendeu bons resultados com os juízes. Sem contar que, de imediato, ganharam a antipatia de lendas como Shaun Thomson e Simon Anderson, que protestavam abertamente contra a valorização das manobras aéreas e pregavam que o surf era pra ser na água e não fora dela. À exceção de Potter, que conquistou um título mundial – embora não tenha sido, essencialmente, pela execução de manobras aéreas –, a geração San Clemente airlines não obteve tanto êxito nas competições, mesmo apresentando um surf muito à frente dos demais profissionais da época. Assistindo, hoje, as baterias de Christian e Archy, no final dos anos 80, contra os heróis da época, fica difícil entender/aceitar os resultados, mas os critérios de julgamento eram outros.

San Clemente

Agora, uma conquista – na minha opinião, a mais significativa de todas e que vale mais do que qualquer troféu – ninguém tira desta geração de ouro de San Clemente, que é o legado das manobras aéreas deixado para o surf e seus praticantes. Mesmo desacreditados pelos juízes e pelo circuito, toda uma geração de surfistas que surgiu em sequência, incluindo Kelly Slater, Andy Irons etc, idolatrou e se inspirou no surf aéreo de Christian e Archy, elevando cada vez mais o nível do esporte até que, finalmente, os juízes se renderam à evolução.

Andy Irons

Hoje, é possível se conquistar uma nota 10 com uma única manobra aérea. Mas tem que ser daquelas cascudas, é claro. O fato é que mesmo não sendo berço de campeões mundiais, San Clemente é o berço do surf aéreo e sempre terá uma atenção especial do cenário internacional, por conta disso. Que o limite continue sendo extrapolado nas paredes perfeitas de Trestles e, de preferência, com brasileiros na condição de protagonistas.

Medina já foi campeão em Trestles
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