AGUARDE
12 maio 2014

Sebastian Zietz

Ao contrário de vários surfistas, o havaiano defende que a etapa do Rio não deve sair do calendário

As terceira e quarta fases dos homens na Barra da Tijuca vieram cheias de surpresas. A primeira e talvez a mais dramática foi a eliminação de Gabriel Medina, até então líder do ranking, quando grande parte do público apostava que ele seria o vencedor do evento. O carrasco dá pelo nome de Travis Logie (sul-africano), que não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Hoje era o seu aniversário e o resultado não poderia ter sido melhor presente.

O veterano Bede Durbidge tirou Filipinho, outra promessa brasileira, de cena com um desempenho eficiente e cirúrgico. Por sua vez, Jordy Smith, vencedor do evento no ano passado, foi superior a Jadson André e Sebastian Zietz enviou seu compatriota John John Florence mais cedo para casa. Do contingente brasileiro, só Adriano de Souza está ainda na corrida. Ele vai surfar amanhã, na primeira bateria do dia, contra Kelly Slater, que parece completamente dessintonizado do mar e dele mesmo, embora esteja ainda em prova. Enquanto todo o mundo espera por mais ação, aqui está a conversa que a gente teve com Sebastian Zietz, que vai surfar amanhã contra Josh Kerr.

Oi Sebastian, como você está? Feliz, eu aposto, depois de ter derrubado John John ...

Estou me sentindo muito bem, sim. A comida aqui no Brasil é muito boa e, embora o mar tenha estado ruim nos últimos dias, hoje teve onda boa... Esse lugar parece que ganha vida quando o mar sobe e tem bons tubos lá fora. Talvez a gente consiga ver algumas ondas nota dez... É a primeira vez que eu estou fazendo esse resultado aqui, e isso é bom para me sentir mais confiante.

Ouvi dizer que você vai muito no restaurante vegetariano chamado .Org Bistrô que tem aqui na Barra da Tijuca. Você é vegetariano?

Não, eu me alimento bem mal, sou pouco cuidadoso... Sou provavelmente um dos caras menos saudáveis ??tour e estou sempre sendo flagrado no McDonald’s. Mas agora que estou aqui com o meu treinador e com o meu team manager, a gente está seguindo um programa saudável... Não queremos ir num lugar qualquer, comer uma carne ou um peixe ruim e ficar com problema de barriga. Por exemplo, o Wilko está passando mal. Por isso a gente tem ido nesse restaurante, onde você pode comer comida realmente saudável. Me estou sentindo muito bem aqui, também estou treinando um pouco, por isso, tudo isso junto parece que está dando resultado.

Slater me disse numa entrevista no ano passado que esse evento deveria sair do calendário porque as condições aqui estão sempre ruins em comparação com outros eventos. O que é que você acha?

Humm, então... eu vou ter que discordar, porque tem sempre um dia em que as condições do mar estão realmente boas. Óbvio, que tem os seus altos e baixos. Provavelmente tem lugares melhores aqui no Brasil, como Saquarema onde rola o prime, a gente pega sempre altas ondas lá... Sei que por aqui também tem uns picos bons, mas nesse momento a gente está tendo sorte por estar dando onda e eu tenho a sorte de conseguir bons resultados sempre que venho aqui, então, por mim, essa etapa deveria continuar existindo.

Como foi eliminar o John John? Vocês são muito amigos?

Foi chato... A gente não é assim super amigo, mas todos nós queremos o Havaí se dê bem nos campeonatos. Então, cair contra os havaianos logo no início é um saco. Mas para mim foi bom... Eu estava olhando para as condições de hoje e pensando que ele seria provavelmente o cara mais difícil de vencer aqui.

Quando você se classificou para o WT pegou muita gente de surpresa. Também ficou surpreso com você mesmo?

Então, eu estava realmente com receio de chegar no WT, especialmente em Snappers, todos esses caras surfam muito bem e, estar lá em pessoa, os observando... É uma vibração diferente daquela que existe nos WQS, onde apenas alguns caras se destacam... No WT, cada indivíduo é uma ameaça. No entanto, estou muito de acordo com a questão da prioridade porque assim todos têm a chance de obter as melhores ondas. Não fiquei absolutamente surpreso comigo mesmo, eu esperava me qualificar mais cedo ou mais tarde para o tour. Gosto muito de onda boa e grande e é isso que o WT oferece, então eu acho que estou no sítio certo, o meu objetivo está sendo cumprido e espero poder continuar melhorando.

Como foi crescer no Kauai?

Crescer no Kauai foi incrível; tem onda todo o dia do ano. A minha família é enorme e mora lá toda. É excelente para quem nasceu e foi criado lá, mas se você mudar para lá, pode acabar sendo um pesadelo, porque o localismo lá é barra pesada. Eu amo Kauai e tenho muito apoio em casa.

Você era muito próximo do Andy?

Sim, a gente era muito próximo, ele era muito amigo do meu irmão mais velho, e eu ia muitas vezes surfar com eles. Ele era um cara incrível, tinha sempre as melhores histórias e a melhor vibe e eu ficava sempre deslumbrado quando estava perto dele, mesmo quando comecei a conhecê-lo um pouco melhor. Quando ele estava em casa e queria ir surfar mas sabia que as ondas não estavam assim tão boas, ele vinha me pegar logo bem cedo de manhã, porque sabia que eu era o cara que surfava sempre em qualquer condição.

Eu te vi no ano passado no Surfer's Bar no Havaí, durante a Triple Crown, cantando karaokê e dançando de uma forma muito engraçada... Você costuma ser sempre assim tão animado e expressivo?

De uma maneira geral sim, excetuando quando perco uma bateria ou estou cansado... Mas eu gosto de me divertir e não curto estar sendo negativo no meio das outras pessoas. Se estou numa onda negativa então fico quieto, no meu canto. Acho que as pessoas são permeáveis a essas vibrações e é muito mais legal quando todo mundo está feliz .

 

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