AGUARDE
16 julho 2014

Semana de férias na Califa

O que eu fiz e não deixei de fazer

Não é difícil entender por que a Califórnia é um dos destinos mais populares entre os cariocas. A última vez que estive por lá, no inverno, fiz uma road trip pelo litoral e esquiei com meus amigos locais em Big Bear. Esse ano fui no verão, então fiz mergulho com cilindro e surfei – umas marolinhas perfeitas para quem, como eu, está começando. Só nesse primeiro parágrafo já tem motivo de sobra para amar esse lugar. Aí você joga nesse caldeirão uns doutores da maconha, uns skatistas, dois bêbados, uns caras mal encarados e uma mulher barraqueira, voilá: isso é Venice! Cheguei em LA e já fui dar aquele rolé turístico em Venice Beach, onde há o maior número de gente louca por metro quadrado. No final da tarde tivemos a sorte de flagrar uma festa, onde meia dúzia de rollers dançava alucinadamente acompanhada de uma caixa de som que tocava o melhor do pop comercial. Enquanto isso, na areia da praia, uma galera doidona tocava tambor. Tinha mãe de cabelo rosa, pai todo tatuado, muito dread e o que eu mais gostei: gente dançando como se ninguém estivesse vendo. Aí você joga nesse caldeirão uns doutores da maconha, uns skatistas, dois bêbados, uns caras mal encarados e uma mulher barraqueira, voilá: isso é Venice!

Dia seguinte foi de mini infartos no Six Flags. Dizem que são as melhores montanhas-russas do mundo. Como eu não ia a parques de diversão desde a simplória Euro Disney em 2000, me adiantei para o namorado – Vamos começar pela mais tranquila, ok? – Vamos na Goliath que é a mais maneira!. Concordei, né. Simplesmente, a primeira descida da tal da Goliath é a mais sinistra de todas as descidas de todas as montanhas-russas do parque, ou seja, provavelmente do mundo. Para melhorar, fomos no primeiro carrinho. O lado bom: (i) não tiram foto do primeiro carrinho – benzadeus porque minha cara foi o anti-selfie (ii) estava batizada, depois foi só curtição. Um parêntese. A música que mais tocava na rádio americana era Latch, do Disclosure. Se não conhece, escuta. Foi basicamente toda a nossa trilha sonora nas viagens de carro. Viciei. Fecho parêntese.

Descemos para San Diego, que é aquela Califórnia cool e apinhada de beach babes – ao ponto de não saber se é sempre a mesma menina que cruza com você na ciclovia da praia. O clima é perfeito e nunca chove. Rola praia, mas você não fica suando e faz frio o suficiente para usar as roupas legais do seu armário. Tipo, perfeito mesmo. Fiquei na casa de um amigo em Pacific Beach, ou apenas PB. De um lado a praia, do outro uma baía – de água limpa! Vamos lá, o que se come? Basicamente, comida mexicana. Ponto. Todo o dia o pós-praia foi regado a tacos, burritos e cerveja. Quer mais o quê? Só no último dia passamos no supermercado – dei uma surtadinha com a variedade ($$$) – e preparamos um almoço em casa. Descemos para San Diego, que é aquela Califórnia cool e apinhada de beach babes – ao ponto de não saber se é sempre a mesma menina que cruza com você na ciclovia da praia Por falar em casa, todos os meus amigos moram em casas de dois andares, gracinhas, a um quarteirão da praia. Não são mais de três dividindo o aluguel e, claro, cada um tem o seu quarto. Ô inveja. Enquanto aqui no Rio a gente rala para pagar um conjugado. Antes que eu esqueça, uma dica: Baixe o app Ubber. É uma espécie de Easytaxi, mas não são taxistas, e sim pessoas que têm outros empregos e trabalham como motoristas nas horas vagas. O preço é em torno de $5 por trajeto. Ainda rolam umas promoções, do tipo, qualquer trajeto por $3. Ah, se essa moda pega aqui, hein. Chamamos um motorista no Ubber e partimos para o bar. Sabe filme americano com americana loira que fala gritando? Então, é exatamente assim. OMG! Como irrita. Fora isso os bares são legais, mas, sei lá, nada de mais. O americano tem fixação com bebida por causa daquela velha história nãopossobeberantesdos21, aí o sujeito faz 21 e perde a chave de todos os buracos. Mesmo depois de alguns anos ainda rola aqueles joguinhos de bebida que eles aprenderam na faculdade. Resultado: sempre tem muita gente doidona.

Outra noite me levaram para jogar kickball, que é uma espécie de baseball, ou seja, um jogo incompreensível – mais ainda pelo fato de que todos nós estávamos bebendo cerveja. Resumindo o meu pobre entendimento: Um monte de gente espalhada pelo campo tentando pegar a bola que alguém chuta; quem pega a bola repassa pra não sei quem e quem está nas bases deve correr para a outra base até não sei quando. Só sei que eu chutei a bola e meu amigo disse Corre!, eu corri, depois ele disse Pára! e eu parei. Aí – olha que infelicidade – eu ia fazer o ponto, mas parei na base errada porque ninguém me avisou. Nós ganhamos mesmo assim porque o outro time conseguia ser pior que o nosso. No dia seguinte meu amigo me desovou na casa de outro amigo, em Newport Beach – que chato – porque tinha um casamento no norte. E foram mais dois dias de praia, surfe, comida mexicana e bares com americanas que falam gritando. Como não amar a Califórnia?

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