AGUARDE
13 fevereiro 2017

Slater 4.5 X Mineirinho 3.0

Parabéns aos aniversariantes que nos brindam com a sua vontade de vencer!

Se os números do título dessa matéria fossem de fato relativos à potência dos motores de carros de corrida, a máquina de Kelly Slater seria exatamente 50% mais poderosa do que a do nosso guerreiro, Adriano de Souza. Mas essa manchete foi apenas uma representação gráfica do amadurecimento desses dois monstros sagrados do surfe competição internacional. Enquanto Slater completou 45 primaveras no dia 11 de fevereiro, De Souza sopra 30 velinhas nessa segunda feira, 13 de fevereiro. Na astrologia, os dois dividem o signo de capricórnio. Numa análise rápida das características em comum de pessoas desse grupo, podemos ver qualidades presentes em ambos: pragmatismo e conservadorismo, com rompantes de muita emoção. Talvez por isso a dupla sempre foi exemplo de dedicação e profissionalismo, e também, já bateu de frente lutando com as mesmas armas: competitividade e energia. Mas aqui não pretendemos dar dicas de astrologia e sim celebrar, reverenciar e analisar os dois ícones, a partir desses feitos nas águas do mundo e de seus duelos particulares.

 

Reveja a atuação dos aniversariantes de fevereiro em Margaret River (Austrália) no ano de 2015!

 

 

 

Na matemática histórica do circuito, Slater é imbatível. Não apenas para Adriano, mas para qualquer outro profissional das ondas. São nada menos do 11 títulos mundiais e 55 vitórias no Tour de elite. Só para se ter uma idéia, o surfista mais próximo de Slater em títulos mundiais é o aposentado australiano Mark Richards, com quatro canecos. Já em número de vitórias, quem chega mais perto de Kelly é seu herói e compatriota, Tom Curren, com 33 troféus, sendo que suas conquistas foram obtidas numa época que não havia divisão de elite (CT) e de qualificação (QS), ou seja, o Tour era aberto e os surfistas competiam um número muito maior de provas do que as estrelas de hoje. Nessa disputa Adriano tem números bem mais modestos. São seis vitórias em etapas da elite e um título mundial. Já no confronto direto, o ídolo do Guarujá, que agora vive em Floripa, quase empata o jogo. Dos 24 confrontos, são 13 vitórias do norte-americano contra 11 do brasileiro, mas a favor de “Mineirinho” está o fato de que essas 11 vitórias foram conquistadas nos últimos 15 confrontos, o que nos mostra que o nosso campeão mundial de 2015 encontrou a formula para derrotar o ícone dos ícones. Na verdade, Adriano usou as características que o diferenciam da maioria: competitividade extrema, estratégia, foco, e claro, muito surfe no pé.

 


No CT da Gold Coast em 2014, ADS venceu KS duas vezes no mesmo dia. (Foto: WSL/Kelly Cestari)

 

Na história desse duelo de Titãs, dá para perceber uma grande mudança a partir, justamente, da primeira finalíssima entre eles. A disputa aconteceu na Praia da Vila, Imbituba, Santa Catarina, antigo palco do CT no Brasil. Na época, Slater já dava de goleada, com oito vitórias nos embates entre eles, e conquistou a nona diante de uma animada torcida verde e amarela. Engasgado com a derrota em casa e com mais experiência e confiança, no mesmo ano, Adriano começou a tentar virar o jogo. A partir de então foram oito vitórias seguidas, sem contar uma derrota polêmica, onde foi anotada uma interferência de remada do brasileiros apenas depois de Slater reclamar com os juízes. Isso aconteceu na prova de Porto Rico, em 2010, e malandro que só ele, Slater fez logo a seguir uma campanha velada nos bastidores contra a maneira visceral e às vezes explosiva que De Souza impõe nas baterias. A campanha deu certo por um tempo, mas com muita humildade e a determinação de sempre, de novo, Adriano reverteu a imagem e hoje essas características são reverenciadas por nove entre 10 surfistas do Tour.

 


Final em Imbituba (SC) marcou a história dos dois surfistas. (Foto: Nilton Santos)

 

Entre essas oito vitórias de um total de 11 contra Kelly, não dá para esquecer a da grande final do evento português do Championship Tour, nas ondas perfeitas e tubulares de Super Tubos. Já com a paz selada entre eles, Adriano, com o troféu de campeão nas mãos, usando ou não a ironia mais comum em Slater, se ajoelhou diante do mito, para prestar uma “homenagem”. Outro momento de glória de Adriano contra Slater aconteceu em 2015 durante trajetória do paulista para o título mundial. Em onda com cerca de 3 metros e mais uma vez perfeitas, nas quartas de final, em Margaret River, Austrália, “Mineirinho” exibiu as suas melhores armas e eliminou KS da competição. Esperamos que Slater adie ao máximo a sua aposentadoria para que novos duelos entre eles possam acontecer para o delírio dos amantes do esporte.

 


Mineirinho "reverencia" o mito norte-americano. (Foto: José Sena Goulão/EFE)

Tags:
COMPARTILHAR