AGUARDE
17 abril 2015

Surf Feminino SIM

Movimento em prol do retorno das competições de surfe feminino no país mobiliza gerações

No final de março a confirmação da volta do Super Surf, circuito brasileiro de surfe profissional, deixou os corações de milhares de surfistas esperançosos. Seria a volta por cima do surfe nacional? Seria reflexo do sucesso de Gabriel Medina? O fato é que a notícia não foi motivo de comemoração integral, já que o evento em 2015 será exclusivo para os homens.

Poucas horas após a notícia ser divulgada, a ex-integrante da elite do surfe mundial, Jacqueline Silva entrou em contato com diversas meninas com o intuito de encontrar a melhor forma das mulheres se manifestarem diante da ausência das competições profissionais de surfe feminino.

Jacqueline Silva (SC) - Foto: Roberto Samper

Para Jacqueline Silva , bicampeã do circuito de acesso ao CT, a união faz a força. "Fiquei desiludida quando soube que o Super Surf voltaria sem o feminino e a minha primeira reação foi enviar mensagens para todas as meninas que eu tinha contato. Acho que se nos unirmos e nos empenharmos na questão temos grande chances de voltar com as competições femininas, mas vai ter que ser um trabalho em conjunto e levado a sério", finaliza.

Depois de muita conversa, com mais de 150 surfistas de todo país, foi criado o movimento Surf Feminino SIM e uma frente para representá-lo. Essa comissão é formada por Brigitte Mayer, Jacqueline Silva, Claudia Gonçalves, Érica Prado, Priscila Barcik, Suelen Naraisa, Nathalie Martins e Bruna Queiroz.

Tita Tavares (CE)

O primeiro passo foi esclarecer junto à ABRASP, Associação Brasileira de Surfe Profissional, a real situação da categoria no país. Pedro Falcão, diretor executivo da entidade, explicou em reunião com algumas integrantes da comissão que a ABRASP está buscando patrocínio para o circuito brasileiro feminino com 3 ou 4 etapas para essa temporada. Tendo essa afirmação como norte, o movimento Surf Feminino SIM resolveu criar uma campanha nas redes sociais com o objetivo de chamar atenção para a categoria, relembrar momentos marcantes e mostrar que vale a pena investir no surfe feminino. Paralelamente às ações na internet a comissão do movimento está trabalhando junto a ABRASP para conseguir investidores interessados em apoiar o circuito feminino.

O surfe feminino merece um espaço ao sol! Ídolos não nascem de um dia para o outro e as competições, profissional e amadoras, têm um papel fundamental para fomentar todo esse processo.

Representante do surfe feminino no Conselho Executivo da ABRASP de 2000 a 2012 a carioca Brigitte Mayer , campeã brasileira de 1998 e agora aposentada das competições, afirmou que esse movimento é um marco para a categoria. "O surfe como competição surgiu no pais sempre através da união dos surfistas, do desejo de tornar o surfe um esporte de competição, com boas premiações e organizado. O surfe feminino merece um espaço ao sol! Há três anos estamos sem um circuito profissional, fora isso toda a categoria de base precisa ter uma atenção maior. Ídolos não nascem de um dia para o outro e as competições, profissional e amadoras, têm um papel fundamental para fomentar todo esse processo. O surfe feminino como um estilo de vida já está mais que inserido na cultura da praia, o que precisamos é retornar as competições, essa união é uma demonstração que temos sim surfistas brasileiras que vislumbram o retorno das competições . O movimento “Surf Feminino SIM” é um passo, e é através dele e com o apoio da ABRASP, das Associações e Federações estaduais e de empresários daremos mais passos, um de cada vez mas sólidos para o desenvolvimento da categoria a curto e longo prazo".

Brigitte Mayer (RJ) - Foto: Rick Werneck

A cearense Yanca Costa , de 15 anos, acredita que o movimento Surf Feminino SIM já está chamando atenção de muito gente e que possivelmente abrirá muitas portas para a categoria. Relembre a trajetória das mulheres no circuito brasileiro de surfe profissional:

A categoria feminina foi incluída no circuito Brasileiro de surfe profissional em 1997 , 10 anos após a criação do mesmo, e Deborah Farah foi a primeira campeã. Na época o circuito foi composto por 04 etapas, cada uma com um patrocinador diferente. A competição era aberta para qualquer surfista filiada a ABRASP. Em 1998 e 1999 pela primeira vez a categoria feminino contou com um circuito exclusivo, o Circuito Surf Trip tinha 3 etapas, além da categoria profissional contava também com as categorias de base. Brigitte Mayer e Andrea Lopes foram as campeãs nos 2 anos do circuito.

Deborah Farah (RJ) - Foto: Basílio Ruy

Em 2000 a chegada do Super Surf, circuito da elite do surfe nacional, deu um levante no surfe nacional. O circuito, que durou 10 anos, era exclusivo para um determinado número de competidores, tanto no masculino quanto no feminino, e tinha premiação muito boa, que incluía dinheiro, viagens e carros.

Brigitte Mayer, Andrea Lopes e Jacqueline Silva - 1º etapa Super Surf 2000

Em 2010 o circuito da elite do surfe nacional ganhou novos investidores e nova nomenclatura. O BSP, Brasil Surf Pro, tinha os moldes do Super Surf e uma remuneração financeira até mais atraente para os competidores, no entanto, o circuito só durou 2 anos. Nas últimas 3 temporadas os homens definiram os títulos nacionais através de eventos regionais, já as mulheres ficaram desamparadas. Uma tentativa de reerguer a categoria ocorreu em 2014 com a realização da etapa única do brasileiro profissional, o Saquarema Para Mulheres, vencido pela cearense Silvana Lima.

Silvana Lima (CE) - Foto: Abrasp

Galeria de campeãs:

Deborah Farah (RJ) - 1997

Brigitte Mayer (RJ) - 1998

Andrea Lopes (RJ) - 1999, 2001, 2002 e 2006

Tita Tavares (CE) - 2000, 2003, 2007 e 2008

Silvana Lima (CE) - 2004, 2005 e 2014

Suelen Naraisa (SP) - 2009 e 2010

Diana Cristina (PB) - 2011

Conheça o movimento:

Instagram: @surffemininosim

Facebook: https://www.facebook.com/surfefeminino

Twitter: https://twitter.com/surffemininosim

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