AGUARDE
15 fevereiro 2016

Todas as faces de Alê Abreu

Único brasileiro na briga pelo Oscar este ano, Alê Abreu é animador, pintor, desenhista e diretor

Alê Abreu sempre foi desenhista. A paixão por esta arte, que de acordo com ele toda criança tem, ganhou mais forma aos 13 anos, quando ele participou de um curso de desenho animado com Sérgio Tastaldi, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

Eu sempre desenhei, não teve propriamente um começo e eu nunca deixei de ser desenhista. Toda criança é desenhista, na verdade, mas muitas param. Quando elas aprendem a palavra, acho que ela se torna uma substituta muito forte do desenho. Não sei o que acontece.

Formado em Comunicação, Alê passou a produzir ilustrações para agências. Além de pagar as contas, esses trabalhos foram ajudando Alê a amadurecer como ilustrador.
Em 1993, Alê Abreu lançou Sirius, um curta animado que conta a história de um menino de rua que periambula pelas ruas da cidade na noite de Natal. Esse trabalho, que foi exibido no 1º Anima Mundi, participou de vários outros festivais e venceu o Festival Internacional de Cine para Niños e Jóvenes, do Uruguai.

Cinco anos depois do lançamento de Sirius, Alê Abreu apresentou “Espantalho”, seu segundo curta e começou a se envolver cada vez mais com outros animadores para estudarem e fomentarem o mercado de animação no Brasil. Neste período ele ajudou a formar a Sociedade dos Ilustradores do Brasil e fez parte da Associação Brasileira de Cinema de Animação.
Paralelamente a sua dedicação como animador, Alê seguiu atendendo os pedidos de publicidade e fazendo ilustrações para revistas, jornais e livros. Com o lançamento de “Garoto Cósmico”, seu primeiro longa-metragem, em 2007, Alê se aventurou também como escritor, já que esse trabalho foi adaptado para a literatura com a ajuda de José Paes Lira.
Garoto cósmico

O livro Garoto Cósmico foi o primeiro do Alê Abreu a ser publicado. Foto: reprodução internet

Em 2009, dessa vez ao lado de Priscilla Kellen, ele lançou seu segundo livro “Mas será que nasceria a macieira?”. Esse trabalho chegou ao público no mesmo ano que foi lançado o piloto da série Vivi Viravento. Numa parceria entre Brasil e Canadá, com o apoio do AnimaTV e TV Cultura, a intenção desse projeto é estimular os canais nacionais a exibirem produção nacional no local dos enlatados.

Dedicado cada vez mais à animação, à pintura e ao desenho, Alê Abreu lançou em janeiro de 2014, “O menino e o mundo”. O filme de 85 minutos, que usa a essência da animação, numa forma caseira se comparada com o que os estúdios de Hollywood usufruem, foi lançado em mais de 80 países e participou de mais de 150 festivais.

O resultado do terceiro longa de Alê Abreu agradou o público e a crítica. Entre os muitos prêmios que “O menino e o mundo” recebeu vale destacar o “Crystal du long-metráge”, no Annecy International Animation Film Festival, na França, “Grand Prix – best feature film”, do World Festival of Animated Film – Animest em Zagreb na Croácia e o último deles o Annie Awards 2016.

Embalado por todos esses troféus e com uma mensagem universal, “O menino e o mundo” venceu uma dura batalha e está entre os finalistas na briga pela estatueta mais cobiçada do cinema mainstream, o Oscar. Os adversários da obra de Alê Abreu nesta corrida são: "Anomalisa", "Shaun, o carneiro”, "Quando estou com Marnie" e "Divertida mente”, apontado como o mais forte.

O menino e o mundo

"O menino e o mundo" venceu mais de 30 prêmios pelo mundo. Foto: reprodução internet

Vencido este árduo desafio, Alê Abreu começou uma campanha para promover o filme nos Estados Unidos e fazer o filme ser visto pelo maior número de pessoas.

O mais difícil era passar esses 16 concorrentes e chegar na lista dos cinco. Para eles [da distribuidora] é mais fácil trabalhar agora, o grande desafio é fazer o filme ser visto. Os grandes filmes ganham porque estão na boca da mídia.

Numa guerra de Davi X Golias, como o próprio Alê Abreu citou numa entrevista coletiva ao falar da missão de superar “Divertida Mente”, a produtora Filme de Papel do diretor, iniciou uma campanha de crowdfounding na internet para arrecadar R$100 mil. A intenção era distribuir DVD’s nos Estados Unidos entre os votantes da academia e promover exibições do filme no país.

O objetivo foi atingido em 12 dias de campanha, mas a missão continua já que o evento no Catarse rola até 28 de fevereiro.

Publicação na página oficial do filme no Facebook. Foto: Reprodução internet

Publicação na página oficial do filme no Facebook. Foto: Reprodução internet

Faça a sua parte e ajude o Brasil a conquistar esse prêmio. Para doar de R$ 24 a R$ 3840 acesse este link.

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