AGUARDE
22 novembro 2016

Um pouco mais de consciência.

Ilustração: Andy Massena

Na semana em que deveríamos comemorar o Dia da Consciência Negra dois acontecimentos sinalizam que ainda temos um longo caminho a percorrer. O primeiro aconteceu em Clay, uma pequena cidade dos Estados Unidos, onde a diretora da Clay County Development Corp., Pamela Ramsey, postou no seu Facebook o infeliz texto: “Será revigorante ter na Casa Branca uma primeira-dama com classe, bonita, digna". Estou cansada de ver uma macaca de salto.", se referindo a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. Como se não bastasse a prefeita da mesma cidade, Beverly Walling, acrescentou: "Ganhei o dia Pam”. Os comentários ganharam grande repercussão e ambas foram afastadas de seus cargos. 

O segundo aconteceu no Rio de Janeiro onde comentários preconceituosos foram escritos em uma foto da filha adotiva do casal Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, publicada por Giovanna em seu perfil no Instagram. O casal registrou queixa e provavelmente os responsáveis pelos comentários serão punidos. Mas, independente das punições, tais atitudes existiram. Seres humanos em pleno século XXI, usam a internet e as redes sociais para expor a falta de respeito e um lado preconceituoso e intolerante. É triste saber que casos como estes acontecem diariamente com milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo.

Basta analisar a campanha publicitária do Governo do Paraná, “Racismo Institucional”, que mostra fotos idênticas substituindo modelos brancos por modelos negros. Ao perguntar para cidadãos comuns ao que cada foto remete, as fotos com modelos brancos remetiam a atos positivos enquanto as fotos com modelos negros remetiam a atitudes negativas. Exemplo: a modelo branca com spray de tinta na mão era vista como artista enquanto a negra como pixadora. O modelo branco correndo remetia a um homem atrasado, já o negro era percebido como um bandido. Todas as pessoas ouvidas não se julgam racistas ou preconceituosas, mas na verdade, são. Creio que um dia todos se darão conta que a cor da pele não determina se uma pessoa é inferior ou superior a outra, mais ou menos bonita, inteligente ou ignorante. Enxergar a realidade é o primeiro passo para a verdadeira conscientização, que deveria ir muito além de uma data comemorativa que, pelos fatos, ainda tem pouco a comemorar.

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