AGUARDE
08 setembro 2015

Um sírio ao mar

Maior surfista de todos os tempos é bisneto de um sírio.

Semana passada, o mundo inteiro voltou seu olhar para um país muito pouco lembrado, especialmente aqui no Brasil, a Síria, diante da tragédia, capturada em foto, ocorrida com uma criança de três anos de idade. Levado pelo pai, o menino sírio Aylan Kurdi não resistiu à viagem de fuga que faziam da Turquia para a Grécia, com destino final para o Canadá, e a imagem da criança morta, na beira de uma praia, tornou-se, rapidamente, um símbolo da desgraça dos refugiados do oriente médio, e da interminável guerra santa.


Aylan Kurdi

No mundo do surf, embora poucos saibam, também temos um homem ao mar com sangue sírio. Ninguém mais ninguém menos do que o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater. Bisneto de um sírio que imigrou para a América.

Ilustração de um bairro sírio, em Nova Iorque

O próprio Slater, no passado, levando em consideração a sua projeção mundial, por conta do sucesso no esporte, e a sua ascendência síria, já participou de projetos como o “Surfing for Peace”, em Jerusalém, para pregar a paz entre Israel e Palestina.

Slater em Gaza

Claro que não podemos exigir uma posição e um envolvimento direto de Slater com a causa, mais do que nobre, aliás, mas certamente seria uma voz de peso, uma voz que chegaria a milhares de pessoas, cujos gritos de socorro de seus ascendentes sírios não alcançam.

"O surfista, essencialmente, é um cidadão sem fronteiras, um ser que roda o mundo atrás de novos horizontes, novas ondas e culturas diferentes.

E dentro d’água, da mesma forma do que fora, é preciso chegar respeitando as pessoas e seu habitat. Na maior parte dos lugares, quando se age desta maneira, os locais são receptivos. Como consequência disso, o surfista acostumado a viajar para pegar onda que tem uma mentalidade respeitadora, diminui, a cada surf trip, as barreiras existentes entre continentes e coleciona novos amigos. O surf é um ótimo exemplo de que a única fronteira necessária entre países é a do respeito ao próximo.

Um sírio cercado por israelenses em Tel Aviv

O fato é que, mesmo não sendo um posicionamento exigível de um campeão do surf, Kelly Slater tem em suas mãos uma grande oportunidade de usar a voz que conquistou com seu talento sobre as ondas, para ajudar em uma causa triste e grandiosa, que há muitos anos, mancha com sangue a história do país.

Pedro Maurity, autor do texto, surfando na Nicarágua
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