AGUARDE
12 maio 2016

Um trabalho de responsa

O sul-africano e ex-top do CT, Travis Logie, é o cara que decide se as disputas vão ou não para água

Depois de se aposentar em 2014 após nove anos entre os melhores surfistas do planeta, Travis Logie segue envolvido com o Tour e num trabalho digamos que delicado ao lado do também ex-integrante do Circuito da Elite Mundial, o australiano Kieren Perrow.
Não podemos negar que Travis Logie nunca foi aquele surfista inspirador quando se trata de estilo e surfe de alto nível, mas atitude nunca lhe faltou, principalmente em ondas mais pesadas, como a de Teahupoo no Taiti, quando viveu bons momentos.

Quando resolveu se aposentar, parecia que o pequenino sul-africano iria desaparecer do cenário do surfe internacional, até que surgiu um convite da WSL (Liga Mundial de Surfe) para que ele continuasse a prestar serviços para entidade, no papel de comissário, ao lado do também ex-integrante da elite mundial, o australiano Kieren Perrow. A dupla faz uma espécie de revezamento no cargo, que nada mais é do que analisar as condições e em conjunto com outros envolvidos, decidir se as baterias vão ou não para a água.

Uma equipe do Woohoo conversou com o sul-africano durante a etapa brasileira do CT e fez algumas perguntas sobre esse trabalho, digamos que complicado. Ao ser questionado sobre a responsabilidade de fazer essas chamadas e decidir se rola ou não campeonato, Travis não fugiu da raia. "Existe muita pressão pra fazer as chamadas, mas eu adoro. Essa é a minha paixão e eu faço o melhor possível com as informações que recebo. Temos um ótimo time que nos ajuda. É complicado, não dá pra deixar todo mundo feliz, infelizmente, mas eu sabia disso quando me envolvi e tento fazer o melhor possível".

Travis Logie fazendo a chamada no Rio Pro 2016

É complicado, não dá pra deixar todo mundo feliz, infelizmente, mas eu sabia disso quando me envolvi e tento fazer o melhor possível

Atualmente, o Tour vive um marasmo e uma monotonia em relação ao calendário. Ao todo, são onze etapas, sendo que as três primeiras (Snapper Rocks, Bells Beach e Margaret River) são realizadas em território australiano. Depois da perna aussie, o circuito vem para o Brasil e em seguida parte para as esquerdas clássicas de Cloudbreak e Restaurant, em Fiji e segue até o final de dezembro com eventos na África do Sul, Taiti, Estados Unidos, França, Portugal até chegar a mítica Pipeline, no Havaí, onde termina a temporada. Perguntamos se caso ele pudesse escolher um pico novo para o Tour dos sonhos ele não teve dúvidas.
"Cem por cento de chance que eu escolheria Macarronis, nas Ilhas Mentawai, Indonésia. É a minha onda favorita, já estive lá antes. É uma esquerda perfeita, que permite você pegar tubos, mandar manobras, tudo. Espero que em breve realizemos uma etapa por lá". Confessou Travis, deixando no ar uma esperança de renovação no calendário da WSL.

Será que veremos em breve uma etapa nas esquerdas de Macarronis?!

Considerado o Circuito dos Sonhos, muitas vezes as ondas deixam a desejar e não podemos ser hipócritas ao ponto de dizer que a etapa brasileira pertence a esse sonho. Infelizmente nossas ondas não são as melhores do mundo, mas sempre oferecem condições razoáveis para a disputa da etapa e como admitiu o comissário da WSL, o Rio de Janeiro merece sim um evento.

"Eu acho sim que o Rio é um bom lugar para a etapa. Existem muitos picos pelo Brasil e é difícil dizer qual é o melhor. Pra mim, a melhor onda do Brasil é Fernando de Noronha, mas existem outras ondas legais, como Saquarema, Florianópolis, mas o Rio é ótimo. Tem fundos de areia poderosos e todos ficam amarradões de vir para cá". Afirmou Travis Logie, não escondendo sua preferência pelo paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha.

Fernando de Noronha é a onda favorita de Travis Logie - Foto: Henrique Pinguim

O sul-africano passou nada menos do que nove anos no Tour, o que é um tempo considerável. Pra finalizar a entrevista, perguntamos se ele sente saudade da época em que ainda utilizava a camiseta da lycra e ele foi bem sincero.

"Sim, eu sinto muito saudade. Não achava que iria sentir tanto, mas sinto. Porém algumas vezes não, principalmente quando as ondas estão ruins, mas quando as ondas estão boas sinto muito. Eu adoro competir, surfar contra os outros e vencer meus adversários. Eu sinto bastante, mas tive uma longa jornada". Declarou Travis Logie, que agora figura do outro lado, e não deixa de ter um papel super importante dentro do circuito mundial.

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