AGUARDE
18 dezembro 2015

Veja como a mídia internacional repercutiu a vitória de Mineiro

Adriano de Souza nunca foi o queridinho da crítica especializada, mas está conquistando o seu espaço com muito trabalho

Com apenas 16 anos, Adriano de Souza surpreendeu muita gente e tornou-se o surfista mais jovem a conquistar o prestigiado título de Campeão Mundial Pro Jr (sub-21), no ano de 2003. Em 2005, o local do Guarujá bateu o recorde de pontuação no QS e entrou para a elite mundial, de onde nunca saiu. Com um surfe mais baseado no empenho do que no talento, Mineiro sempre deu trabalho entre os tops. Já venceu os campeonatos mais tradicionais do mundo e tinha como freguês ninguém menos do que o mito Kelly Slater, o melhor surfista de todos os tempos. Mesmo com todas essas credenciais, Adriano nunca foi desejado pelas grandes marcas ou convidado para participar dos filmes de surfe dos diretores mais conceituados. Veja como a mídia especializada internacional teve que engolir a fantástica temporada de Mineirinho em 2015. O garoto que saiu da favela fez história!

Adriano em Pipe, rumo ao topo do mundo

O ácido veículo australiano reconheceu a legitimidade do título, mas foi seco nos elogios. O jornalista Elliot Struck abriu o texto deixando claro que, como num conto de fadas, todos esperavam por uma vitória de Mick Fanning. O autor deixa claro também que Adriano venceu da única maneira como poderia, com a determinação de um cavalo de trabalho. A publicação também lamentou o fato de uma disputa tão emocionante ter terminado com o mar em condições tão ruins. O texto enumera os bons resultados de Adriano em 2015 e se despede sem grandes elogios.A bíblia do surfe decepcionou e parece que teve que torcer o nariz para publicar a vitória de Adriano. O foco da matéria foi nas condições do mar e no drama familiar de Mick, que perdeu o irmão mais velho durante o campeonato. Sean Doherty, sem a menor cerimônia, fez questão de deixar claro que Adriano de Souza é o campeão mundial e não o melhor surfista do mundo. O texto ressalta a difícil trajetória de Mick, que enfrentou Jamie O’Brien, Kelly Slater, John John Florence, Kelly novamente e Gabriel Medina. Doherty parece ter esquecido de três detalhes importantes: JOB não surfou nada contra Mick, o próprio Slater reclamou de uma onda mal julgada na quarta rodada e que Mineiro venceu Medina com autoridade na final. O jornalista assume que estava com medo de Adriano ser campeão mundial, mas que tinha ficado aliviado com alguns maus resultados do brasileiro. Ele admite que Mineiro nunca desiste e elogia o discurso humilde do nosso campeão. Lamentável.A Surfing Magazine foi muito mais simpática do que a Surfer. O curto texto, assinado pela redação da revista, considera que a temporada foi muito empolgante e comenta a dedicação de Adriano de uma forma muito mais positiva. A humildade e o trabalho duro de Adriano são elogiados e deixa registrado que ele está na briga pelo caneco há quase dez anos. A publicação elogiou também os adversários Mick Fanning, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Julian Wilson e Owen Wright. O texto se despede deixando bem claro que Adriano de Souza foi o campeão mundial mais merecedor de todos os tempos.

O respeitado veículo português ficou muito mais feliz com a conquista de Adriano do que os americanos e australianos. "Foi de uma forma épica e emocionante, mas também surpreendente e imprevisível, que Adriano de Souza alcançou o título mundial de 2015. Depois de 10 anos a lutar pelo tão desejado sonho, o surfista brasileiro conseguiu-o finalmente e da forma mais espetacular possível. Mineiro sucede assim ao compatriota Gabriel Medina, que foi precioso para este novo título mundial brasileiro."O charmoso blog foi sincero e terminou por exaltar a conquista de Adriano de Souza com gosto. O franco texto de Zach Weisberg começa admitindo que quase o mundo todo gostaria de estar falando sobre Mick Fanning. O australiano foi atacado por um tubarão na África do Sul e perdeu o irmão mais velho na véspera do dia decisivo em Pipe. A publicação valorizou a origem humilde de Adriano e destacou o fato de tudo ter começado quando Adriano ganhou uma prancha que custou apenas sete dólares. O escriba acompanhou a vitória de Adriano sobre Mason Ho na casa da Volcom e testemunhou a desânimo dos gringos com a festa brasileira. Segundo Zach, a decepção estava no olhar de todos. Foi a constatação definitiva de que a Tempestade Brasileira chegou para ficar por um longo tempo. Para o autor isso é positivo e ele sabe que os brasileiros trazem muitos fatores bacanas para a evolução do surfe competição. O título não deixa dúvidas. Sem torcer o nariz, o The Inertia deixa bem claro que Adriano de Souza merece todas as glórias!

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