AGUARDE
25 setembro 2014

Você deveria estar na França

Não acredita? Os nossos motivos vão fazer você nos dar toda a razão

Porque a França é a França Exemplo máximo da sophistication européenne, esse país lhe garante um requinte como não existe igual no mundo. Você vai amar estar lá e vai querer voltar sempre. Para os franceses, o segredo está nas pequenas coisas – nas baguettes crocantes no café da manhã, nas ruas cheias de canteiros com flores, nos croissants sem nada lá dentro que se desfazem delicadamente nas mãos, na saudação elegante – Bonjour, Madame, bonjour, Monsieur, je peux vous aider? – em qualquer lugar que você entra, no steak au poivre au point, na beleza esguia, no entrecôte grillée, nos piqueniques gourmet na floresta, no poisson à la plancha, nas calçadas impecavelmente limpas, nas moules avec des frites (mexilhão com batata frita, prato tradicional lá e que se come com as mãos), nas bicicletas vintage com cestos de palha que andam por todo o lado ou nas casinhas de boneca urbanisticamente bem alinhadas. Resumindo, por momentos, você vai sentir que está fazendo parte de um filme de Jean-Luc Godard, como por exemplo, Pierrot Le Fou. Tem programa melhor?

Porque tem surfe e balada todo o dia Durante o evento todo mundo, e acredite que são mesmo muitas pessoas, está distribuído por três vilazinhas bem pequenas coladas uma na outra – Capbreton, Hossegor e Seignosse. Todas de frente pro mar, elas são delimitadas por quilómetros e quilómetros de areia recortados de forma ergonômica à medida dos surfistas. Um pouquinho mais pra dentro existe um rio que atravessa toda a região (eles chamam de Le Lac), onde você também pode mergulhar e pescar. De noite, a galera sai a pé ou de bicicleta pra jantar com os amigos ou tomar uma cerveja. Os táxis são uma raridade e tão caros que você pode tomar um susto na hora de pagar a conta – por isso evite-os a todo o custo. Ah, regra geral, mais tarde que cedo, todo mundo acaba indo parar no Rock Food, a única boate nas redondezas. Uma vez lá dentro, encha o peito de ar e sinta-se livre pra adotar a velha máxima do escritor americano já falecido Hunter S. Thompson: It's always important to act crazy first, because you can always appear normal later. Na ressaca do dia seguinte na praia, mas com você já composto, decente e organizado, poderá sempre justificar-se com outra citação do mesmo autor e que fala qualquer coisa como isso: When the going gets weird, the weird turn pro. Matt Wilkinson que o diga...

Porque as francesas são sexy pra cacete e os homens uns verdadeiros gentlemen Sabe aquele cara que abre a porta pra você, donzela, passar? Que só se senta na mesa depois de ajudar você a ajeitar a sua cadeira? Que mal você saca um cigarro da bolsa ele já vem com o isqueiro em punho pra lhe dar fogo? Claro que existem acidentes da natureza mas, regra geral, esse é o francês típico, resultado de uma alquimia exata, com doses certas de cavalheirismo e safadeza. Agora elas. É difícil começar, por isso antes de o fazermos, aconselhamos você a botar no Google: Brigitte Bardot + Jane Birkin. A pesquisa irá conduzi-lo para um filme chamado Don Juan (Or If Don Juan Were a Woman), de 1973, e aí, oh lá lá..., você terá uma idéia do que estamos tentando explicar. Elas não vão andar de chapinha impecavelmente bem feita, nem de vestido tubinho minúsculo ou de sobrancelhas geometricamente depiladas (as restantes partes do corpo também poderão comportar algumas surpresas). A sua beleza é desgrenhada e meio selvagem por isso você poderá admira-las fazendo topless, e por vezes até nudismo, na praia, confortáveis de blusa branca e sem soutien ou desfilando em vestidinhos esvoaçantes com florezinhas, mas sempre com uma atitude provocadora e blasé do tipo não estou nem aí, ando preocupada com questões maiores, sabe? Miguel Pupo que o diga. Há tempos, em entrevista a um jornal português, confessou que queria aprender a falar francês só pra conversar com as mulheres. O moleque sabe...

Jane Birkin e Brigitte Bardot

Pela cultura libertina enraizada e que passa até pelos presidentes As fronteiras gaulesas que delimitam a vida privada de cada um são diferentes das que existem na maioria dos países. Tradicionalmente, os líderes franceses sempre conseguiram viver calorosamente as suas relações extraconjugais sem que isso desse origem uma censura generalizada ou motivasse especial interesse. Por isso, segundo a opinião pública francesa, quando, no meio da noite, François Hollande, atual chefe de Estado, se montava na garupa de uma moto conduzida pelo seu guarda-costas para se ir encontrar com a atriz Julie Gayet, ele não fez nada de mais. Há um século, quando o presidente Felix Faure morreu enquanto a sua amante lhe fazia sexo oral, um jornal nacional abordou a notícia com o simples título: Sacrificado por Vénus. Morte santa, é caso pra dizer. Já Mitterrand era chamado pela mulher como François, o sedutor, dada a sua intensa atividade extraconjugal. No ano passado, quando a revista marrom Closer publicou as fotos do líder socialista – que inclusive se esforçou pra fazer tudo direitinho, tirando o capacete apenas quando já se encontrava dentro do prédio -, a sociedade francesa estremeceu, não pelo uso indevido de dinheiro público, mas pela violação da tradição legal e cultural de que todos os cidadãos, até presidentes infiéis, têm direito à sua vida privada. Porém, e apesar de a maioria dos franceses respeitar a vida privada de Hollande (segundo uma sondagem realizada de imediato após o escândalo, 77% dos inquiridos considerou que o amor do presidente era uma questão que apenas a ele dizia respeito), as escapadelas do socialista não fugiram ao sentido de humor além-fronteiras. Contas de Twitter falsas em nome de Julie Gayet foram criadas e uma montagem fotográfica do presidente com um capacete na conferência de imprensa circulou pela internet. O diário britânico The Times publicou uma espécie de agenda ficcional do presidente em franglais que dizia Je suis le sexy, dirty chien! e o Financial Times usou uma imagem da atriz na primeira página, seguida de um editorial onde defendia o direito do presidente de comer croissants em paz. Isso porque, após ter passado uma noite com Gayet, Hollande pediu ao seu segurança para lhes trazer o café da manhã. Medina é líder do ranking Safadezas de parte, essa é uma das principais razões que sustenta esse texto. Pela primeira vez na história poderemos vir a ter um campeão do mundo brasileiro. Ontem, em conferência de imprensa na pitoresca vila de Capbreton, Gabriel falou que tinha grandes memórias de França (não, mente perversa, não vá por esse caminho que o moço está falando de competição. Com-pe-ti-ção!). Venci o meu primeiro WCT aqui e adoro essas ondas. As pessoas, a comida e a cultura são muito especiais. Tive um ano muito forte até agora mas ainda está longe de terminar. Espero dar um bom espetáculo na Europa. Seja qual for o resultado, o evento será dramatique. Mediná, bonne chance!   Slater vai fazer de tudo pra estragar a festa verde e amarela Tem sido de fato um ano interessante e o Gabe teve resultados muito fortes. É claro que gostaria de levar a corrida pelo título até Pipeline mas, para isso, muito trabalho tem de ser feito em França e em Portugal. Já vivi muitas coisas boas em França e adoro vir pra cá, disse o Careca. Huumm, mais outro falando dos bons momentos na França... Kelly Feelin' The Feelings again, será?   E Dane está competindo No ano passado, Dane Reynolds chegou na praia todo vestido de preto, acompanhado da namorada e cheio de estilo. Estava bem mais gordo e fora de forma mas, segundo consta, fechou a boca esse ano e por isso talvez venha a fazer estragos nesse evento. Com quilos a mais ou não, Dane é Dane e um dos melhores surfistas do mundo. Ficou convencido?

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